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Drops do dia: política suja, gatos Jedis e a mentira do "gosto de escrever"

terça-feira, abril 10, 2012

politicos_deniac

"Se você repete uma mentira muitas vezes ela se torna uma verdade político"

 

De pé, no matinal ônibus cheio e diário, me deixo levar dali não por uma imaginação fértil, nem alguma técnica oriental de concentração, mas simplesmente por meus já sagrados headphones e as diversas músicas que se misturam a podcasts de noticiários dentro da memória flash do celular.

As melhores notícias falam de filmes do momento e os vinhos de nomes incompreensíveis que jamais tomarei. As piores sempre se referem à política e os deputados sanguessugas que sepultam a vontade de ser brasileiro.

Todos os dias, um novo escândalo nasce como uma mosca no lixo e de tão comuns, já não espantam. Na real, o próprio sistema se bem analisado, mesmo que corra tudo certo é injusto e revoltante: bons salários, regalias diversas e outros pontos que nos convidam ao regurgito (ah, não posso usar essa palavra porque você e o povo a desconhece e pareço pedante? Quando querem saber quem estuprou quem naquele programa, não buscam de imediato? Faça o mesmo!).

 

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lasercat

 

Gatos vocês sabem, são aqueles felinos felpudos que ronronam em seu ouvido quando nos deitamos na cama. Jedis (lê-se jedais) são personagens fictícios da série americana Star Wars. Nos dias loucos que se seguem, esses dois meus “amores” surgem unidos no lamaçal da cultura pop graças a cultura do remix. Desse modo, buscar gifs, vídeos e fotos de gatos e seus sabres laser Jedi são, nas horas vagas, um passatempo preferido.

 

 

 

 

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             write-drunk-edit-sober-deniac                                                                           

   "Escreva bêbado, edite sóbrio" - Ernest Hemingway

 

Quem diz que adora escrever mente. Escrever bem é difícil. Escrever bem é suar. É pensar da melhor maneira, de modo criativo e atraente, mesmo que seja a pior bobagem do mundo. Há pessoas que alardeiam por aí dizendo que “escrever é uma delícia”, como se fosse um simples ato onanista (ah, você também não sabe o que é onanismo? Agora punheta você sabe, né?).

Escrever é uma droga e dá um trabalho absurdo. Escrever faz suar a camisa e há de se treinar muito para ser o cão chupando manga. Escrever quase dói, tal qual como dizem ser um parto. Escrever é ato árduo e muita gente mente ao dizer o contrário.

Agora, bom mesmo é ver o que foi escrito. Bom mesmo é curtir seu textinho feito, flutuando na tela. Pois escrever de fato, é como um pai coruja na maternidade: seu rebento deu trabalho para nascer e é feio pá caralho, mas foi ele que fez e o exibe com muito amor e orgulho!

Drops do dia: pessoas, fé e cachorros na calçada

sexta-feira, março 09, 2012

deniac_denias_buchel

 

As pessoas são estúpidas. Facilmente aceitam personagens e embustes de personalidade. É só inventar, repetir comportamentos padrões, adicionando um pouco de verossimilhança e pronto, você pode ser o que quiser ser. Mas não é de todo ruim, é bom que aconteça.

Por vezes, é preciso camuflar-se do comum para não assustar. E nada é mais perigoso do que almas assombradas. Farão de tudo para manterem-se tranquilas. São como crianças envergonhadas cobrindo o colchão molhado de xixi, na esperança de ninguém perceber. Mas não tarda, nada pode ocultar isso, o “cheiro” será percebido!

 

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Há uma linha fina, quase invisível, entre loucura e adoração religiosa. A constatação foi empírica: sujeito com celular transformado em potente mini-sistema de som, reverberando dentro do ônibus.

Em pé, mão direita grudando o alto-falante no ouvido, enquanto a mão esquerda vibrava como um maestro nervoso. Ainda por cima, entoava alto uma canção mundana travestida de louvor com inspirações divinas.

Ao descer em seu ponto, foi alívio para o resto dos passageiros. Um deles, desabafou: “Não se pode converter a força, mesmo que a verdade dele seja a certa. Se alguma chama se ascendeu dentro do meu coração, essa foi a do ódio!”.

 

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Não queria ir para casa. Entrou no mercado, procurou coisas aleatoriamente, como se nas prateleiras houvesse algum produto que selaria as rachaduras internas da mente.

Saiu, claro, sem nada comprar, mas viu um cão de rua enorme sentado na calçado, com um profundo e vivo olhar. Era como se dissesse:

“Somos totalmente diferentes em desprezo. Penso assim por ter certeza de que, pelo menos, meia dúzia de seres lembram de seu nome todos os dias. Talvez uns gostem mais, outros menos, mas o fato é que estes pequenos conflitos te fazem um homem de verdade. Somos iguais apenas em solidão. Mas essa, caso queira, pode ser tão rápida quanto um bom espirro, meu rapaz!”.

 

Foto: Denis Buchel

 

+ http://500px.com/Denis_Buchel

Drops do dia: o sono, as ruas e os ônibus

quarta-feira, agosto 31, 2011

bud-gedoo-deniac

 

Sabe, é difícil acordar às 04:30 am com o céu ainda às escuras, a boca seca por uma apneia do sono mal curada e uma letargia mortífera que pesa as pálpebras com uma bigorna invisível. Mas é só lembrar do tempo que te trai a todo instante e das pequenas/muitas responsabilidades de uma vida adulta, que uma catapulta medieval mental projeta o corpo e seu vício por camas a uma distância que vai além do horizonte.

Em minutos, ganho as ruas iluminadas por postes cinzas e soturnos, ganho os céus cor de chumbo que hesita em trazer o sol ao seu trabalho habitual e ganho o asfalto molhado de orvalho de uma madrugada que passou rápida como uma infância repleta de alegrias e sabores.

 

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Andando, me auto-induzo a um estado de hipnose, tentando enganar meu cérebro, mentindo para ele que essa é uma situação satisfatória, feliz e típica daqueles que vencem a vida com bravura e um sorriso de esperteza no rosto.

Dou-lhe um placebo imaginário para os confins desconhecidos do seu subconsciente, forçando-o a aceitar uma vida feliz via a virtualidade dos bons pensamentos positivos.

 

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Durante o dia, cruzarei olhares com desconhecidos e conhecidos. Travarei relações determinadas não pelo meu gosto, mas pelas obrigações. Estas, determinadas outrora por minhas próprias escolhas, que só saberei que foram acertadas ou não quando perceber o final do processo.

Essas escolhas são nossos capatazes, mandando e desmandando nas nossas vidas. São os reais chefes, ditadores e senhores de punho forte. São o que uma grande maioria concebe ao mágico, chamando-o de destino.

 

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Entro no ônibus, lugar que passei segundos, minutos, horas, dias e anos viajando dentro de sua alma barulhenta e feita de lata. Lá, tomei decisões importantes, tive sonhos cheios de candura e consumi grande parte da minha pequena biblioteca de pocket books.

 

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Uma boa lembrança: na janela da última cadeira de um ônibus vazio, li a última frase de Neuromancer, de William Gibson. Ela me fez parir uma límpida lágrima solitária que nasceu para morrer no segundo seguinte neste mundo sujo e desalmado. Mas apesar da frivolidade do momento, percebi que ela era pura o suficiente para refletir as luzes da cidade. Por instantes, brilhou no meu rosto a promessa de que, apesar de tudo, a ternura ainda se faz necessária: ela é a semente de uma árvore grandiosa que só cresce quando a gente acredita.

 

 

Ilustração: "Bud", de Gedoo, artísta gráfico chinês.

Drops do dia: Menopausas, comida cara em pratos rasos e Woody Allen fazendo nas coxas.

terça-feira, dezembro 16, 2008


Sábia e pitoresca, a natureza ordenou às até então mulheres primitivas das cavernas que caso quisessem andar eretas e sob saltos gigantescos, uma única condição seria necessária: na 3ª idade, a menopausa surgiria para evitar uma competição reprodutiva entre as mais novas. Um “desperdício evolutivo”, dizem os cientistas. Mas não concordo. Conheço uns japoneses que vão contra esse padrão natural.



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Publicada nos principais jornais desse domingo (14/12/2008), uma pertinente crônica da Danuza Leão falava sobre restaurantes chiques com seus pratos parcos em quantidade, mas expansivos em seus preços. Ela sintetizou exatamente o que a grande maioria deve pensar em relação a ser um apreciador de uma boa culinária e que, no fundo, todos fingem achar normal tais preços. “Um camarão sozinho num prato: fala sério. Mas os restaurateurs, além de estarem fazendo muita gente de boba, devem estar bilionários, pois esse tipo de comida é caro. Aliás, caríssimo”.

Não largo meu cuzcuz com leite em pó por nada nesse mundo!



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Também adorei outra crônica dominical, mas essa é do Veríssimo. Foi sobre Woody Allen e seu mais recente filme, “Vicky Cristina Barcelona". Ele disse: “Dá para imaginar o Woody Allen escrevendo o roteiro em cima da coxa, no quarto do hotel, louco para voltar para casa. Há personagens que aparecem e desaparecem sem função ou explicação, e o Woody Allen poderia ter nos poupado, e ao seu currículo, o pai pintor do Javier Bardem, que não pinta mais porque há pouco amor no mundo".

Lembro que quando fui assistir, eu estava com uma dor de cabeça horrível, culpa do meu vicio infeliz por café. Estava na “bruxa”, nem uma gota da droga na mente. Achei que não tinha sacado algo, burrice devido a dor. Mas que nada, a parada foi ruim mesmo! Até então eu tinha ficado calado, sem dizer a ninguém que achei uma droga. Não ouso falar mal do Woody! Não mesmo! Deixo esse árduo trabalho para o Verissimo!

Drops do dia - Insônias de uma vida que escoa pelo ralo

segunda-feira, junho 26, 2006

26.06.2006

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Há muitos vazios numa noite de insônia. E neste caso em particular, nunca consigo produzir nada de realmente útil com essas inconstâncias. A utilidade tem que ser a prioridade número um na vida, mas a realidade quase nunca realizo. 

Ao final, sempre estou na superficialidade das coisas, jogando a vida fora. Consumo pornografia; Como pizza fria às 3hs da manhã; Tento começar a fazer uma música no software de loops. Mas nunca saindo do início. O medo de terminar tudo. De chegar a uma conclusão. Resolver os problemas, finalmente. Há algo que me empurra até a mediocridade.

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Tenho centenas de e-mails não lidos. Centenas mesmo. Acumulam-se por culpa da procrastinação. Entro em 785 comunidades no Orkut, em 25 listas de discussão do Yahoo Groups. Recebo boletins de sete rádios de notícias. Quem lê tanta notícia?

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Descobriram que o sucesso musical nada mais é que uma formula matemática. Construíram um software que aumentam as chances dos produtores fazerem hits de sucesso. 

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Encantado com uma câmera de segurança do ônibus coletivo, pus me a escrever. Aproveitei o engarrafamento para produzir um texto qualquer. O resultado foi que não construí uma única linha. Guardei o caderninho de anotações no bolso da frente da mochila, mas me esqueci de fechá-lo. Perdi/roubaram R$150,00 + todos os documentos + fotos ¾  +  minha moeda de 1 centavo da sorte. 

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Uma xícara de Coca-Cola não me deixa dormir. Ponho no Google: Coca-Cola “insônia”. Procuro respostas que façam sentido. Algo que me distraia e me faça aprender sobre isso. Nada encontro. Apenas estes blogs:


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