Vandalismo é Arte

quarta-feira, janeiro 19, 2011


(Texto baseado num ensaio do filósofo de Andrew Stillman e publicado na revista Adbusters, 2000.)

No silêncio de uma cidade sob Lei Marcial, a galeria pós-captalista está aberta.


Aqui as janelas quebradas de uma loja da Warner Bros, cada estilhaço desaparecido na invisibilidade. Ali, um Mc Donald’s fechado com compensados. Isolado de uma hora para outra e exposto em seu estacionamento vazio, no meio de uma rua, um carro de polícia abandonado, despojado de sua autoridade por duas palavras pichadas em spray: “NÓS VENCEMOS”. Em todos os lugares existem bandeiras decoradas com novos símbolos, pilhas de jornais transformadas em barricadas – dezenas de atos de destruição, cada um cheio de importância estética e social. Atos de arte. Atos que chamaríamos normalmente de “VANDALISMO”.



Como foi dito nos noticiários de TV, o vandalismo ditou as regras no dia 30 de novembro de 1999, quando dezenas de milhares de manifestantes fecharam a Organização Mundial de Comércio e criaram um estado de emergência na periferia de Seatle, EUA.

 Vandalismo é uma violação intencional, a desfiguração de algo considerado valioso pelos outros. Mas sabemos, também, que pode ser uma forma de expressão. Vandalismo é também jovens amantes cravando seus nomes nos troncos das árvores, um moleque deixando seu nome escrito na parede de uma um hotel quatro estrelas, anarquistas chutando as janelas da nikelândia.
 
 
O que poderia ser uma expressão mais completa do desesperado cinismo da decadência pós-moderna que essa chicotada catártica, primal? Será que alguma forma de arte de nossa era pode oferecer qualquer sombra de esperança de escape sem confrontar-se diretamente com a propriedade, o valor real ao redor do qual cada um de nós é levado a construir sua noção de ser?
 
 
Vandalismo é um tipo de parasitismo nascido na essência da civilização ocidental.em nossa cultura atual estamos triturados, manipulados pela tecnologia e por interesses comerciais. Marketeiros de plantão colocam sentido no vestir de roupas, carros, móveis, até mesmo na comida nós escolhemos nossos significados através dos produtos, simultaneamente criando e erradicando nossa noção de nós mesmos. Somos projetos comerciais. Somos hospedeiros e a cultura da comodidade é o nosso parasita. Somos objetos vandalisados-tortos, deformados, cobertos de marcas que não podemos honestamente dizer que escolhemos por vontade própria. Sugados da comunidade e humanidade, somos levados a acreditar que dependemos do nosso parasita para nossa identidade.
 
 
O que conhecemos como “VANDALISMO” é na verdade a rejeição da dependência do consumo. O vândalo mina o sentido comercial. A cultura do consumo cria um lodo sobre nós e é vulnerável em suas próprias raízes rasas. Ela teme toda reflexão. Cidadãos vivendo dentro dela estão em estado permanente de evasão pessoal, evitando a contemplação pelo medo de confrontar a realidade da completa falta de sentido em que vivemos ou, pior, a desvantagem competitiva e exclusão social.
 
 
Vandalismo é uma expressão dessa psicologia de fuga e a compreensão de que a existência se tornou uma atividade criminosa. Vandalismo é arte quando a arte não pode mais resgatar o sentido do absurdo esmagador das condições materiais atuais. Numa sociedade que valoriza o mito da total escolha, a escolha mais crucial se tornou criminosa: a habilidade de criar novos sentidos. O ponto onde o mito e a realidade se encontram é na intersecção política e arte, na ameaça do vândalo , no agitador cultural, no anarquista. E foi nessa intersecção que as barricadas se levantaram em 30 de novembro de 1999.
 

Diamantes e Winona Ryder são eternos

 

Gregos acreditavam que os diamantes eram estilhaços de estrelas que caiam do céu. Diziam eles que eram lágrimas dos deuses. E diamante tem origem na palavra grega "adamas", ou “força e eternidade do amor”.

Na foto, Winona ainda era “para sempre”. Ao menos em uma tatuagem do braço direito de Depp. Não durou.

Mas para sempre mesmo, somente os diamantes, que perdurarão sim, para a eternidade - pelo menos enquanto a Terra existir.

Black Swan: Novo filme de Daren Aronofsky

terça-feira, janeiro 18, 2011

 

Delírios: matéria prima para transformar a realidade. Combustível para acender ou dar vida aos sonhos e pensamentos mais profundos. Resgatam no fundo da inconsciência, tudo aquilo de que somos feitos, mas que escondemos sem mesmo saber o por que.

E os delírios podem ser tanto um “excesso de paixão” quanto uma alucinação vulgar, território dos loucos ou dos que usam de substancias ilícitas para expandir a mente. Explorar a química invisível do cérebro pode ser algo perigoso, pois este, é um lugar pouco conhecido, verdadeiro reino de sombras, de coisas inimagináveis, beirando o sobrenatural.

Por isso, é difícil falar de Black Swan sem deixar de relatar o enredo do filme. Mas em consideração aos poucos leitores deste blog, e ainda mais, aos poucos que confiam em minhas palavras, não irei me aprofundar. Deixo o trabalho para os sites especializados, com sinopses e fotos em exaustão.

Me centro somente na premissa de que os delírios da personagem Nina (Natalie Portman) desprendem-se da tela e vão se alojar em nossa percepção. O olho de Nina é o olho da câmera, sendo assim nosso próprio olho. Meio Confuso. Mas tudo bem. Conseguir confundir o espectador é o trabalho mais sublime que um diretor pode fazer.

Neste aspecto, Darren Aronofsky é mestre. Consegue hipnotizar sua platéia fazendo-a mergulhar na personalidade frágil e ao mesmo tempo, aterrorizante de uma bailarina em busca da perfeição. Darren foi muito feliz ao convidar Portman para o papel, ao qual pode-se usar o termo “ela encarnou-muito-bem” sem nenhum receio.

E também sem receio, exprimo: Natalie simplesmente se superou como atriz e Aronofsky como diretor. Por isso, Black Swan é digno para ser um dos melhores filmes de 2011.

“Talvez, por ventura, quem sabe”, da década?

 

Trailer oficial:

 

Pensamento rápido do dia: a música de amor mais feia do mundo

segunda-feira, janeiro 17, 2011

 Federico Erra

 

A música de amor mais feia do mundo, também é a mais linda, pois é a que mais se aproxima da vida real. Cheia de altos e baixos, distorcida. Melodicamente ruidosa. Desafinada e descompassada como os corações em conflito.

 

 

 

"Hate
Pretend that I
Adore you
Hate
What do you take me
For you
Cry-baby
Shame
You're in love
With the game
Swallow the pain
Nothing else will remain
Hate
What I will do is
Scar you
Hate
Don't say I didn't
Warn you
Cry-baby
Shame
You're in love
With the game
Riding away
And then
Care-free again"

Desmaiando em transportes públicos

 

Você só pode vê-los ao final do dia. Estão sempre sem consciência, perdidos nos seus próprios sonhos. Todos imersos em si mesmos, compartilhando em silêncio (e movimento), um único hábito: dormir em transportes públicos.

Estas pessoas, cansadas de seus fardos diários, são frutos diretos das pressões modernas, vitimadas por seus trabalhos fastidiosos. Claro que, como tudo neste mundo, eles também tem um nome. São os chamados POOPTS - Passed Out On Public Transportation - algo como “Desmaiado em Transporte Público”.

Este “movimento” se alastra cada vez mas nas grandes capitais, sendo a parte visível de um mundo que nos cansa, que nos leva a estafa, fazendo desfalecer a alguns por completo.

O caso é tão sério e corriqueiro em todo o planeta, que pessoas como o dono do Tumblr chamado de P.O.O.P.T, chegam ao extremo de “catalogar” esses momentos, em um verdadeiro estudo fotográfico do fenômeno.

São fotografias interessantes, verdadeiras. São flagrantes de momentos que levam do riso a “pena”, no sentido de compaixão. Imagens que, infelizmente, ainda perduram em meu cotidiano.

 

 

Não ria. Pode acontecer com você!

 

Acesse: http://poopt.tumblr.com/

"Somewhere", de Sofia Coppola: um bom lugar para bocejar

 

 

Para Ana Paula Sousa (Ilustrada da Folha), “Somewhere” é “de fato, irresistível”. Já Rodrigo Fonseca, de O Globo, "’Em algum lugar’ comprova a maturidade de Sofia ao evitar os clichês de filmes sobre relações entre pais e filhos”.

Meu deus, há algo errado comigo então! Não sou nenhum crítico de cinema, não consumi todas as grandes obras fílmicas do mundo. Sou apenas um espectador mediano, mas com propriedade suficiente para anunciar: a mais recente produção de Sofia Copolla é uma merda!

Ora bolas, posso dizer isso sim: uma grande pústula esse filme! E o caracterizo com toda autoridade desse modo, por ser um grande fã da cineasta, que até então me proporcionou verdadeiros “sonhos lúcidos”, com momentos inesquecíveis de leveza e sensibilidade dentro das salas escuras, sintetizando na tela, o sentimento de um mundo cada vez mais solitário e confuso.

Mas, poxa, tudo tem seu limite. E Sofia exagerou na dose: o “vácuo” que tanto gosta de retratar, toma em todo o filme, proporções grandiosas, sem sentido. Onde estão os “retratos de vazios existenciais”?

A menina Coppola mostra uma falta de novas perspectivas para um mesmo assunto, repetindo-se, criando clichês dela própria. O tal “tom melancólico e independente” aqui é sem sentido, em tomadas monótonas, cansativas, sem criatividade e o mais chato, desprovida de beleza.

O que achei mais absurdo ainda (e prova de que a crítica só fala e faz bobagens) a produção ter ganhado um Leão de Ouro no Festival de Veneza, em 2010. Mas tudo bem, eles entendem das coisas. Quem sou para meter o bedelho nesta “obra prima”?

 

Quer saber? E eu ainda te amo, Sofia. Só não perca o tino da próxima vez, por favor. E de modo piegas, te digo: ouça “as doces lágrimas dos seus fãs”. Não o ríspido bater de palmas dos seus críticos.

E para não dizerem que estou “de mau” com a filha do velho “Coppolão”, ou que deixei de admirar o trabalho dela, abaixo um comercial da Dior belamente dirigido pela moça em 2008.

 

 

High Definition: o novo inimigo da indústria pornô

domingo, janeiro 16, 2011

 

O olho eletrônico de uma câmera capta em um “close epidérmico”, detalhes dos mais sublimes aos mais grotescos, revelando no vídeo, nuances até então nunca apreciados. Este é o centro de uma nova e inesperada discussão da indústria pornô: o blue-ray e seu High Definition.

Como toda boa polêmica, opiniões nascem e se divergem. Críticos e defensores surgem. Os primeiros duvidam que níveis de detalhes exacerbados sejam desejados. Os segundos adoram a idéia de ver os “defeitos” à mostra.

Para quem nunca presenciou as cenas, celulites e estrias não é a grande preocupação. Estes aspectos, na verdade, passam até despercebidos pelos fãs. O que vem causando “susto”, são as cicatrizes, as depilações mal feitas e as marcas (de tapas ou mordidas), altamente focalizadas e expostas no universo HD.

Alguns atores estão chegando ao extremo de passar por intervenções cirúrgicas, resolvendo assim, pequenos defeitos. Outros preferem apenas não serem filmados de ângulos menos favoráveis.

Segundo Stormy Daniels, atriz, roteirista e diretora de filmes pornô (uma dos maiores especialistas do ramo), a alta definição pode ser um grande desafio para as novas produções. “Novas tecnologias nem sempre são sexys e não acredito se alguém realmente gostaria de assistir pornô em alta definição”.

Uma opinião pessoal? As imperfeições são necessárias, os macros devem reinar. O HD não espantará os afoitos consumidores do gênero, que a elevam ao patamar de “arte”. É exatamente nas pequenas imperfeições do corpo, onde se encontra o fetiche da alta definição. O velho ditado inglês resume a polêmica: o diabo está nos detalhes!

Jeremy Fry e sua incrível dança de celebração nerd

segunda-feira, janeiro 10, 2011


E não, não foi armação! Saca a entrevista do garoto aqui.

Prevendo o futuro com William Gibson

terça-feira, janeiro 04, 2011

 

O programa Fantástico, na edição do dia 02.01.2011, exibiu uma interessante reportagem sobre um show da diva japonesa Hatsune Mikuo, personagem bastante cultuada por lá, que leva à loucura milhares de fãs por todo o país e com um adendo bastante singular: ela é uma cantora totalmente virtual.

Neste evento, uma tecnologia (não revelada) holográfica 3D, permitiu que ela aparecesse “em carne e osso”. Mas o que me surpreendeu na verdade, foi a sensação de deja vú que me tomou, graças, mais uma vez, ao escritor canadense William Gibson.

Em seu livro Idoru, Gibson conta a história de Rei Toei, cantora também totalmente feita de pura “informação digital”. Como Mikuo, “Rei Toei é formada por arranjos de informação extremamente complexos e sofisticados, que conferem a ela uma ‘existência’ original, meio humana e meio nada (coisas típicas de histórias futuristas de ficção científica)”.

Do mesmo modo, vi certa semelhança na primeira graphic novel de 1990 totalmente computadorizada, chamada “Batman: Digital Justice”, de Pepe Moreno. Lá, há uma imagem futurística de uma cantora pop-holográfica que ficou marcada em minha memória, algo que, neste vídeo, tornou-se real.

Inteligência artificial, cyborgues, peles sintéticas, realidade virtual. Ficção imitando realidade ou realidade imitando ficção? Sei apenas que tudo o que devorei de ficção científica “cyberpunk” do mestre e profeta Gibson, vem se tornando realidade. Tudo o que foi imaginado, está aos poucos, tornando-se real. Façam suas apostas, pois o futuro é agora.

Um longo caminho até a alma!

quinta-feira, dezembro 23, 2010

 

 

Se o sol que está tão longe me conforta
Por quê você que está ao meu lado não o faz?
É um longo caminho até a minha alma
Se o céu quer o meu bem porquê você não o faz?
E como condenar alguém, que eu jamais deixei fugir?
Um dia eu vou buscar no espaço uma flor pra lhe presentear
Então me abraça e o sol já pode dormir
Enquanto eu penso em como vou retribuir
Então me abraça e o sol já pode dormir
Se o sol que está tão longe me conforta
Por quê você que está ao meu lado não o faz?
É um longo caminho até a minha alma
Se o céu quer o meu bem porquê você não o faz?
E como condenar alguém, que eu jamais deixei fugir?
Um dia eu vou plantar no espaço um jardim pra lhe presentear
Então me abraça e o sol já pode dormir
Então me abraça e o sol já pode dormir
Então me abraça e o sol já pode dormir
Então me abraça e o sol já pode dormir
Então me abraça e o sol já pode dormir

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