O sonho de Valentin

segunda-feira, agosto 15, 2011

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Valentim é um menino estrábico que através dos seus óculos de aros grossos, consegue filtrar uma dura realidade, enxergando uma beleza inexistente. E com a ajuda de sua imaginação encantada, que a tudo transforma, suaviza uma infância marcada pela solidão, desenvolvendo histórias em que o espaço sideral é sua maior fonte de alegria.

Com pai e mãe ausentes, resta-lhe apenas a avó, fiel companheira que tenta a todo custo, tapar as feridas que a falta do amor em família lhe faz. Vivenciando cada dia com pequenas aventuras entre casa e a escola, o personagem tem como maior valor, fazer brotar sempre de mansinho, o riso e o choro de quem está ao seu lado (também, pudera, o garoto é um mar de candura concentrado em um pingo de gente).



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Entre uma brincadeira e outra, a figura ausente destes pais, principalmente a mãe, lhe corrói o peito, em uma eterna espera que nunca se cala. Na casa dessa amável avó (museu particular da família, repleta de objetos esquecidos que um dia foram úteis) ele arquiteta os planos mais mirabolantes para que a espera finalmente acabe. Reencontrar a mãe, passa a ser um sonho constante.


No final, percebemos como “Valentim” é um filme que mescla  sentimentos de modo positivo, pois a inocência do garoto é capaz de tocar os corações mais duros e ordinários. Faz os olhos lubrificarem a alma, desnudando a vergonha de ser adulto e desprovido do real amor.


Então assista, chore e ria.


É um bom filme para quem, sem nenhum pudor, se deixa emocionar.



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* * *


(A ideia original dessa resenha tão particular era  fazer um paralelo entre a solidão do personagem e a de muitas crianças que, apesar da pouca idade, aprendem a conviver com esta espera/vazio, como se sempre houvesse uma falta iminente no ar, na casa, nas coisas que compõem nossas vidas. Muitos são apenas restos de histórias que um dia foram vividas dentro do ambiente, acumulando poeira, ferrugem e outras manifestações físicas do implacável tempo. Não consegui traçar o texto porque, por vezes, é cruel demais violar lembranças de tudo o que não foi...)










Um comentário:

Van disse...

hum... parece ser bom mesmo, jovem! Vou assistir!

Já viu 'Não Sou Eu, Eu Juro!' (C'est Pas Moi, je le jure!)?
Se não, como diria uns amigos serelepes: fica a dica! =)