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Ok, não são todos. Mas digamos que uma “boa maioria”.
Grande sacada do Allan Sieber
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Ok, não são todos. Mas digamos que uma “boa maioria”.
Grande sacada do Allan Sieber
Não costumo, aqui neste blog, comentar sobre o que não tive completo acesso. Sempre tenho o cuidado de ler, ver e sentir na pele os “produtos” que experimento na tentativa de passar aos meus amigos, o meu olhar sobre algo.
Não é o caso desta HQ, “Tetralogia Monstro”, um lançamento da Nemo (um dos selos da Autêntica), escrita pelo iugoslavo Enki Bilal, que “me pegou pelos chifres” já na primeira página de degustação, disponibilizado pela editora, e que você pode dar uma bisbilhotada logo abaixo.
Qualquer manual defende a ideia de que, o pretenso profissional de escrita, deve despertar o interesse do leitor nas primeiras linhas de uma narrativa. Não vou nem me ater ao traço fantástico de Enki ou sua intrigante ficção futurista, mas a apropriação feita pelo artista da célebre frase do poeta (também) iugoslavo Abdulah Sidran, definindo logo de início o desenrolar da trama:
"De manhã, ao emergir dos meus sonhos, sou o mais feliz dos anjos. (...) Deito-me à noite, um verdadeiro filho da puta.”
Qual o pobre assalariado cheio de broncas para enfrentar na vida e que se perde nas mais loucas ficções em casa para aliviar as tensões do dia, não vai gostar de uma obra que começa com uma verdade tão absoluta?
Enfim, meus caros, que compartilham as mesmas dores e delícias desta correria que chamamos viver, “Tetralogia Monstro” é um beco escuro que acredito valer a pena se perder.
Se você acha que todos os grandes escritores viveram apenas de suas prosas, está muito enganado. Ralar em trabalhos maçantes foi, por alguns anos, a sina de alguns gênios que marcaram eternamente a literatura mundial. O talentoso cartunista estadunidense Grant Snider, mostra em sua tira “Day Jobs of The Poets”, o que eles faziam para sobreviver antes de serem imortais.
Memento Mori. Saiba que vai morrer. Lembre-se de que você é mortal. Lembre-se da morte. Memento Mori: devíamos tatuar no braço. Devíamos aceitar, relaxar, aproveitar, viver. Esses ensinamentos estão por toda parte em Daytripper, pérola rara dos quadrinhos modernos criada pelos irmãos Fábio Moon e Gabriel Bá.
A história é sobre Brás, escritor de obituários e os diferentes momentos de sua vida. Rendeu aos gêmeos os prêmios Eisner e Eagle, além de ter sido indicada ao Harvey e ao Shel Dorf Awards, ficando duas semanas na lista de coletâneas em quadrinhos mais vendidas do The New York Times. É a HQ brasileira de maior sucesso que já se viu no exterior. Também, pudera, um conto que começa nas águas do Rio Vermelho só daria em boa coisa.
Demorei de ler porque sentia que não era a hora. Sabia misteriosamente que não devia tocá-lo antes do tempo. Mas no momento certo, na hora certa, o livro foi lido e acolhido pelo coração. Foi água fresca em garganta seca. Foi resposta divina caridosa para crente penitente. Foi melancolia afogada em alegria. Quase o sentido da vida para ateus convictos.
Ao fim da leitura, a sensação é de um estranho estado mórbido-positivo, com a certeza que tudo pode dar certo, mas sabendo que, uma hora ou outra, o tudo será nada. Ironicamente, é isso que deve impulsionar nossa experiência, sempre sem medo ou receios, pulando de cabeça na vida que pulsa bem diante dos nossos olhos.
Daytriper é um aviso, uma forma doce e melancólica de nunca deixarmos de acreditar em nossos sonhos.
Por isso corra para a vida, sempre há tempo!
+ http://web.hotsitepanini.com.br/vertigo/fabio-moon-e-gabriel-ba/
De Minas Gerais (mais precisamente das cabeças de Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garro), a sensacional ideia de transformar letras de músicas (mesmo as mais bobas) em estilosos quadrinhos.
+ http://www.quadrinhosrasos.com
Entrevista para a Revista Fraude: http://www.revistafraude.com/?p=1355
Gosto de ler meus livros na cama. É um vício bom, agradável, que me conduz ao relaxamento. Limpa as ideias antes de cair no sono, até me esquecer de tudo. Leio de modo sereno, no silêncio da noite, absorvendo detalhes e palavras, criando imagens na tela da mente. É como um boi que mastiga e rumina o capim bem devagar, na tentativa de sugar todos os nutrientes possíveis.
O resultado imediato desse “método” é que a obra vai direto para o coração. De lá, junta-se ao sangue, percorre todo o corpo. Deixa pelo caminho trechos da história lida e não demora muito para misturar-se à alma. Eterniza-se nos confins inconscientes, a ponto de confundir as minhas e as memórias lidas. Assim, autor e personagens passam a ser íntimos, em uma estranha simbiose que é difícil de descrever.
Por isso, o quadrinista Caeto, através do seu “Memória de Elefante” (Quadrinhos na Cia., 2010), tornou-se um amigo próximo; compartilhamos juntos algumas garotas, a vida noturna paulistana, a falta de grana, os empregos medíocres, as dormidas em espeluncas fétidas, além de criar um cachorro louco (mas amigo) e ver um pai sendo pouco a pouco ser desconfigurado pelo vírus HIV.
Caeto dividiu comigo e com o resto dos leitores, momentos delicados/particulares da sua vida e de sua família. Desnudou-se por completo, como se tudo o que viveu fosse um abismo no qual se joga sem medo e pudores.
Escreve/desenha com vontade, transformando sua vivência em arte de ler, ver e sentir. Como uma espécie Charles Bukowski das HQ´s, é ríspido no traço, mas a poesia é latente e impossível de não ser vista por olhos mais sensíveis.
Saiba que, se um dia você for ler “Memória de Elefante”, terá nas mãos mais do que um calhamaço de papel, mais do que páginas impressas, mais do um grande livro de capa dura que pesa um pouco na mochila.
Você terá nas suas mãos nada menos que o peso da vida de Caeto, um cara real que enfrenta seus monstros com a sua melhor habilidade: a arte de contar histórias em quadrinhos de modo visceral e sincero, as melhores “tintas” para um artista transformar significativamente sua própria vida.
p.s: na última sexta (07/10), eu e Jéssica participamos na Livraria Cultura (Teatro Eva Herz) do Bate-Papo "Quadrinhos Biográficos", com Caeto, Toni Rodrigues e Laudo Ferreira. Lá, aproveitamos o ensejo e praticamos a milenar arte da tietagem.
...Pode ser resolvido de diversas maneiras!
Uma assustadora tira do polaco http://eldahast.deviantart.com/
Tchutchuco. Cutecute. Chaninho. Uma fofura!
Todos os nomes com quilos de dengos carinhosos são quase impossíveis de serem catalogados quando o assunto é gatos e o amor de alguns humanos devotos a eles.
Quem permite que bichanos felpudos entrem em sua vida, sabe o quanto é prazeroso ter a companhia dessas criaturas cheias de indolência e charme.
Criar gatos, é uma divertida e estranha experiência, já que eles possuem hábitos distintos, bem diferentes dos cães, nos quais humanos sem sensibilidade, se pegam para fazer comparações esdrúxulas, chegando a tacha-los injustamente de frios e calculistas.
Guardado os devidos preconceitos, essas verdadeiras “decorações vivas” de um lar, tem uma energia especial, uma intimidade singular com seus donos, que com seu modo silencioso e discreto, demonstram sempre muito carinho e afeto por aqueles que os amam.
A cartunista Yasmine, vive com “três gatos, um cachorro e um marido”. Seu amor por estes bichos é tão grande, que ela acabou criando um webcomic maravilho, intitulado Cats vs Human.
Como vocês devem ter percebido, as tirinhas são super engraçadas, certamente inspiradas em seu dia a dia. Quem cria gatos, já viveu todas essas situações. Muitas delas são divertidas, mas também há aquela bagunça típica feita por eles, algo que a artista não escondeu.
Uma definição perfeita para Yasmine e seu blog está em um dos comentários, por sinal anônimo: “É como se Shakespeare decidisse fazer tirinhas sobre gatos. Alguém poderia mandar para ela um milhão de dólares”.
Sim, ela merece!
Como pode uma Mulher-Gato, de arrancar suspiros dos marmanjos tal qual essa...
...sair da mente de um gordinho-nerd como esse?
Ah, sorte a dele, que pode sonhar, dar vida e ainda ganhar uma grana, desenhando gracinhas de uniforme! Grande Adam Hughes, transformando heroínas velhacas em pin ups super sexys desde 1967!
P.S: inspirando-se na Audrey Hepburn, a coisa fica fácil!
Meus 32 anos batem à porta, os primeiros cabelos brancos surgem e as responsabilidades da vida adulta se amontoam. Mas nada, absolutamente nada dessas peculiaridades do viver AINDA (e se Deus quiser nunca) me fizeram esquecer ou me impedir de viajar nas águas doces e envolventes da narrativa em quadrinhos.
Nesse mundo em que imagem e leitura se complementam, posso dizer categoricamente que adquiri meu repertório cultural e até mesmo o meu caráter (sim, mesmo este sendo duvidoso), nesta inesgotável fonte de fantasias contidas em quadradinhos e balões de palavras.
E na eterna “randomicidade” da web, conheci hoje, entre o pós-banho e a pré-janta, a história “Mister Bookseller", obra dos croatas Darko Macan e Tihomir Celanovic, que fala sobre um livreiro dono de uma loja em que todos os livros do mundo estão presentes. Todos menos um.
E é neste “menos um” que se concentra a força de atração desta fábula moderna, que exalta o amor pelos tesouros sem preço adquiridos na infância e a angústia de perdê-los nas transições de nossa existência.
Para os adoradores de HQ´s, um achado. Para os mais sensíveis, um momento de reencontro com a própria infância.
Leia. É de graça!
Onde?
Aqui, uma versão traduzida do croata para o inglês.
Aqui, uma versão traduzida do inglês para o português.
I-pad, I-Touch ou similares: Tablets nasceram para a literatura fantástica, para os quadrinhos independentes e undergrounds. É o novo pulp fiction!
Baixe aqui.
Eis um tema que poderia facilmente dar pano pra manga, no que se refere a ficção cientifica. Infelizmente, por falta de recursos ou criatividade, pouca coisa (ou nada) foi feita.
Mas se artistas brasileiros não exploraram o tema, alguém tinha que faze-lo... E o autor francês Philipe Augier não titubeou, foi lá e fez... E com qualidade, diga-se de passagem!
"O.V.N.I. L'affaire Varginha" é o nome da produção e ainda não tem previsão de lançamento para o Brasil.
