É o fim, mudei de casa...

quarta-feira, julho 29, 2015


...Estou em outra viagem. 

Mas sem desesperos, é só uma passagem. Tô pertinho, bem aqui: deniac.com

Vai lá. 

Sobre quem não bebe em churrasco

segunda-feira, janeiro 26, 2015

Allan-Sieber

(clique para ampliar a imagem)

Ok, não são todos. Mas digamos que uma “boa maioria”.

Grande sacada do Allan Sieber

O Abutre dentro de nós

terça-feira, janeiro 13, 2015

O-Abutre-Nightcrawler-Ben-Holmes-1
Poster alternativo – Ben Holmes

Conhece a expressão “Espreme que sai sangue”?

Sintonize os canais de TV aberta mais populares depois das 17h, e você terá a sua disposição, alguns punhados de imagens chocantes como acompanhamento.

Claro, tudo sempre bem embalado pela indumentária jornalística do sensacionalismo, um segmento lucrativo para qualquer um que queira entrar nesta vertente da comunicação. E, ao que parece, nem precisa fazer bem feito. Quanto mais trash, melhor.

Estes bastidores estão muito bem representados em O Abutre (Nightcrawler, 2014), estreia muito bem sucedida do roteirista Dan Gilroy na direção (mais conhecido pelos roteiros de O Legado Bourne, Gigantes de Aço e Freejack: Os Imortais).

O filme tem uma tensão constante no ar, recortado pela presença por vezes cômica do cínico e frio personagem Louis Bloom, interpretado de forma brilhante por Jake Gyllenhaal.

 É com Bloom que acompanhamos de perto o desenrolar do universo policialesco televisivo, exibindo suas vertentes mais sórdidas, desde a construção de cenas de crime que cabem plasticamente melhor na tela até a falta total de escrúpulos.

Os vídeos agressivos, sanguinolentos, de crimes ou acidentes automobilísticos, é uma ânsia obsessiva, quase fetichista, tanto do protagonista quanto de sua produtora, Nina (Rene Russo, ainda linda aos 60). A tara por esses conteúdos obscuros é tamanha que, sem querer comparar mas comparando, há momentos que lembram Crash - Estranhos Prazeres, do David Cronenberg. Particularmente, acredito que Gilroy criou de vez um subgênero cinematográfico, o “jornalismo noir”.

Brincadeiras à parte, além de ser um daqueles filmes que já nascem clássicos, a fita abre discussões éticas diversas sobre a profissão, mas eu diria que a síntese do filme é apontar através do comportamento sociopata de Bloom, nossas próprias motivações macabras por conteúdos criminais.

Afinal (e me perdoem os manuais de redação pela rima que segue), notícias sensacionalistas não são muito diferentes das drogas ilícitas: se há oferta, é porque há procura.

Trailer:



Outros posters alternativos:
O-Abutre-Nightcrawler-Matt-Needles-3

O-Abutre-Nightcrawler-Paul-Johnstone-4
O-Abutre-Nightcrawler-mark-reihill-5
O-Abutre-Nightcrawler-Chris-Malbonl-6

O-Abutre-Nightcrawler-janee-meadows-7

Mimimi do tempo

quarta-feira, julho 02, 2014

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Sim, o velho papo do tempo. Ou melhor, da falta dele. Ao menos busco maneiras de aproveitar o pouco que me resta diariamente. Como agora, neste exato momento, deitado na cama prestes a dormir.

Na verdade, este post é um teste para ver se consigo ganhar alguns minutos do dia usando este pequeno mas eficiente aplicativo. Ele, talvez, me possibilite postar de qualquer lugar a qualquer hora.

Quem sabe assim, eu seja mais frequente. 

Caso contrário, será o fim.

Diário Random #0: Festival Órbita

domingo, junho 15, 2014

 

“É preciso ter espírito vagabundo, cheio de curiosidades malsãs e os nervos com um perpétuo desejo incompreensível, é preciso ser aquele que chamamos flâneur e praticar o mais interessante dos esportes – a arte de flanar. É fatigante o exercício?” – João do Rio, em A Alma Encantadora das Ruas.

Série de vídeos sobre momentos sem roteiros e lugares aleatórios.

Número 0: Primeira edição do Festival Órbita na Casa das Caldeiras .

 

+ https://www.facebook.com/pages/%C3%93rbita/731598486890954

Um post e um pôster para “Her”

quinta-feira, maio 22, 2014

Her - Matthew Woodson

 

Ao ver esse fan-pôster produzido pelo artista gráfico Matthew Woodson, veio-me logo a mente a ideia de fazer um texto sobre esta arte, de quão ela é bonita, simbólica, sintetizando a solidão e a surrealidade da imagem, do filme em questão (estamos falando da produção cinematográfica “Her”, de Spike Jonze, na qual Joaquin Phoenix se apaixona por um sistema operacional inteligente, personificado pela locução sensual de Scarlett Johansson).

O problema é que falar de cinema é sempre enfadonho aos meus olhos, apesar de amar o tema. Particularmente, resenhar filmes é sempre uma desvantagem intelectual, já que há tantos outros que melhor refinam e destilam suas interpretações sobre o que é visto na tela.

Por isso, me concentro sempre nos pormenores, nas rebarbas de assuntos que ninguém fala ou que não acrescentam em nada a discussão da obra.

Gosto mesmo é da margem, de ficar ao longe, observando debates e masturbações intelectuais coletivas. Claro que aprendo muito nessas “rinhas de cabeções”, mas prefiro a distância.

Prefiro falar dos sentimentos que a fita provoca em minha mente, assim como detalhes físicos, das coisas que aconteceram quando fui ao cinema. E Her, preferi ver em casa me$mo.

Baixei em uma cópia muito da safada, que mais parecia um efeito blur, semelhante a lentes de óculos que acabaram de ser baforadas com hálito quente (acredito que neste trecho fui redondamente redundante, já que não conheço outro tipo de baforada que não tenha haver com hálito ou boca).

Enfim, dá para comprar esse pôster lindo, de 45cmx60cm, para colocar na sua sala, fotografar com filtro do Instagram, e mostrar para os amigos o quanto você é cool e tem um gosto refinado. Tudo por meros $45,00, no site da Mondo. Bem aqui: http://www.mondotees.com/view_category.asp?cat=12

Aproveite e conheça outros trabalhos do Matthew Woodson:

http://www.ghostco.org/

Ah, e deculpem-me se soei amargo. Minha intenão era ser engraçadinho.

8-D

Um precipício chamado você

segunda-feira, maio 19, 2014

 

 Largo de Santana - Rio Vermelho - Carybé

 

Voltei à Bahia cheio de saudades. Em igual quantidade, dúvidas sobre melhores rumos. É aquele momento de reboot na vida que se despedaça em diversos cacos cortantes de problemas. Um peso de reveses que se acumulam na mente, com ares de quase insolúveis. Matar saudades tem seu lado bom para o sangue e a mente. Mas também há o lado ruim, de reafirmar pequenos contratempos que insistem pairar sobre o local que se ama.

A Primeira imagem da janelinha do avião: o bairro do Rio Vermelho ao longe. Ali estão guardadas  enredos adormecidos que dariam um milhão de histórias e que sempre se interligariam de algum modo. Fantasmas e eventos que insistem sempre no mesmo cenário.

Do alto, identifico cada mísero canto e curva, não só do bairro, mas de toda a soterópolis (gentílico criado a partir da tradução do nome da cidade para o grego, ou seja, "cidade do Salvador", composto de Σωτήρ ("salvador") e πόλις ("cidade"). Vivi muito nessa sinuosidade de ruas e culturas, de ladeiras e becos, de mar aberto e carros estacionados nas calçadas. Salvador, a cidade, apesar de uns retoques sonsos em sua estrutura, continua decrepita. As mesmas pessoas loucas andam em um desvario sem tamanho, seja a pé, ao volante ou dentro dos ônibus coletivos.

São dezenas de motivos para odiá-la. Mas também, tantos outros para beijá-la na face morena. A pele pinicando de calor, com o peito derretendo em suor, o ódio. Os amigos que embalam o coração, o amor incondicional. Mixórdias de sensações esquisitas que me tomam a alma. Precisava olhar no espelho do passado na tentativa de compreender o presente volátil.

Escrevi no Twitter:

twitter-deniac

O medo de ser um forasteiro na própria cidade estava todo o tempo comigo. E é algo comum para quem abandona o seu chão para tentar viver sonhos mais duráveis, para os que querem acender a vida com mais acontecimentos marcantes. Ou simplesmente, ir onde o trabalho e o dinheiro está.

Todo retorno é um exercício de julgamentos diversos. A dualidade aumenta em proporções gigantes. As comparações vão e vem aos olhos indiscriminadamente, é inevitável.  Lá tenho o calor do sol e dos entes queridos. Aqui, o frio do céu e a variedades de trabalhos/diversões. A praticidade e a necessidade responde as questões e cala o pensamento poético sobre viver na terra que te pariu.

O grande Waly Salomão definiu muito bem os conflitos das idas e retornos em seu “Poema Jet-Lagged”, do livro "Algaravias", de 1996:

"Viajar, para que e para onde,
se a gente se torna mais infeliz
quanto retorna? Infeliz
e vazio, situações e lugares
desaparecidos no ralo,
ruas e rios confundidos (...)
Mas ficar, para que e para onde,
se não há remédio, xarope ou elixir,
se o pé não encontra chão onde pousar,
(...)
se viajar é a única forma de ser feliz
e pleno?"

(Aqui, faça uma pausa, vale a pena ouvir a voz louca de Waly declamar o texto ao som de “Vapor Barato”, da Gal, no documentário Jards Macalé - Um morcego na porta principal):

 

 

 

O drama é antigo, não há novidades: saia da casa dos seus pais em uma cidade pequena, mude-se para um grande centro. Se um dia retornar, não se assuste com a sensação de viagem no tempo. E praticamente tudo, estará no mesmo lugar. Não se passaram anos, só apenas alguns segundos. Você sai com pessoas, bebe com elas e, no dia seguinte, quando você vai embora, retornam ao limbo do passado, dos sonhos. São como seres oníricos que tomam vida por 24 horas. Te abraçam forte e dizem: “Se eu não te ver mais, boa sorte na vida e  faça uma boa viagem”.  

Com a mesma proporção de emoções, revi minhas coisas. Explico: deixei minha vida material de acúmulos na casa de minha mãe. Como um santuário, o lugar tornou-se um backup dos meus livros, CDs , revistas em quadrinhos e da infância. Formaram minhas opiniões, meus conflitos, minha base. Como um devoto que paga suas dívidas aos santos,  eu os revi, reli, e os venerei.

Nessas horas, o que realmente muda de verdade? Apenas você, com sua percepção limitada de mundo. E nas chuvas quentes, repletas de ventos que gritam pelas frestas das janelas como gatos brigões, a percepção que o ontem não pode nos aprisionar.
Sempre repito a música preferida que meus ouvidos gostam de ouvir. Em outras palavras, do alto dos meus trinta e poucos anos, talvez possa dar um bom conselho para quem vive o mesmo momento:

Não deixe, oh querido peregrino, que o seu passado invada sua vida.  Não se apaixone por esse corpo voluptuoso de memórias encantadas. Há o pulso, a energia do dia quente de hoje, te chamando para as escolhas infinitas que o agora traz.

O mundo te culpa, mas há sempre uma boa saída. Ou má, quem sabe. Apenas mude de lugar, de posição. O novo não se esgueira nas sombras da mesma rua que você passa desde a tenra infância. É preciso ir, morrer de saudades, para então voltar forte como um bezerro recém chegado ao curral. Pular de alegria pela rotina divina que agracia a vida de quem sabe olhar o encanto microscópio das coisas.

Eu te provoco peregrino, pois sua vida não pode ser um meme, uma cópia de outras histórias. Tornar-se único, verdadeiro, sentindo-se pleno com o que conseguiu até agora, é sua melhor meta. Repita e repita, até o mantra fundir-se nas células do seu corpo: não sou o outro, não vivi as mesmas oportunidades e complicações do outro, e, por isso, é impossível qualquer comparação. Construir e desconstruir a própria história até a exaustão é preciso.

Fazer café sem coador deixa o gosto mais encorpado, dizem. Para esperar o pó sentar no fundo do bule, só é preciso um pouco de paciência. É a vida, e não há quem possa contra suas leis universais. Exerça a sabedoria de esperar a borra baixar e, em seguida, desfrute da melhor bebida de todos os tempos.

Saia. O sol, a chuva, o calor e o frio te esperam no bosque, na cidade, na praia, no asfalto, na lama. A vida te chama para pular no precipício que leva seu nome, para encontrar sua essência, o seu coração, lá no fundo do abismo.

E não, peregrino, não é hora de voltar.

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Imagens: cenas do filme “State Garden”, de Zach Braff.

Exploro

segunda-feira, fevereiro 17, 2014

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Caminho por ruas ainda não marcadas na memória. Abro torneiras com a mão esquerda, apesar de destro. Como a energia do açúcar. Medito sobre o nada. Leio sobre tudo. Faço conexões improváveis para criar algo novo. Crio tempo. Planejo a semana. Projeto um milagre que teima em não acontecer.

Exploro. Me perco. Não encontro.
 
E mesmo assim, não consigo parar.

 

Ilustração: “Explore”, de Jazz Berry Blue

 

+ http://www.jazzberryblue.com/

As tatuagens de Analogic Love

quinta-feira, fevereiro 13, 2014

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Tatuagem é coisa séria. Precisa ser bem feita e ter um significado (pelo menos neste universo de poucos centímetros quadrados em que orbitam os pensamentos imundos do meu cérebro).

Acredito que esses preceitos sejam necessários por dois motivos: 1) aguentar passar algumas horas sentindo dor na epiderme, 2) para não enjoar da arte que irá ficar marcada pelo resto da vida em seu corpo.

Mesmo assim, há alguns adendos que desmitificam o que acredito, e um deles é o motivo deste post, ou seja, a mão do artista. Gente como Maria Fernanda/Arthur, os “Analogic Love”.

Com traços belos e precisos, nada parece ser desenhado sem ser claramente pensado. Tudo se transforma na mais pura arte na pele, e mesmo sem grandes significados para a vida, qualquer um ostenta o estilo deles com orgulho.

No vídeo produzido pela cerveja Desperados, podemos conhecer melhor o Projeto Analogic, que “une técnicas perfeccionistas de tattoo com a tela em branco que são as paredes”.

 

 

Depois, veja as imagens a seguir que não me deixam mentir:

 

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+ http://instagram.com/analogiclove

     http://www.analogic.com.br/