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Neil Gaiman, como Charles Dickens

quarta-feira, janeiro 08, 2014

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Na tarde do dia 14 de dezembro de 2013, o celebrado autor Neil Gaiman caracterizou-se como outro imortal, Charles Dickens, para recitar o conto “A Christmas Carol”.

Ao lado de Molly Oldfield, autora de “The Secret Museum”, a leitura transcorreu por cerca de 86 minutos.

A ação foi promovida pela New York Public Library, que disponibilizou as fotos e o áudio do evento.

Ouça:

           

Sobre cabeças de cogumelos e vibradores

quarta-feira, dezembro 04, 2013

Pênis Cabeçudo

Só hoje fui ler a interessante reportagem do Reinaldo José Lopes, da Ilustríssima,  sobre os livros do americano Jesse Bering e do britânico John Maynard Smith, que trouxeram ao público, descobertas significantes no campo sexual.
Um trecho:
“…Porque a glande tem esse curioso formato de cogumelo?  Durante a pré-história da nossa espécie, quando camisinhas eram item inexistente, estava armado o cenário para uma competição de espermatozoides entre os moços - a não ser que a glande em forma de cogumelo do segundo parceiro servisse como uma espécie de vassoura, armazenando debaixo de si o sêmen do rival e puxando-o para fora da vagina durante o coito”.
Boquiaberto? Eu também, parceiro. Mas você não viu nada. Leia o restante do artigo:

O difícil e fascinante ofício de editor de livros

quinta-feira, outubro 03, 2013

 

Estes slides fazem parte de uma palestra que o Carlos Carrenho, editor do PublishNews, apresentou no Instituto de Letras da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), no dia 02/10/2013.

Ele mostra a gradativa perda de poder do editor, assim como o surgimento da ruptura tecnológica na indústria editorial.

Interessante conhecer os (muitos) desafios e as (des) vantagens do ofício de editor de livros.

A revista “Contigo” do mundo literário

quarta-feira, março 27, 2013

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O Livros e Afins publicou essa verdadeira pérola da imagem: o poeta Manuel Bandeira posando despojadamente ao lado de um garoto jornaleiro. Segundo o blog, a foto faz parte de uma das clássicas publicações do Jornal de Letras.

Este informativo pitoresco que rodou de 1949 até 1993, era basicamente “um pouco de revista de fofoca dos artistas, mostrando cenas do dia-a-dia da cidade (Rio), rotina de lanches na Academia Brasileira de Letras, opiniões, picuinhas, publicidade relacionada.”

Sensacional saber que existiu uma época em que, ser um artista famoso, estava ligado intensamente ao pensamento intelectual, a inteligência, ao talento nato.

Bem diferente dos tempos que seguem...





Como nasce um livro?

quarta-feira, fevereiro 27, 2013

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O autor paulistano Reinaldo Moraes lê trechos de Confissões de um Jovem Romancista, mais recente trabalho de Umberto Eco, no qual dá evidências de como nascem as ideias de um romance.

Detalhe especial que me chamou a atenção, é o cafofo do Reinaldo, um banheiro diminuto transformado em escritório. Lugares escondidos e apertados como esses, também me inspiram à escrita.

Não sei qual o motivo, mas gosto de pensar que são saudades inconscientes do útero materno.

Enfim. Assista:


                




Selos comemorativos do 200º aniversário de lançamento de “Orgulho e Preconceito”

quinta-feira, fevereiro 21, 2013

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Aos fãs de Jane Austen, uma oportunidade única: uma bela coleção com ilustrações dos principais livros da autora britânica. Só há um adendo: apesar de serem feitos para serem colados em cartas, duvido que alguém o faça.

Ilustrados pela artista especialista em histórias infantis, Angela Barrett, os selos começaram a ser vendidos hoje, através Royal Mail da Inglaterra, e podem ser comprados aqui:

http://shop.royalmail.com/jane-austen/jane-austen-stamp-set/invt/sku0007010/

Quando uma pedra te faz escrever

terça-feira, fevereiro 19, 2013

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                                                             Clique e amplie a imagem


Certa vez, recebi uma lata de cerveja congelada, bem no meio da testa. Vi um grande clarão, seguido de uma dor inimaginável. O fato não me levou para os caminhos tortuosos da escrita, mas assim como este texto da Karen, foi o tal divisor de águas da minha vida: AL/DL!



Capa do novo livro (infantil) de Neil Gaiman

quinta-feira, fevereiro 14, 2013

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Ilustrada pelo talentoso e fantasioso Skottie Young, a edição estadunidense ainda não foi às lojas. Mr Gaiman anda muito ocupado com outros projetos, mas promete lançar provavelmente em setembro.

Quem é fã e pretende fazer uma pequena coleção de sua obra de livros infantis, a ordem é essa:




Fortunately, the Milk.

Alan Moore para as massas


Para ler, clique na imagem com o botão direito em “Abrir link em uma nova guia”.
 

 

Correio da Bahia, 14.02.2013 – Reportagem de Doris Miranda.

Tchékhov na estante

segunda-feira, novembro 26, 2012

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Tchékhov estava quieto em uma prateleira empoeira de um sebo. Comprei-o pela bagatela de R$ 2.00 e sabia que ali naquelas páginas amareladas pelo tempo dormiam histórias do âmago humano loucas para serem lidas novamente.

Como se sabe, livros usados carregam consigo fragmentos de seus antigos donos e, diante dos meus olhos, estava um volumei lido nos 70, ficando adormecido em uma estante qualquer. Dentro dele encontrei um bilhete frívolo, um cartão de um restaurante morto e uma nota de 10 cruzeiros.


Mas o que importa mesmo são contos, ainda vivos, ainda atuais, que se dão pela proximidade das relações pessoais. Há inveja, há loucura, há amor. E esse último item, em especial, é o melhor representado pela habilidade única de Anton Tchékhov de fazer brotar o interesse do leitor em situações cotidianas que aparentemente nada teriam de importantes.   


Enfim, enredos que somente gênios podem produzir e nos fazer sonhar.

 

Do códice ao tablet

quinta-feira, julho 12, 2012

 

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Leitura. Livro. E-book. Tablet. Nos tempos que correm, uma das mais antigas técnicas humanas passa por uma transformação sem igual, fazendo-nos ser espectadores de uma revolução sem precedentes, nos deixando à deriva, com mais dúvidas que certezas.

O documentário “Transcrever” pretende direcionar e refletir sobre essa convergência de linguagens, formatos e plataformas. No site do projeto, a discussão se amplia e tenta nos dar um parâmetro para um mundo novo que ainda se molda e que não tem previsão de se definir.

 

Assista ao teaser:

 

 

 

 

 

Jack London, O Chamado Selvagem e a linguagem das coincidências.

domingo, maio 23, 2010

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É sempre um êxtase terminar um livro de Jack London. É sempre amargo deixar suas páginas, consumidas sempre com muito alvoroço e uma voracidade animal. Amar Jack London e seus escritos é normal para aqueles que consideram suas palavras como pequenas, mas afiadas facas de contar histórias vivas e dilacerantes, que só mesmo uma mente genial poderia parir.

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Este é o caso de “O Chamado Selvagem” (The Call of The Wild), livro que adquiri nas minhas incursões poeirentas pelos saborosos sebos de São Paulo, amontoados de bons clássicos que cheiram a velhice e passado, que me levaram à lugares distantes, para ambientes de um tempo que não existe mais, com odores que me parecem mais chocolates meio amargos de boa qualidade. Boas viagens só possíveis através da mente. E todos (Oh meu Deus!) esses belos livros tem preços comicamente, absurdamente, vulgarmente baratos!

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A edição que adquiri, por exemplo, foi comprada por meros R$ 2,00! E ela não possuía data de edição, mas pela conservação e “amarelamento” de suas páginas, presumo que seja dos anos 70. Por esta obtenção, me sinto agraciado, pois essa jóia rara teve a tradução feita por ninguém menos que Clarice Lispector! E que tradução, diga-se de passagem! Só mesmo uma outra mente genial para traduzir coerentemente o visceral texto de London!

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Mas, falar do “Chamado Selvagem” é apenas a ponta do iceberg que são algumas boas coincidências, alguns acontecimentos em nossas vidas que se elevam ao patamar do inexplicável. E ler este pequeno livro, esta breve narração da vida de um cão em busca de sua própria verdade, teve uma importância levemente mística para mim. Tudo porque percebi que fatos e pessoas que cruzamos em nossos enredos pessoais, podem parecer vãs, ignóbeis e sem valor. E como o produtor J.J Abrams bem sabe, isso é só aparente.

Somente com o tempo percebemos que mesmo um rosto de um desconhecido que cruzamos na multidão de uma calçada de uma grande metrópole, que um livro que observamos alguém lendo no ônibus, que presenciar um atropelamento ou mesmo ver um velho escarrar no chão, pode sim, ser algo significante a ponto de mudar o curso da sua história de vida. Ou somente um ponto do tempo conectado a outro. Sim, acredito que tudo seja interligada de certo modo. Tudo se interliga!

Em minhas memórias infantis, que percorreram todo os anos 80, vivi metade dela no mundo real, nas ruas sujas, nos quintais de terra. A outra metade, passei lendo gibis, cutucando formigueiros e assistindo televisão. Posso dizer então que pelo menos 50% dessas memórias são virtuais, frutos de “aventuras na imaginação” e de horas em frente da “ama-de-leite-de-raios-catódicos-e-pixels”, absorvendo com afinco toda a sua “cultura pop de massa”, assim como uma esponja seca e limpa jogada em uma poça de lama.

Como a bola de linha de costura, usado por Teseu no Labirinto do Minotauro, marquei a passagem do tempo através de programas de auditório, das novelas, dos desenhos animados, das propagandas, dos humorísticos, em uma tentativa de não me perder, ou de perder os momentos e detalhes interessantes da minha história. Por estes “atalhos de pixels”, firmei minhas vivências e memórias, associando tudo o que acontecia a minha volta a esses sonhos que as antenas de poucos elementos captam no ar.

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Uma dessas memórias está em um episódio da série de animação Peanuts (No Brasil conhecido como ‘A turma do Charlie Brown ou simplesmente ‘Snoopy’) que marcou como ferro em brasa os recônditos da minha mente. Neste, o cachorro sonha que é levado para um lugar distante e gelado, além do conforto de sua casa e de suas regalias. Lá, é atado a um trenó de carga, forçado a conviver com cães selvagens e brutais. Leva inúmeras chicotadas por sua moleza. É mordido por seus rivais. Aprende a comer de tudo, aprende a brigar por comida e torna-se um líder raivoso.

Enfim, volta a sua natureza real e selvagem. Desperta para um mundo que o conforto tinha lhe cegado. Renasce em espírito em meio ao caos e a injustiça da vida dos animais de carga.

Mesmo sendo um desenho infantil, cheio de pequenas graças que nos fazem rir, eu sempre ficava estático frente à tv todas as vezes que esse episódio era repetido. A violência contida nele era algo profundo, algo que me hipnotizava e que minha mente de criança não tinha palavras e adjetivos para descrever.

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Era como uma energia que me levava para um lugar longe do mundo. Era como um portal para algum ponto do universo incompreensível. E como eu disse, precisei crescer em idade para compreender que o que via era somente uma janela para o futuro de minha própria existência. Nos momentos de reprise, minha alma de criança visitava meu futuro de adulto.

Lendo “O Chamado Selvagem”, a sensação de deja-vu surgiu. A lembrança de “What a nightmare, Charlie Brown!”, veio à tona. A história já não era nenhuma novidade. A surpresa do tempo, a peraltice do destino, o outro lado do portal temporal. Agora eu era o futuro olhando nos olhos do meu passado. Agora eu compreendia.

A pergunta é: Por qual razão o desenho me chamava a atenção? Por que anos mais tarde, entre milhares de livros em uma estante velha, escolho justamente esse, sem nem saber do que se tratava?

Os acontecimentos, as situações, as pessoas. Perceba, tudo que está dentro do universo, tudo o que existe diante dos nossos olhos, neles há uma estranha linguagem que se manifesta.

A revista “Personare” sinaliza e explica de maneira acertada tudo o que eu, até o momento tentei confusamente explicar:

“Aquilo que consideramos aleatório, representa nossa incompreensão diante dessa linguagem tão ampla. Ao estar mais atento à sua vida, a essas coincidências e sinais, é possivel utilizar esses conhecimentos para viver de maneira mais leve, fluida e harmoniosa. O universo sinaliza de diversas maneiras o fluxo de nossa vida. Alguns sinais são mais visíveis e perceptíveis, outros mais sutis e mais difíceis de serem captados”.

A mágica de estar vivo vai além do óbvio. Vai além de uma compreensão simplória de tudo ao nosso redor. E sinceramente, sempre acreditei que ser evidente é ser pobre de espírito. Cultivo assim, o olhar além do olhar.

E como a própria Clarice Lispector, escritora/tradutora formidável dessa obra que acabo de ler diz:

“Para além da orelha existe um som, à extremidade do olhar, um aspecto, às pontas dos dedos um objeto – e é para lá que eu vou. À ponta do lápis o traço. Onde expira um pensamento está uma idéia, ao derradeiro hálito de alegria uma outra alegria, à ponta da espada a magia - é para lá que eu vou !”.

O que recomendo? Leia o livro, aguce seus sentidos e vá para onde o obviedade não existe. Pois é justamente para lá que eu vou!

Assista “What a nightmare, Charlie Brown!”:

 

O silêncio dos livros.

sábado, dezembro 12, 2009

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O silêncio é algo inerente aos objetos. Claro, sem vida não há movimento. E sem movimento não há atrito. E sem atrito não há som. E nem ao menos como o vento, os objetos são. Uma solidão permanente e calada.

O livro, em específico, é o charme da solidão. Junto à esse isolamento tão sexy, há o silêncio necessário das letras impressas. A relação quase “simbiótica” entre humano e livro, que só é completa quando há o silêncio. A leitura é como se fosse um micro orgasmo da relação entre mente, livro e o silêncio.

Alguém, em algum lugar do mundo, percebeu que a solidão é necessária. Essa pessoa é Hugo Miguel Costa, um livreiro português, de Portimão (que também mantém o Café dos Loucos). O patrício descobriu que, ao menos na companhia culta e prazerosa da multidão ‘orgiástica’ de uma boa biblioteca, o silêncio dos livros é algo à ser contemplado!

 http://www.osilenciodoslivros.blogspot.com/

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Dia D, de Drummond

segunda-feira, setembro 21, 2009

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Penetre surdamente no reino das palavras, pois é nele que se encontra a vida e a obra de um dos maiores poetas da língua portuguesa. Vá e seja bem-vindo ao póstumo templo virtual erguido em nome do imortal poeta Carlos Drummond de Andrade, aquele que libertou o verso de suas amarras, mas cujo maior talento era a humildade diante do próprio.



O Leitor



Não é uma resenha, pois há muitas por aí, repetindo-se como um eco eterno pelas conexões da grande rede. Não é um comentário analítico, pois não tenho o interesse de masturbar-me intelectualmente e de forma pública. É apenas o que achei mais digno a contribuir com o conhecimento do resto do planeta. Por isso, penso que:

- Cada livro é um micro-universo.

- Cada livro é uma micro-vida.

- Cada livro é uma simulação de algo que você talvez nunca vá viver.

- É um caminho solitário para aventuras silenciosas.

- Um mergulho profundo dentro de nossas vozes inconscientes.

- Uma licença temporária para viajarmos por sonhos lúcidos.

Então, é realmente uma tristeza quem está privado dos livros e seu código primário: a leitura. Seja por deficiência ou ignorância, é uma porta a menos para fugas necessárias. Uma forma de estar vivo e morto ao mesmo tempo. Ou um nutriente a menos para fortificarmos nossa invisível sabedoria.

Assim sendo, não ler seria, como a osteoporose do espírito.




Seis livros para Daniele

sexta-feira, julho 03, 2009


Nanny me pediu algumas dicas de livros para ela ler nas férias (acho). Claro que poderia simplesmente mandar uma lista de tudo que li e gostei de coração por e-mail, de forma rápida, sem delongas. Mas quando se fala em livros (no caso, meus livros), acho justo compartilhar do meu gosto com amigos e outros anônimos. Talvez uma ou duas das poucas pessoas que aqui visitam, podem ter interesse nessa pequena lista, catalogada por ordem de importância. Minha humilde e pessoal importância que deposito ao que meus olhos consomem e consideram "bom". Enfim, tome lá:


6 º "Miso Soup": Ryu Murakami




Kenji é um guia de turismo sexual em Tóquio. Saca os melhores bares de strip, clubes de sadomasoquismo e lingerie. Sabe onde está cada canto sujo da cidade. Apesar de viver num mundo promiscuo, ele é fiel a sua namorada, Jun. E Jun é a antítese do mundo podre e degradado de Kenji. Uma flor de Sakura delicada que o limpa da discordia. Um dia, ele conhece o estranho turista americano, Frank, que o contrata como guia. Mas Kenji percebe que o americano veio ao Japão com interesses que vão além do turismo sexual: Frank quer experimentar o prazer... de ceifar vidas!

Murakami nos mostra o verdadeiro e decrépito Japão de hoje: o esquecimento das antigas tradições dão lugar ao consumo, ao prazer sexual e a solidão.

Trecho: "A maioria as prostitutas japonesas vende o corpo não pelo dinheiro, mas para escapar da solidaão".



5º "Non-Stop": Martha Medeiros



Non-Stop não é apenas uma coletânea de crônicas sobre temas variados do relacionamento humano. É um guia do cotidiano moderno indispensável para guardar na estante e no coração. Amor, sexo, família, preconceitos, rótulos, pais, filhos, vida. Para os de dura cerviz, talvez seja nada mais que um livreco de auto-ajuda disfarçado de moderninho. Como eu disse, isso é opinião dos de dura cerviz. São apenas conselhos sinceros que te levam a rir o quanto puder, assim como chorar o quanto puder. Serve quando um ombro amigo não está por perto!

Trecho: "O prazer não está em ler uma revista, mas na sensação de estar aprendendo algo. Não está em ver o filme que ganhou o Oscar, mas na emoção que ele pode lhe trazer. Não está em faturar uma garota, mas no encontro das almas".



4º "A hora dos assassinos": Henry Miller



Henry Miller dispensa comentários. Aqui temos o encontro de dois mestres que vivem em meu subconsciente desde sempre. Acredito que autores não nos conquistam com suas palavras e historias. Essas palavras e histórias já nascem conosco, já começam a ter simbiose com nosso corpo na escuridão no útero. Quando li Rimbaud, eu me vi em suas palavras. Assim se deu com Miller. Nessa obra, o autor de "Sexus", "Nexus" "Plexus" nos conta a vida de Rimbaud através de sua verborragia linda tão peculiar.

Miller tem o entusiasmo na escrita que muito me influenciou. Enfim, nada como ler um maldito falando de outro.

Trecho: "O mundo detesta a originalidade; ama o conformismo, só quer escravos e mais escravos. O lugar do gênio é na sarjeta, cavando valas, ou nas minas ou pedreiras, uma toca qualquer onde seus talentos não sejam utilizados. Um gênio à procura de emprego: eis aí umas das visões mais tristes desse mundo!".



3º "A praga Escarlate": Jack London



Imagine um futuro onde uma praga dizima toda a humanidade deixando apenas uns poucos sobreviventes. Nesse futuro, garotos tem colares de ossos no pescoço e brincos gigantescos nas orelhas. A cultura entra em colapso e qualquer tipo de linguagem mais rebuscada é tida como uma engraçada forma de se expressar. Parece com algo que você conhece? Pois saiba que o profeta Jack London viu nosso atual presente em 1912 e estava "milimetricamente" certo!

Trecho: "Uns lutam, outros governam, há os que rezam. E todo o resto trabalha duro e padece terrivelmente enquanto, sobre seus corpos sangrentos, erigem-se de novo, e para sempre, a beleza arrebatadora e o fascínio incomparável da organização civilizada. Tanto faz se eu destruir todos os livros guardados na caverna... Ficando ou desaparecendo, todas aquelas verdades serão descobertas; todas as mentiras, vividas e passadas adiante. Qual a vantagem..."



2º "Bonequinha de Luxo": Truman Capote (edição Companhia das Letras)



Se há algo que não entendo hoje em dia é o fato de muitas garotas terem a imagem de Amelie Poulain estampadas em suas camisetas. Amelie não combina de forma alguma com a vida dessas moças da noite (no bom sentido é claro) que se perdem em festas intermináveis dentro de clubes. 

Eu sempre vejo tristeza nesses lugares! Mesma com minha música preferida explodindo nas caixas de som! Sempre achei o glamour uma coisa vazia, algo derivado de uma solidão iminente. E Holly Golightly (no rosto de Audrey Hepburn) deveria estampar-se no peito dessas garotas. A sexy e divertida solidão de Holly Golightly...

Trecho: "Todo dia é feriado para a senhorita Holly Golightly!".



1º "Eu Receberia As Piores Noticias Dos Seus Lindos
Lábios": Marçal Aquino



Assim como o personagem Cauby eu "nunca acreditei no diabo, apenas em pessoas seduzidas pelo mal". Marçal Aquino é o verdadeiro homem com uma dor no coração. E ele é bem mais elegante! Indispensável!

Trecho: "Ela congelou o gesto de colocar as fotos no envelope, virou o rosto e me estudou, como se avaliasse se eu tinha mérito suficiente para receber o que pedia. Sustentar aquele olhar escuro foi uma experiência difícil. Fez com que eu me sentisse desamparado. Fiquei com a impressão de estar sendo visto de verdade pela primeria vez na vida. E também de estar vendo algo que o mundo não tinha me mostrado até então.

De acordo com o professor Schianberg, não é possível determinar o momento exato em que uma pessoa se apaixona. Se fosse, ele afirma, bastaria um termômetro para comprovar sua teoria de que, nesse instante, a temperatura corporal se eleva vários graus. Uma febre, nossa única seqüela divina. Schianberg diz mais: ao se apaixonar, um 'homem de sangue quente' experimenta o desamparo de sentir-se vulnerável. Ele não caçou; foi caçado."







Os proto-blogs de Julio Cortázar

quarta-feira, novembro 19, 2008






Perambulo pelo shopping. Ânsia de ter. Comprar objetos com felicidade embutida. Tecnologias modernas que te conecta ao mundo. Não há dinheiro. Ou dinheiro insuficiente para luxos high-tech. Entro na livraria.

Dedos abrem e fecham diversos livros. Olhos consomem palavras rapidamente. Frases aleatórias pulam das páginas. Penso em dinheiro fácil, em sucesso na carreira, em ter seguidores (no mundo moderno você tem seguidores, não amigos), layouts de blogs, podcasts que tenho que ouvir, fotos engraçadas para fotolog. Preocupações medíocres.

Amiga invisível de longas datas, essa minha mediocridade. Tantas coisas mais urgentes na vida e a maturidade clamando por bobagens que dão apenas prazer. Para uns há retorno financeiro. Mas ainda não saquei como isso ocorre. Vida real, idem na vida virtual: lagartixa nunca chega a jacaré!

Bom, não importa. Encontrei Julio Cortazar e seus textos-drops inspiradores. Os dois livrinhos, capa cinza quase prateado, figuras entre os textos. Os dois. Ambos "cheios de memórias, artigos, poemas, contos curtos, ensaios, recortes de notícias..." Argentino bacana, descrito por Llosa como um escritor cheio do "impudor adolescente". Sob as luzes amarelas do lugar e do frio artificial de ar processado, eu me encantei. Preciso aprender com Julio, pois como ele "escrevo por incapacidade, por descolocação".

O vendedor se aproxima e pergunta se preciso de ajuda. "Ajuda" aqui pode ser interpretada como "vai levar ou não vai porra?" Respondo: "Por enquanto só olhando... Mas mês que vem eu compro."

Ah Julio, se tu soubesse o quanto essa internet fode minh´alma!
Se tu soubesse que só vou te conhecer melhor com a ajuda do meu 13º!



Leia mais aqui.




Felicidade de Papel

sexta-feira, setembro 21, 2007


Tenho certeza que o tempo frio, aliado a leituras agradáveis, fazem muito bem para almas inquietas. 

Aqui, no casulo do quarto, há deleite com um universo em que poucos conseguem compreender: a calma feliz e solitária de livros-amigos que são como a extensão de minha própria personalidade. 

Eu e eles, na profunda calma da noite chuvosa, ouvindo a água escorrendo pelas ruas, como uma multidão de risadas de programas de auditório.


Na província, com Capote

quarta-feira, outubro 11, 2006



Na província, o tempo passa doendo na carne. Aqui aprendo a cultivar um ódio por ela, por sua gente, por seu modo infeliz e mal educado de ser. Pessoas que cultivam mediocridade em seus passinhos tontos.

Um pensamento mau e mesquinho, mas é meu lado diabólico falando. Mas não estou sozinho. Lendo Capote, percebo porque me identifico tanto com sua prosa, me vendo em suas frases, em seus pensamentos sobre o mundo. Uma das poucas cabeças em que gostaria de estar no lugar. 

"Até a pessoa atingir uma certa idade, o interior é maçante; de todo modo, não gosto da natureza em geral, e sim em particulares. De todo modo, a não ser que o sujeito esteja apaixonado, satisfeito, movido pela ambição, desprovido de curiosidade ou reconciliado (o que parece servir como sinônimo moderno de felicidade), a cidade é que nem uma máquina monumental incansável, projetada para a perda de tempo e das ilusões."

Só em estar fora, vez ou outra, dessa minha província, longe dela, no centro da balburdia de todos os movimentos que se misturam ( sejam carros, pessoas, tudo o que pulsa aqui), é um alivio ao coração. 

Capote continua:

"Após algum tempo, a busca e a exploração podem se tornar sinistramente apressadas, a transpirar ansiedade, numa corrida de obstáculos de Benzedrine e Nembutal. Onde está o que você procura? E, por falar nisso, o que você está procurando?"

Perco-me olhando pela janela. Perco-me nesse horizonte que vejo ao longe. As luzes ao longe... Dão-me esperança e tristeza. Mais tristezas, na verdade.


Eu tento me esquecer dos dias melhores. Ser feliz com o que tenho. Mas eles são mais fortes. Tudo que é ruim é bem mais forte. Alguns bons e simples momentos, ainda guardo comigo. Momentos que, separados por anos e distâncias geométricas, Capote também sentiu. E mais uma vez, escreveu o que eu queria ter escrito:

"Nas profundezas, o metrô ferve; na superfície, o néon retalha a noite, e mesmo assim ouço um galo cantar".

Eu também ouvi um galo cantar, Capote. Bem no meio do concreto branco, no centro da cidade de Salvador. Juro que ouvi. 



  
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Os cães ladram - Pessoas e lugares privados


Coleção: L&PM POCKET
Autor: CAPOTE, TRUMAN
Tradutor: NOGUEIRA, CELSO
Editora: L&PM EDITORES





A arte de amar de Ovídio

sexta-feira, outubro 06, 2006



"É para os pobres que eu componho esse poema, porque, pobre, eu amei; quando eu não não podia dar presentes, dava belas palavras."

Por R$10,00, você pode preencher o espírito. 

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