Setaro pede ajuda
sexta-feira, agosto 12, 2011
O mestre mandou...
quinta-feira, agosto 11, 2011
Escreva bêbado, edite sóbrio. Se até mesmo o mestre estava às voltas com as loucuras d`alma, também sigo o seu caminho, na tentativa de superar, vencer e rir da cara do meu pior inimigo: eu mesmo.
Se for crise da meia idade ou coisa que o valha, desconheço, mas não posso negar que o futuro pareça inóspito ou sem alternativas. Não vou conceber que estou nesse mundo passando por ele sem rachá-lo ao meio. Se aqui estou é por algum motivo. E não quero rastejar na lama enquanto párias adornados de pose comandem esse velho planeta imundo.
Eu sou eu e nicurí é coco... Ou o diabo, como dizia Raul.
“Sei quem sou e onde estou!
Sei quem sou e por onde vou!”.
Depois o Pause, vem o Play, Macaco!
Macaco, aperta o play pois cansei do pause. Quero fervilhar a minha e a mente dos olhos que aqui pousam. Quero conectar pensamentos, partilhar sonhos, escrever intensamente na mesa da modernidade liquida. Quero me perder em inúmeras culturas, dissolvê-las em um único extrato confuso e rico em proteínas.
Sem certezas, sem regras, sem apuro técnico.
Dê o maldito Play, Macaco, pois o tempo não é mais como era antigamente e preciso das mixórdias viciantes da world wide web. Necessito do gosto adocicado das vibrações subsônicas que emanam dos meus fones chineses.
Um Play no eterno agora que nunca acaba.
Um Pause na memória para não esquecermos do que fomos.
Um Stop na dor ou na depressiva urgência humana de lembrar que ela existe.
E um Rewind em todo e qualquer resquício de felicidade, pois sempre é bom tê-la em nossos impuros corações, mesmo que na parca ilusão da nostalgia que reina na virtualidade dos pensamentos.
Apenas aperte o Play, Macaco... E dessa vez, vê se aperta para sempre, falô?
Chemical Brothers toca ao vivo a canção “Saturate”, em Melbourne, Austrália. Eu não estava lá. Mas nada me impediu de sentir como se estivesse. E foi bom e emocionante do mesmo modo!
Um pause… E daqueles!
quinta-feira, julho 14, 2011
“Para ganhar experiência, você precisa passar por momentos bons e ruins. Como você “pode crescer se as suas experiências são sempre as mesmas? Qualquer coisa que acontece, boa ou má, pode ser construtiva no final - contanto que você aprenda algo útil com ela. Então, quando você enfrentar as dificuldades, não se sentirá tão mal!” - Gyalwang Karmapa Ogyen Trinley Dorje
(poderia ser “o fim”, mas é só “um tempo”.)
Uma chuva
quarta-feira, julho 13, 2011
"Ela está bem ao meu lado. Dorme, cabeça recostada em meu ombro. Estamos no banco traseiro de um táxi qualquer. Viro-me para sentir seu cabelo próximo ao meu nariz. Respiro fundo e delicadamente. Há uma consistência macia, um cheiro forte de xampu e condicionador, uma energia como se estivesse vivo.
Toco com as pontas de meus dedos. Ele escorre pelo seu rosto, pela sua pele, pelos seus 17 anos ainda não completados. Um cabelo vivo e belo. Um sonho noturno com odores de rosas que desabrocham ao sereno, enquanto todos dormem, sorvendo a madrugada fria sob o comando da Lua.
O táxi vai devagar. Não, não que seja devagar, ele parece voar, isso sim. Parece não ter nenhum atrito com o asfalto. O mundo lá fora, todo em câmera lenta. O vento sopra delicado. Ela dorme no meu ombro. Um sonho sonhando.
Ela torna tudo diferente ao redor. É capaz de transformar o comum em algo precioso e raro. E é através do vidro da janela do taxi que vejo o mar na escuridão. Suas ondas quebram dentro dessa noite encantada. Eu me sinto bem, eu já disse, ela é um sonho. Não me canso. Um sonho de um solitário, de um coração tal qual pássaro sem pernas, cansado de voar, louco para pousar na segurança de uma palma da mão tranquila. E ela, com seu cabelo vivo, está ao meu lado. E ela, quem sabe, pode salvar minha alma suja.
Então, a suave noite vai mudando. Do céu caem gotículas de chuva fria. Fina e fria. Pequenos anjos errantes, caindo de nuvens gordas e distantes. Aglomeram-se e escorrem pelo carro. Lavam a cidade e suas feiúras. Banham as ruas com uma calma passageira... Justamente nesse momento ela acorda.
Coça os olhos e ergue-os até meu rosto. Ela ri com o meu riso. Suas pupilas, de tão negras e reluzentes, podem refletir meu rosto bobo. Abraço-a ainda mais forte. Trago ainda mais para perto, sua cabeça dorminhoca.... Como se em vão quisesse misturar seus pensamentos aos meus. Transformar nossos pequenos universos, tão próximos e ao mesmo tempo tão distantes, em um só.
Ela se desculpa pelo rápido cochilo. Eu só consigo rir. A casa dela se aproxima. Beijo-a longamente pela ultima vez nessa noite e na vida. Desço do táxi para me despedir. Seu vestido longo e negro dança com o vento. A chuva cessa e as estrelas brilham. Ela diz “Tchau”. Nossos lábios se tocam rapidamente. Então penso naquela canção favorita. Mas ela nunca toca quando se precisa. O jeito é imaginá-la. Tocando, tocando e tocando. Repetidamente.
Assim, lá vai ela. Sonho vivo e real. Sobe as escadas até o portão. Abre-o e some dentro de seu lar. Volto para o mesmo lugar no carro. O assento do banco ainda quentinho, quentinho...
O motorista me leva para casa. Categorizo em pensamentos esse momento como puro. Singelezas que a vida moderna oferece muito raramente para pessoas que pensam viver em vídeoclips... Como eu.
Segundos, um por um, serão lembrados em exaustão. Guardados para dias quentes e difíceis.
Meus olhos se fecham. As ruas passam e passam. Ruas bonitas em seu inicio e feias no final. Uma graduação que vai do “alto”, partindo de seu bairro, até o “baixo”, chegando ao meu. Milhares dessas ruas separam nossas vidas. Milhares de costumes, de amigos, de pertences, de tipos de comida, de lugares que se viaja, de escolas que se estuda, de futuro perfeito imaginado por pais com sobrenomes importantes separam nossas vidas. E ao abrir os olhos, essa noção de realidade desprende-se em forma de olhos úmidos.
A chuva desprende-se do céu mais uma vez. E o mundo já não era assim tão belo. Molhava o asfalto de leve e eu via as luzes refletidas, não das estrelas, mas dos postes e carros. E para cada gota que caia gelidamente do céu, existia um motivo para se meter as mãos nos bolsos e sentir o frio que não existia.
Um frio que emanava de algum lugar do corpo, de algum arrependimento, da lembrança de qualquer evento que ocorreu de forma insana e imprevista.
Sei lá, só um frio.
Mas bom mesmo era sentir com saudades, sim, já com saudades, o gosto de seus pequenos lábios misturados aos meus... E de repente pensei que dias tristes não tardariam em nascer.
Mas o agora, este agora divino e mágico, em breve vai refrigerar as agonias futuras. E eu vou guardá-lo para sorrir mansamente... Como nesse momento. Mesmo com o salgado gosto das lágrimas tentando afogar o meu sorriso pálido, marcado pelo ferro quente da mais completa satisfação.
E como disse, eu nunca mais a vi".
Ilustração: "Rain", de Gerard Russo
Autoajuda de segunda: sendo o impossível
segunda-feira, julho 11, 2011
Com Walter Bagehot aprendi: o grande prazer da vida é fazer o que as pessoas dizem que você não pode fazer.
Por minha conta acrescento: seja! Mesmo quando as línguas bífidas disserem o contrário.
Foto: "JUMP With Courney Hope", de Perris Knox
+ http://happysomethings.wordpress.com/2010/08/11/jump-with-courney-hope-honey-deer/
Quando um gif te faz rir
segunda-feira, julho 04, 2011
Neste bloquinho de anotações virtual em que tudo cabe (menos a tal penteadeira, faça-me um favor!), é assim: quando um gif animado aparece, serve como pequenas pílulas para seguir em frente, ainda que a vida malhe a dura cerviz.
Vamos nessa, com tudo, mesmo que nos reste miúdos e sem fôlegos “he he he`s”!
TEMAS MUSICAIS PARA quem não conseguiu se desvencilhar dos anos 80
Destroyer - Kaputt
De qualquer modo, nunca nos desvencilhamos daquilo que marca nossas vidas. E mesmo que diferente, o futuro sempre vai ser igual ao passado.