Eis um tema que poderia facilmente dar pano pra manga, no que se refere a ficção cientifica. Infelizmente, por falta de recursos ou criatividade, pouca coisa (ou nada) foi feita.
Mas se artistas brasileiros não exploraram o tema, alguém tinha que faze-lo... E o autor francês Philipe Augier não titubeou, foi lá e fez... E com qualidade, diga-se de passagem!
"O.V.N.I. L'affaire Varginha" é o nome da produção e ainda não tem previsão de lançamento para o Brasil.
A pedra fundamental do estilo literário “Cyberpunk”, Neuromancer, de William Gibson, nunca ganhou as telas dos cinemas. Para os fãs mais ortodoxos, um alivio: adaptações cinematográficas costumam ser um desastre para quem lê um livro original.
E há de se concordar com os fervorosos leitores de Gibson: de onde, deus do céu, a produtora do filme tirou essas vespas? Em que momento do romance elas aparecem?
Com o corpo em frangalhos, cochilei no sofá. A TV conseguiu guiar sonhos rápidos na maluquice de um cérebro em frangalhos: Os comerciais, as falas dos dubladores, os socos sonoros e inexistentes. Tudo isso de olhos fechados, em mundos desenvolvidos pela mente e os sons de canais aleatórios.
Abrindo as pálpebras vagarosamente, um desenho animado. Terroristas tramando assassinatos, suicídios, pessoas injetando heroína em si mesmas, estupro, pedófilos, nazismo gratuito. Um desenho animado? Era a faixa de animações adultas, do canal I-Sat, oAdult Swim, com seu visceral Monkey Dust.
É basicamente uma série de vários esquetes rápidos e ácidos, politicamente incorretos, mórbidos e ao mesmo tempo satíricos, mostrando um lado cruel da sociedade. Monkey Dust é uma produção inglesa e li que gerou muita polêmica por lá pelo excesso de humor negro e por abordar de forma cômica, assuntos tão obscuros.
Ela é uma consultora de publicidade. Ela é uma coolhunter com uma intuição sem igual. Ela é um ícone da moda, mas você nunca vai ouvir falar dela, assim como nunca irá poder vê-la.
O que ela olha, sente na pele se vai ser tendência ou não. Ela é uma heroína que não luta, que não possui superpoderes. Tem somente o estranho dom de sentir as roupas, as ruas, os contornos dos óculos escuros das pessoas, as marcas das grifes. Sente tanto essas marcas que tem náuseas. Sim, uma profissional da publicidade com alergia a logotipos.
Uma profissional da publicidade alérgica à moda, mas que mesmo assim ama roupas. Suas próprias roupas e combinações, diga-se de passagem. E essas peculiares indumentárias tem um nome: "CPUs. Cayce Pollard Units". Preto, branco, cinza. Algo frio, algo quase invisível. Algo quase alien. Só se pode defini-lá como uma "zona livre e atemporal do design".
Seu anti-estilo, seu mix de influências, até mesmo o seu rosto, não vive no mundo real. Não que ela seja invisível, nem que é uma fantasma flutuando no éter. A questão é que ela vive no imaginário das pessoas que leram Pattern Recognition de William Gibson, ou até mesmo o No Logo, de Naome Klein.
Saca?
Cayce Pollard, “só existe na zona liminar entre a prosa de Gibson e os olhos da mente que não cansa de prever a história a cada instante”.
Consciente da atração sem sentido dos insetos pela luz, essa esperta lagartixa, dentro de um lustre, fez sua morada. Longe dos perigos dos muros, longe da mira afiada de crianças caçadoras de répteis com seus badoques em punho e longe das inóspitas dobradiças de portas, em sossego, farta-se em seu eterno e iluminado banquete.
O Sol nasceu, então deve morrer Apenas as sombras me confortam. Eu sei que na escuridão, eu vou te encontrar, desistindo por dentro como eu. Cada dia deve terminar, como ele começa E pensar que você está distante de mim Eu sei que na escuridão, eu vou te encontrar, desistindo por dentro como eu.
Se há algo que me chateia profundamente nos dias que se seguem, é a recusa velhaca de ir a um show de rock and roll. A falta de entusiasmo adolescente correndo nas veias. Oh meu deus, juro que não sou um jovem ancião ou virei um cristão radical e ortodoxo!
O motivo maior é o fator “poucas são as bandas que me fazem ‘arrepiar’ os ouvidos”. Infelizmente (e sem críticas ardorosas, já que todo mundo tem direito a escutar o que bem entender), não me agrada a cena rocker atual da Bahia.
Principalmente, as bandas com grande respaldo midiático. Simplesmente, elas não funcionam em meu cérebro e não me dão vontade alguma de sair de casa para suas apresentações. Claro que há algumas exceções. E apenas o número de dedos de uma das minhas mãos podem fazer esse pequenino censo.
E qual não foi o meu espanto ao ouvir, finalmente, algo tão próximo (geograficamente falando) e tão criativo quanto Teclas Pretas. Algo que vai me impulsionar a sair de casa novamente e estar “in loco” conferindo uma apresentação ao vivo desse pessoal.
Não sei especificar exatamente o que essa banda soteropolitana pretende com sua música, nem o que me fez cair em suas graças, mas posso afirmar simplesmente, que é o trabalho musical mais inventivo e experimental (sem ser chato e cheio frescuras) surgido nos últimos 10 anos aqui, nessa (ainda) província chamada Bahia.
O que pude perceber, foi uma musicalidade tão própria e ao mesmo tempo tão “já ouvi isso antes” (no sentido positivo de beber das boas e clássicas águas que o rock já fez fluir). Talvez sejam os ecos de algo psicodélico, algo de garagem sixties, algo folk, algo pop ou algo bom!
Quem era adolescente na soterópolis dos anos 90, saca muito bem o vocalista. Muito moleque sem juizo subiu no palco para simplesmente fazer bagunça. E talvez chegue um momento que ele vai se encher e dizer: “Parem com a ladainha de sempre comentar ‘Glauber, ex-Moskabilly, do clássico grupo psychobillie The Deadbillies’”.
Mas como não citar? Quem conhece, sabe que Glauber arrebentava na voz, na performance de palco e que tudo que se mete, pode ter certeza, vai ser algo de qualidade.
Pois bem, como perceberam, não consegui definir os caras. Mas acho que o super engraçado release deles lá no Last.FMpode resolver. Claro que ao ler o release, percebe-se que nem eles tem idéia do que pretendem, mas ao menos despertam a curiosidade de ouvi-los.
É ótimo saber que a cena local baiana se renova e ainda tem qualidade. Começando pelos clipes. Saca só:
Ainda melhor, é ver que há uma crescente e esperta turma que tem talento para produzir clips como esse. Prova maior foi a Oficina Geração Bit, que lançou essas produções. Recentemente (19/10/2009) houve a primeira exibição pública, que aconteceu no contexto do já tradicional Festival de Cinema da SaladeArte, em Salvador, Bahia. Esses novos talentos do videoclipe baiano, mostraram que vieram para fazer a diferença de verdade.
E não só a Teclas Pretas participaram desse trabalho. Tiveram outros grupos como Retrofoguetes, Yun-fat, Copyraite e Nancy. O projeto foi produzido com o apoio do Fundo de Cultura.
Este é o meu Lifestreaming. Aqui documento e compartilho, de maneira contínua e pessoal, fragmentos da minha vida, pensamentos, descobertas e experiências em uma linha do tempo digital. E tudo isso, em algum momento (ou não), vira post para o meu site oficial: WWW.DENIAC.COM