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O Abutre dentro de nós

terça-feira, janeiro 13, 2015

O-Abutre-Nightcrawler-Ben-Holmes-1
Poster alternativo – Ben Holmes

Conhece a expressão “Espreme que sai sangue”?

Sintonize os canais de TV aberta mais populares depois das 17h, e você terá a sua disposição, alguns punhados de imagens chocantes como acompanhamento.

Claro, tudo sempre bem embalado pela indumentária jornalística do sensacionalismo, um segmento lucrativo para qualquer um que queira entrar nesta vertente da comunicação. E, ao que parece, nem precisa fazer bem feito. Quanto mais trash, melhor.

Estes bastidores estão muito bem representados em O Abutre (Nightcrawler, 2014), estreia muito bem sucedida do roteirista Dan Gilroy na direção (mais conhecido pelos roteiros de O Legado Bourne, Gigantes de Aço e Freejack: Os Imortais).

O filme tem uma tensão constante no ar, recortado pela presença por vezes cômica do cínico e frio personagem Louis Bloom, interpretado de forma brilhante por Jake Gyllenhaal.

 É com Bloom que acompanhamos de perto o desenrolar do universo policialesco televisivo, exibindo suas vertentes mais sórdidas, desde a construção de cenas de crime que cabem plasticamente melhor na tela até a falta total de escrúpulos.

Os vídeos agressivos, sanguinolentos, de crimes ou acidentes automobilísticos, é uma ânsia obsessiva, quase fetichista, tanto do protagonista quanto de sua produtora, Nina (Rene Russo, ainda linda aos 60). A tara por esses conteúdos obscuros é tamanha que, sem querer comparar mas comparando, há momentos que lembram Crash - Estranhos Prazeres, do David Cronenberg. Particularmente, acredito que Gilroy criou de vez um subgênero cinematográfico, o “jornalismo noir”.

Brincadeiras à parte, além de ser um daqueles filmes que já nascem clássicos, a fita abre discussões éticas diversas sobre a profissão, mas eu diria que a síntese do filme é apontar através do comportamento sociopata de Bloom, nossas próprias motivações macabras por conteúdos criminais.

Afinal (e me perdoem os manuais de redação pela rima que segue), notícias sensacionalistas não são muito diferentes das drogas ilícitas: se há oferta, é porque há procura.

Trailer:



Outros posters alternativos:
O-Abutre-Nightcrawler-Matt-Needles-3

O-Abutre-Nightcrawler-Paul-Johnstone-4
O-Abutre-Nightcrawler-mark-reihill-5
O-Abutre-Nightcrawler-Chris-Malbonl-6

O-Abutre-Nightcrawler-janee-meadows-7

Um post e um pôster para “Her”

quinta-feira, maio 22, 2014

Her - Matthew Woodson

 

Ao ver esse fan-pôster produzido pelo artista gráfico Matthew Woodson, veio-me logo a mente a ideia de fazer um texto sobre esta arte, de quão ela é bonita, simbólica, sintetizando a solidão e a surrealidade da imagem, do filme em questão (estamos falando da produção cinematográfica “Her”, de Spike Jonze, na qual Joaquin Phoenix se apaixona por um sistema operacional inteligente, personificado pela locução sensual de Scarlett Johansson).

O problema é que falar de cinema é sempre enfadonho aos meus olhos, apesar de amar o tema. Particularmente, resenhar filmes é sempre uma desvantagem intelectual, já que há tantos outros que melhor refinam e destilam suas interpretações sobre o que é visto na tela.

Por isso, me concentro sempre nos pormenores, nas rebarbas de assuntos que ninguém fala ou que não acrescentam em nada a discussão da obra.

Gosto mesmo é da margem, de ficar ao longe, observando debates e masturbações intelectuais coletivas. Claro que aprendo muito nessas “rinhas de cabeções”, mas prefiro a distância.

Prefiro falar dos sentimentos que a fita provoca em minha mente, assim como detalhes físicos, das coisas que aconteceram quando fui ao cinema. E Her, preferi ver em casa me$mo.

Baixei em uma cópia muito da safada, que mais parecia um efeito blur, semelhante a lentes de óculos que acabaram de ser baforadas com hálito quente (acredito que neste trecho fui redondamente redundante, já que não conheço outro tipo de baforada que não tenha haver com hálito ou boca).

Enfim, dá para comprar esse pôster lindo, de 45cmx60cm, para colocar na sua sala, fotografar com filtro do Instagram, e mostrar para os amigos o quanto você é cool e tem um gosto refinado. Tudo por meros $45,00, no site da Mondo. Bem aqui: http://www.mondotees.com/view_category.asp?cat=12

Aproveite e conheça outros trabalhos do Matthew Woodson:

http://www.ghostco.org/

Ah, e deculpem-me se soei amargo. Minha intenão era ser engraçadinho.

8-D

Sonhos construídos por Stanley Kubrick

terça-feira, dezembro 03, 2013

Stanley Kubrick

Stanley Kubrick povoa minhas lembranças há anos. E estas, ficam “bem ali” na seção das memórias infantis. Mas por favor, não se assuste. Não é uma questão de Q.I elevado ou daquelas genialidades diabólicas que, às vezes, se manifestam nas crianças. Simplesmente fui exposto muito cedo aos seus filmes.

Na verdade, tenho uma pequena culpa nesse processo: o meu atrevimento em não obedecer as ordens de minha mãe para dormir cedo.

Por vezes, com insônia, sorrateiramente ligava a TV, na total escuridão, assistindo a programação da madrugada. E foi nesse ambiente, digamos, propício, que alguns dos seus clássicos repetiram-se como ecos em vales gigantescos, tanto na tela, quanto na minha mente.

Desnecessário comentar o pavor sem nome, quando meus pequenos olhos assustados consumiram O Iluminado. Ou mesmo as bizarras cenas de violência de Laranja Mecânica. Diferente do encantamento com os ruídos de 2001: Uma Odisseia no Espaço.

Acho que por isso adoro noise, shoegaze e outros sons experimentais. Era minha reprise predileta, apesar de ter dormido em vários momentos. Deve ter repetido umas quatro vezes para conseguir ver completamente e, claro, não entender nada. Alias, não entendo o final até hoje. Mas, na boa, quem entende? De qualquer modo, achava um barato.

Devido a essas pequenas peculiaridades, quando recentemente fui à Exposição Stanley Kubrick, no MIS, significou algo realmente importante.

Estar lá, vendo de perto as anotações, os roteiros, os objetos de cenas, foi como ir a uma celebração religiosa. Uma espécie de retorno para essa infância de pequenas descobertas grandiosas de um mundo peculiar, desconcertante.

Entrei em minhas próprias memórias, caminhei nos cenários onde eram gravados os meus próprios sonhos.
Foi incrível...

p.s 1: O pessoal do Ideia Fixa publicou algumas fotos do backstage de O Iluminado - http://www.ideafixa.com/no-backstage-de-o-iluminado/
p.s 2: Fiz umas fotos do passeio, mas por favor, não espere qualidade -

         

                     

O cinema surrealista por David Lynch

sexta-feira, outubro 18, 2013

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No ano de 1987, David Lynch, o diretor que 10 entre 10 doidões amam venerar, participou de um documentário na BBC londrina, apresentando suas  influências do cinema surrealista.

A qualidade não é das melhores, mas vale conhecer um pouco sobre o material surpreendente que direcionou o cineasta.

Bling (tédio) Ring

quarta-feira, agosto 28, 2013

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Baseado em texto de Nancy Jo Sales para a "Vanity Fair", "Bling Ring - A Gangue de Hollywood" é o quinto longa de Sofia Coppola.

Entro no cinema em uma sexta-feira a noite, olhos lacrimejantes e cansados depois de um dia inteiro de trabalho árduo. A tela se ilumina. A projeção de 24 quadros de fotos por segundo dando a ilusão do movimento. Som estridente, música irritantemente dançante.

Meninas pós-adolescentes e lindas em vestidos minúsculos, roubam, tomam drogas, enchem a cara. Emma Watson dança, põe a língua para fora, sensualiza, mostra que cresceu e que já floresce nos pensamentos de rapazes que cresceram com ela ao longo dos anos 2000.

E depois?

Vestidos caros, joias, festas e tédio. Muito tédio (da minha parte, claro). E também um pouco daquela glamourização do que é errado e que ficamos profundamente com vontade de fazer, mas não fazemos porque… Sei lá, a vida real nos desmotiva.

Ou a senhorita Coppola perdeu a mão mais uma vez, ou sou um rabugento nostálgico que não consegue se desvencilhar de Virgens Suicidas e Encontros e Desencontros.

 


 
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+ http://theblingring.com/


Ouça (aqui) trilha:

Crown on the Ground, Sleigh Bells
Bad Girls, M.I.A.
Big Lights, Sammy Adams
9 Piece, Rick Ross feat. Lil’ Wayne
Live from the Underground, Big K.R.I.T.
Cotton Candy, Brian Reitzell
Ouroboros, Daniel Lopatin
Sunshine, Rye Rye feat. M.I.A.
212, Azealia Banks feat. Lazy Jay
Hell of a Night, ScHoolBoy Q
Gucci Bag, Reema Major
Dans Beat, Brian Reitzell
Drop It Low, Ester Dean feat. Chris Brown
All of the Lights, Kanye West
Arabic Princess, Reema Major
Freeze, Klaus Schulze
Halleluwah, Can
Money Machine, 2 Chainz
Levels (Instrumental), Avicii
Power, Kanye West
Locomotion, Plastikman
Everythang, Jeezy
FML, Deadmau5
Disintegration Part IV, Bassnectar
Showers of Ink, loscil
Bankrupt, Phoenix
Super Rich Kids, Frank Ocean
*** Músicas que não foram incluídas na playlist***

Cotton Candy
, Brian Reitzell
Hell of a Night, ScHoolBoy Q
Gucci Bag, Reema Major
Dans Beat, Brian Reitzell
Arabic Princess, Reema Major
Locomotion, Plastikman

( peguei na Intrinseca: http://www.intrinseca.com.br/site/2013/05/divulgada-a-trilha-sonora-de-bling-ring/)













Branca de Neve Andaluz

segunda-feira, agosto 12, 2013

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Blancanieves (2012), de Pablo Berger

A Espanha tem algo de surreal em sua cultura. Tenho essa impressão devido ao Surfer Rosa, álbum do Pixies que bebe das mesmas fontes de Salvador Dali. Acho este trabalho surpreendente por ser uma mescla musical das exóticas culturas cigana, mourisca, árabe, judaica e um barulho desgraçado.

A dança flamenca, por exemplo, com suas palmas, sapateados e violões característicos, é mais que uma expressão corporal. Parece-me mais um estado de graça, repleto de sons e imagens ricas. E de certo modo, tudo isso é a base que preenche todo o disco.


blancanieves05
 
Sim, estou fazendo um paralelo entre uma obra musical e outra cinematográfica, coisa deveras fora do contexto. Mas essa foi a única maneira (acho que a mais viável segundo a minha consciência), de relatar a experiência sinestésica que foi ver esse filme. Afinal, foi por causa da banda que conheci “Um Cão Andaluz”, do Bañuel.

Só posso garantir que é um belo exemplo de que quando uma história é bem contada, recursos básicos como cores e diálogos são dispensáveis. Podemos, de verdade, presenciar a tal mágica do cinema que tanto se fala, mostrar-se de forma completa na tela.
 



Django Unchained: sangue, chicote e diversão

sexta-feira, janeiro 18, 2013

 
OK confesso: assisti Django Unchained em casa, naquela versão em DVDscreener que bombou dia desses na web. Mas não me levem a mal, força$ $uperiore$ me impediram de assistir essa nova pérola do Quentin Tarantino no escuro do cinema, na grande tela de imersão dos melhores sonhos que já tive.
 
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Desde já adianto, sem spoilers: Tarantino nunca perde a majestade. Continua sua senda única de contar histórias surpreendentes, manchadas de muito sangue e violência. Todas elas justificáveis, por favor. Afinal, só ele consegue nos fazer rir, babar, desejar a morte de um personagem da maneira mais hedionda possível.
 
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Como hábil psicopata que é, transforma nossos olhos, fazendo-nos ver diversão em estouros de cabeça ou espirros de sangue. Faz-nos ter simpatia por homens sem caráter, vilões nojentos que se conhecêssemos na real, cuspiríamos na cara.

Enfim, sempre é bom ver um filme de Tarantino e entrar em seu universo. Um dos poucos universos, diga-se de passassem, no qual podemos nos deliciar, por exemplo, vendo um escravo dar uma surra de chicote memorável em seu capataz.
Pura arte!
 
 














Splitscreen: A Love Story*

quarta-feira, setembro 05, 2012

 

Todo o tempo, em todos os lugares, muitas histórias se cruzam. Cruzar caminhos é, de certo modo, algo comum. O problema é quando eles batem de frente. Aí sim, tudo pode acontecer!

* Filmado inteiramente no celular Nokia N8. Vencedor da competição Shorts Nokia 2011. Direção: James W Griffiths.

Mais que mulher, uma símia sedutora!

quinta-feira, julho 12, 2012

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A documentarista Cris Siqueira tem uma obsessão que muito me apetece: a famosa transformação de uma mulher em Monga, a macaca canibal. Quase que uma lenda nascida em parques de diversões de baixo orçamento (sideshows), a lente de Cris vai fundo neste mítico universo que até hoje desperta curiosidade e medo.

Arthur Veríssimo, da Revista Trip, fez este pequeno vídeo abaixo, mostrando um momento da produção que certamente vai ganhar alguns prêmios em breve.
 
Assista:


Em busca da Monga.




+ http://mongamovie.com/home/sobre/





O que Eu Mais Desejo

segunda-feira, junho 04, 2012

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Dois irmãos partilham de um desejo em comum: a reconciliação de seus pais separados e o retorno a uma felicidade em família que os transmitia a unidade e segurança necessária para suas vidas de criança. E o que fazer para este pequeno milagre acontecer? Simples. Com a fantasiosa “energia despendida” quando dois trens bala se cruzam. Este é o enredo básico do sutil e emocionante O que Eu Mais Desejo (I wish/Kiseki), escrito e dirigido por Hirokazu Kore-Eda.

Acredito que passar mais informações é estragar uma série de eventos que culminará em uma sequência de cenas das mais simples e ao mesmo tempo, das mais bonitas que já vi no cinema. E podem dizer que é um gigantesco exagero da minha parte porque realmente é.

 
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Não me importo, filmes como esse devem ser exaltados pela sua força transformadora do espírito. Mostram com uma incrível competência, as sendas que possivelmente (repito, possivelmente) levam o espectador a encontrar uma sensibilidade inerente nas pessoas e, sim, nas coisas. Pois tudo, absolutamente tudo ao nosso redor, quando bem observado, nos é de suma importância, faz parte de nossas vidas.

Caso algum tipo de comparação seja necessário, posso garantir que esta é uma suave mistura de Os Goonies e Conta Comigo, acrescido de um ar infantil, pueril, que diverte olhos e coração.

 
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Em um primeiro momento, parece se desenrolar de modo lento, monótono, mas em seguida, percebemos que foi um tempo de adaptação. Não é um filme “ocioso”. Esse tempo em que nada acontece é necessário para entrarmos no universo da estória e nos familiarizarmos com os personagens, a ponto de crermos realmente que tudo acontece de verdade.

Claro que essa sensação de real, de “documentário”, se dá graças a atuação das crianças (todos atores amadores), que mais parecem se divertir do que encenar. É tão verossímil que há uma vontade surreal de estar ali, fazendo parte do grupo.

Não há nada de pesado, de preocupante em toda as duas horas de projeção, apesar de tratar um tema tão triste e delicado quanto a separação de uma família e a melancolia por dias melhores que não mais acontecem.
Este é um “filme de turminha que enfrenta uma grande aventura”, para adultos se emocionarem e nunca esquecerem que sonhos existem para serem realizados. Um manifesto zen-budista (mesmo sem essa pretensão) sobre os milagres que nos rondam.

Trailer oficial:

















Os desejos e obsessões de "Shame"

quarta-feira, maio 02, 2012

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Brandon (Michael Fassbender), é um homem bem sucedido, charmoso e reina solitário em um super apartamento no centro de Nova York. Vive normalmente sua rotina sem despertar maiores suspeitas, até que sua irmã Sissy (Carey Mulligan), vai ao seu encontro para morar temporariamente com ele. Deste ponto em diante, o filme mais lança dúvidas que respostas concretas. É carregado por completo de uma energia sexy, lenta e desoladora.

Descobrimos então um cara que apesar de atraente e solteiro, é vítima de uma compulsão desmedida por sexo, não satisfazendo-se apenas com a prática, indo fundo na pornografia e encontros furtivos nas ruas.

Logicamente, não é um filme para ser assistido com a família, já que nas primeiras cenas temos um Fassbender no auge de sua forma física, completamente nu e esbanjando “tamanho” e “documento”. É, em verdade, uma história triste, desoladora e como o personagem principal, não sabemos onde isso vai parar.

Esse ar de aflição, de ruína moral, é marcado por cenas longas, paradas, quase sonolentas, necessárias para entrarmos sensorialmente na mente de Brandon, amante incontrolável, masturbador incansável até mesmo no trabalho.

É mais uma daquelas produções que todo mundo tem receio de aceitar, por tratar de um tema ainda tabu, em que o sexo é exposto sem pudores na tela. Para o consumidor comum, é mais aceitável ver pessoas serem mutiladas em séries como Jogos Mortais do que discutir algo inerente em nosso corpo.

Somos convidados a todo instante pela mídia a contemplarmos grandes massacres, mesmo em sessões vespertinas, mas o sexo, o que realmente nos faz humanos, fica na penumbra, debaixo do tapete, nas madrugadas proibidas.

Por isso, não tema, Shame é basicamente um filme sobre uma obsessão. Até mais que isso, eu diria: é sobre um poder violento que provoca prazeres inimagináveis, mas que, infelizmente, aflige a alma daqueles que o possuem.
 
 
 
 
p.s: o filme gerou polêmica até nos cartazes. Veja abaixo os proibidos na Hungria:
 
 
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O design do DVD oficial de "Os Homens que não amavam as mulheres"

quinta-feira, março 22, 2012

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Estadunidenses não suportam legendas em filmes. De modo igual, os dublados são desprezados. As más línguas dizem que os ouvidos deles sangram ao escutar fonemas estrangeiros.

Então não assistem produções de outros países? Ora, não. Preferem fazer mais “simples” que isso: sem pestanejar, filmam tudo de novo. Gastam quilos de dinheiro em um remake, mesmo que a produção tenha sido lançada há um ou dois anos.

Alguns são até melhores que os originais, outros são idênticos, sem nada acrescentar e há outros ainda que, simplesmente são piores. Não vou me alongar muito nessa questão tão batida e prefiro dar a voz para quem realmente entende do assunto e discorre melhor do que eu (Leia isso: http://www.cinereporter.com.br/outros-destaques/enxurrada-de-refilmagens/).

A versão hollywoodyana de “Os Homens que não amavam as mulheres”, por exemplo. Fora a abertura com os créditos iniciais, mil vezes o original sueco. “E boto fé!”, diria um soteropolitano.

Mais real, densa, fria. Não que David Fincher faça feio, com sua edição rápida, sem deixar a atenção desgrudar da tela, mantendo aquela tensão no ar todo o tempo. Mas o sueco é real, cru e cruel. Tem gente de verdade, com seus “defeitos” faciais de verdade.

A Lisbeth sueca é mais soturna, sinistra, amargurada... Sexy. Mesmo com seu corpo másculo, sua tatuagem monstruosa. Ríspida, violenta e inteligente. Uma pirata de dados com dedo rígido sangrando o ânus da sociedade ridícula e sua horda de pessoas nojentas que fingem serem amigos e cordiais. Ela despreza com elegância e sua vingança é convidativa, inspiradora, libertária. Nasceu na distante e fria Suécia, uma musa moderna para nerds desprezados.

Mas apesar de toda a minha euforia, pasmem, comprarei o DVD Yankee, que é imperdível. Sim, o design oficial é o que ilustra o post. Nessa, admito, os estadunidenses fudidos acertaram em cheio! Para colecionadores, um produto original tal qual uma cópia caseira, como se as mãos ágeis de Lisbeth tivessem rabiscado. Tosco e genial. Como Lisbeth!


Primeiro trailer de On the Road – Pé na Estrada

domingo, março 11, 2012


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                   On the road - Official trailer - (HD 1080p) por MK2diffusion

Clássico beatnik materializado por Walter Salles.


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Prometheus: trailer oficial

sexta-feira, dezembro 30, 2011

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Ridley Scott , diretor dos clássicos de ficção cientifica como “Blade Runner” e “Alien – O Oitavo Passageiro”, volta a passear pelo tema depois de 30 longos anos. Com o roteiro de Damon Lindelof (Lost), o filme está sendo um burburinho, pois os realizadores não garantem se a produção é, de fato, um “prequels” de Alien.

Neste trailer, percebemos claramente os pontos “nave/exploradores espaciais/monstro à bordo”, itens indicativos de que é mais do mesmo, o que não exclui a possibilidade de ver in loco na grande tela.
Prometheus” tem estreia marcada para 08 de junho de 2012.
 







Uma estranha cena que perdura na mente

domingo, outubro 16, 2011

Aos 13 anos (número cabalístico!), alguns segundos de imagens ficaram marcados no subconsciente. E quando revejo é sempre muito, muito estranho!

                                                                          The Shining








A Árvore da Vida

terça-feira, setembro 27, 2011

deniac_treeoflife_M© (Massimo carnevale)
 
Cansado demais para divagar e destrinchar os pormenores, rumino devagar tudo o que vi. À mente, só me vem pensamentos de certeza inerente que algo impulsiona o universo. O ato inocente e puro de ter fé no Deus que jaz nos confins das galáxias, acreditando de coração que súplicas viajam no espaço-tempo até o ouvido da mente eterna que tudo vê e pensa, realmente, é para loucos sonhadores.

Mas não quero impor minhas crenças, quero compartilhar um fato: é uma tolice sem precedentes achar que a vida é feita tão somente de alegrias e que quando o oposto abate nossas costas, logo imaginamos estar sob uma pena maldita advinda dos céus.

Se mais atentos e sensíveis fossemos, observaríamos que tudo está imerso no oceano do “nada é para sempre”. É tão simples de aceitar que faz doer: o tempo a tudo cura, ao passo que também destrói.

Há apenas uma única escolha, e esta é o aceitar a vida como ela se configura. O não estar de acordo é uma opção inexistente, já que todos seremos vítimas certas da implacável morte, seja por obra do acaso (assassinato, acidente) ou somente a ação do tempo no corpo.

 
deniac-treeoflife
 

Por aí, há loucos que matam crianças, mas há lábios pueris que beijam a mão de pele enrugada de uma avó sorridente. Neste exato momento, alguém em estado terminal definha em uma sala fria de um hospital qualquer, mas também neste exato momento, um pai amoroso abraça com ternura seu primeiro filho que acaba de nascer. Um cachorro morre atropelado, mas um ex-desempregado saca com satisfação no banco, o seu suado e merecido primeiro salário.

São pequenos milagres/desastres que não nos cabem entender porque existem. São pequenas histórias que, mesmo amargas, estão dentro desse sonho coletivo e sem respostas.

A Arvore da Vida” é uma sinfonia, um fluxo de existência e morte, pulsando a cada instante bem debaixo do nariz. Não é preciso ser o humano mais inteligente do mundo para perceber isso. Mas é preciso muita inteligência para transformar isso em belas imagens que tiram o sono mesmo depois de um dia cansativo.

Eu garanto: antes de adormecer, seus últimos pensamentos serão sobre sua infância, sua vida adulta e sua morte, três grandes momentos que se perdem como ínfimos grãos de areia na imensidão do eterno.
 
 
Ilustração: M© (Massimo Carnevale), artista anônimo que pinta cenas emblemáticas de filmes.
 
Trailer oficial:


















O sonho de Valentin

segunda-feira, agosto 15, 2011

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Valentim é um menino estrábico que através dos seus óculos de aros grossos, consegue filtrar uma dura realidade, enxergando uma beleza inexistente. E com a ajuda de sua imaginação encantada, que a tudo transforma, suaviza uma infância marcada pela solidão, desenvolvendo histórias em que o espaço sideral é sua maior fonte de alegria.

Com pai e mãe ausentes, resta-lhe apenas a avó, fiel companheira que tenta a todo custo, tapar as feridas que a falta do amor em família lhe faz. Vivenciando cada dia com pequenas aventuras entre casa e a escola, o personagem tem como maior valor, fazer brotar sempre de mansinho, o riso e o choro de quem está ao seu lado (também, pudera, o garoto é um mar de candura concentrado em um pingo de gente).



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Entre uma brincadeira e outra, a figura ausente destes pais, principalmente a mãe, lhe corrói o peito, em uma eterna espera que nunca se cala. Na casa dessa amável avó (museu particular da família, repleta de objetos esquecidos que um dia foram úteis) ele arquiteta os planos mais mirabolantes para que a espera finalmente acabe. Reencontrar a mãe, passa a ser um sonho constante.


No final, percebemos como “Valentim” é um filme que mescla  sentimentos de modo positivo, pois a inocência do garoto é capaz de tocar os corações mais duros e ordinários. Faz os olhos lubrificarem a alma, desnudando a vergonha de ser adulto e desprovido do real amor.


Então assista, chore e ria.


É um bom filme para quem, sem nenhum pudor, se deixa emocionar.



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* * *


(A ideia original dessa resenha tão particular era  fazer um paralelo entre a solidão do personagem e a de muitas crianças que, apesar da pouca idade, aprendem a conviver com esta espera/vazio, como se sempre houvesse uma falta iminente no ar, na casa, nas coisas que compõem nossas vidas. Muitos são apenas restos de histórias que um dia foram vividas dentro do ambiente, acumulando poeira, ferrugem e outras manifestações físicas do implacável tempo. Não consegui traçar o texto porque, por vezes, é cruel demais violar lembranças de tudo o que não foi...)










Setaro pede ajuda

sexta-feira, agosto 12, 2011

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Um dos maiores críticos cinematográficos da Bahia passa por diversas dificuldades. Em seu perfil do Facebook, clamou por ajuda:

“Minha situação beira a tal calamidade que, cheguei hoje à conclusão, devo deixar o orgulho de lado e dizer a verdade. Toda a verdade”. (Leia o relato completo em https://www.facebook.com/notes/andr%C3%A9-setaro/pedido-de-socorro/132021403555477 ).

Para amenizar sua situação, alunos, ex-alunos e amigos organizam hoje (12/08/2011), um leilão beneficiente, a partir das 20h, na Praia dos Livros, no Largo do Porto da Barra, com discotecagens do músico/professor Messias Bandeira.

Serão leiloados livros de André Setaro, obras de arte especialmente doadas ao evento, fotos, cartas e diversos objetos do crítico.
 
Conheça um pouco mais do universo de André Setaro nesta produção da TV UFBA:
 









"Meia-noite em Paris" e algumas frases novas de...

quarta-feira, junho 29, 2011

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Baixinho, esquisito e gênio. Faria tudo para ter acesso ao seu cérebro, as divagações de sua mente, conhecer e sugar a essência que o faz ser tão especial. Seus filmes, seus livros, sempre me inspiram. Levam-me a refletir, a pensar fora do eixo e dos padrões.


Em suas histórias, transforma ocasiões antes vistas como terríveis, em algo irônico, mais brando de lidar. Tudo pela simples aceitação do estado das coisas. Algo que me faz ligar ocasionalmente o famoso modo “dane-se” (para não dizer outras palavras mais sujas) perante a vida.


Então, esses dias, lendo notas aqui e ali sobre sua nova produção (Meia-Noite em Paris, filme que contêm todos os ingredientes que adoro - amor cômico, sensação de deslocamento e viagens no tempo), conheci um pouco mais sobre a rotina do mestre e algumas opiniões suas ao filme,que me disseram muito: refletem exatamente seu “negativismo divertido” perante este mundo fútil dos infernos.
 
Ei-las:
 
 
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“Não tenha ideia do que seja um Twitter. Mas Facebook o conheço, porque vi o filme e gostei.”
 
 
 
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"Não tenho um processador de texto; não sou uma pessoa que goste de dispositivos tecnológicos. Ainda escrevo em uma antiga máquina de escrever."
 
 
 
 
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“Se você é uma pessoa infeliz, por qualquer razão – o que se aplica a praticamente todo mundo - , então um deslocamento geográfico ou no tempo não vai resolver sua situação”.
 
 
 
 
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“Você pode desviar sua atenção da morte com esportes, com sexo, colecionando selos, qualquer obsessão que seja. Em meu caso, é o trabalho. Eu desvio minha atenção trabalhando muito, tocando clarinete e fazendo coisas que não têm sentido real nenhum, mas me mantêm ocupado”.
 
 
Uma personalidade que certamente sempre vou admirar.... E imitar!
 
 
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"Talento é sorte. O importante na vida é coragem".



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