Joy Division, Kierkegaard e a melancolia
quarta-feira, dezembro 05, 2012
Por uma Vida Low-Tech menos ordinária
segunda-feira, dezembro 03, 2012
Caríssimos e atenciosos leitores deste digníssimo blog que tanto amo e que é verdadeiro muro de minhas lamentações pessoais: anuncio hoje que mudanças não tardam. Mas estas não serão assim tão drásticas.
A coisa, na verdade, é bem simples: o Vida Low-Tech continua da mesmíssima maneira que sempre foi, mas agora, acrescento outros itens da vida real, como por exemplo, o descontinuado diário de fotos em baixa resolução, o meu tumblr Vida Pixel.
A ideia é concentrar tudo o que faço por aí exatamente aqui. Sacou?
Agora sim esta joça assinada em feed reads por 46 leitores fixos, finalmente, entra no chamado conceito de Lifestream, já que, o que como, leio, ouço, penso, olho e, finalmente, vivo, está dentro deste pedaço pálido do mundo.
Espero que gostem do que este amigo escriba digerati tornar público. Além disso, gostaria que este mesmo conteúdo acrescentasse algo de positivo ao seu leque de cultura. Acredito que até mesmo as pequenas exibições de nossa vida devem conter algum tipo de informação interessante que agregue algo ao próximo.
Trabalho árduo e quase utópico, talvez, mas que não me custa tentar. Afinal, seguimos pessoas, não blogs.
Longa vida e próspera sempre!
Tchékhov na estante
segunda-feira, novembro 26, 2012
Tchékhov estava quieto em uma prateleira empoeira de um sebo. Comprei-o pela bagatela de R$ 2.00 e sabia que ali naquelas páginas amareladas pelo tempo dormiam histórias do âmago humano loucas para serem lidas novamente.
Como se sabe, livros usados carregam consigo fragmentos de seus antigos donos e, diante dos meus olhos, estava um volumei lido nos 70, ficando adormecido em uma estante qualquer. Dentro dele encontrei um bilhete frívolo, um cartão de um restaurante morto e uma nota de 10 cruzeiros.
Mas o que importa mesmo são contos, ainda vivos, ainda atuais, que se dão pela proximidade das relações pessoais. Há inveja, há loucura, há amor. E esse último item, em especial, é o melhor representado pela habilidade única de Anton Tchékhov de fazer brotar o interesse do leitor em situações cotidianas que aparentemente nada teriam de importantes.
Enfim, enredos que somente gênios podem produzir e nos fazer sonhar.
TEMAS MUSICAIS PARA a sexta-feira
sexta-feira, novembro 23, 2012
Dub Pistols – Back to Daylight
Apesar do concreto cinza e do asfalto negro,o céu está mais azul do que nunca e é isso que importa.
Quando três gifs te fazem rir
quarta-feira, novembro 21, 2012
A arte-pop-mashup de Isabel Samaras
Um mal gosto que, de tão sofisticado e inteligente, acaba sendo algo digno de um popular e sonoro “puta que pariu, que quadro do caralho!”
+ http://isamaras.wordpress.com/
Você conhece o Manhattanhenge?
quarta-feira, novembro 14, 2012
Delírios da quarta-sexta-feira-prenúncio-de-feriado
É chegada a hora de cochilar sob o vai e vem de um rabo feliz. E quem não aproveitar, além de ser mulher do padre, vai ser um workaholic chato fazendo pose de competente.
O primeiro single de Johnny Marr
terça-feira, novembro 13, 2012
Johnny Marr, ex-guitarrista dos The Smiths, lançou hoje (13.11.2012) a música “The Messenger”. Ela fará parte do primeiro álbum solo do artista, e deve sair em 2013.
Só por essa primeira canção, já dá para sentir o clima. Coisa boa vem por aí.
Assista:
Notícias do front
O concreto vai bem, obrigado. E aos poucos se mistura a este sangue de água de coco. Os sonhos com a Bahia ainda perduram. E são sempre os mesmos: os pés enterrados na areia morna, o corpo relaxado sobre uma decrepita cadeira amarela de plástico, o sol queimando a pele, a visão se turvando ao ritmo de ondas ruidosas e da cerveja que esquenta rapidamente.
Mas como disse, no concreto está tudo tranquilo. A riqueza cultural (ou etílica?) me faz esquecer os espetáculos diários do entardecer. E já não me recordo de tantas coisas mínimas. Para reativar essas lembranças, faço algo meio medíocre: mato saudades das ruas sujas onde vivi com o Google Street View.
Uma mania irrecuperável essas nostalgias. Sofro tanto desse mal que, se um dia for acorrentado e chicoteado por 10 anos seguidos, tenha certeza que ao ser libertado, terei saudades do meu carcereiro.
Sigo em frente, pois novas esquinas precisam ser descobertas, vividas. Mesmo que as novas me lembrem das antigas. Para esquecê-las, me apego às paredes. Nelas há arte de rua que sempre evoca uma liberdade surreal impossível na vida, mas bem lógica nos sonhos. E como costumo acreditar, para sonhar não é necessário dormir. É só estar bem consciente. Basta abrir os olhos, e lá estão os pequenos detalhes mágicos que todos ignoram.
Exercito essa ideia ao acordar. Vejo e ouço a sinfonia de carros, pessoas e helicópteros que sobrevoam nossas cabeças a cada instante. Ruídos desconexos da urbe que se unem aos ruídos desconexos de pássaros cantantes que vivem nas parcas árvores que ainda teimam em viver na mixórdia sintética do asfalto. O concreto me seduz e seus maiores representantes são os prédios antigos.
Vejo-os como gigantes vivos e sonolentos. São velhos decadentes que parecem observar com suspiros no olhar. Eles têm certo enfado por ter vivido plenamente dias melhores. Mas gosto deles mais do que os novos. Tanto que estou morando em “um senhor bem antigo” que “uiva como fantasmas de castelos europeus”, tamanho é a força da corrente de vento que assobia entre as janelas. De quebra e se bem concentrado, dá para sentir a vibração dos acontecimentos do passado.
Como disse em outro momento, foi fácil encarar tudo. Na verdade, foi fácil porque tenho incutido na mente essa ideia mágica de que os lugares amontoados de gente de todos os cantos clamam pela minha presença.
Desvendei um clichê: o termo “selva” é real. Não pelo lado selvagem, mas pela quantidade de “espécies” e “floras” de pessoas. Rostos dos mais diversos, dos mais acentuados, narigudos, triangulares, peles opacas, morenas e negras. Ruivos sardentos de crespo cabelo. Índias bolivianas de pernas curtas. Negras altas e charmosas. Asiáticas de pupilas negras e olhos rasgados.
A cidade se mostra em múltiplas culturas e crenças, mas muitos a desprezam. Principalmente os que se proclamam “abastados”. Estão cegos pelo trabalho, pelos seus problemas e até pelo preconceito descabido por sua própria cidade (além de outros estados, lógico).
Os que assim pensam, mesmo os jovens, são velhos decrépitos que desprezam seus próprios semelhantes. Mas não é isso que gostaria de me apegar, pois minha função é desvendar histórias e contá-las do meu modo. Descobrir os segredos da cidade conhecendo pessoas, saindo às ruas, não perguntando ao Google. Essa é a meta.
Aqui, a vida é de vidro e passa sem ruído do outro lado da janela. Tudo é uma paisagem que nasceu nas mentes de ricos descendentes de europeus e postas de pé pelas mãos calejadas de nordestinos descendentes da mãe África. As luzes sintéticas iluminam os sonhos consumistas. Apesar de tudo isso, existe amor em SP. O que não existe são estrelas.
***
Do front, mando boas notícias, apesar dos muitos reveses. E só não desisto porque vim para morrer e renascer logo em seguida, dia após dia, indo além da negação e do medo, que me fará sobreviver ao fim. Há muitas provações, mas também há muitas recompensas neste caminho pedregoso. E é apenas o começo...