Foto do dia: Terror nos olhos.

segunda-feira, outubro 26, 2009


Às vezes, para mostrar a intensidade da destruição de algo, a simples expressão de horror já denuncia a intensidade do fato.

Bagdad, Iraque: um dia depois do ataque suicída através de um caminhão-bomba.

Altas aventuras de simplicidadade.




Não quero dar resumos, nem tão pouco resenhas. Afinal, não é meu objetivo relatar sobre nada. Quando comento filmes, nunca é a mera descrição do enredo, limitando-me a dizer se é bom ou ruim. Afinal, quando um amigo nos diz se um determinado produto é de boa qualidade, confiamos.

Poderia então, apenas resumir: é bom. Mas talvez eu não seja seu amigo o suficiente para que confie nas minhas palavras. Talvez, se eu te disser sobre os sentimentos que o filme provoca, aí sim você pode até pensar em querer assisti-lo. Enfim, quero dizer apenas que acabo de assistir “Up – Altas Aventuras”, assegurado-lhe que o filme em questão é muito mais que uma produção engraçada e cheia de aventuras, da produtora Pixar.

Afirmo com toda a certeza do mundo (levando em conta que sua índole é comum e que acredita nas coisas belas da vida como amor, amizade e simplicidade), que nos dez primeiros minutos da animação, seu coração vai explodir e seus olhos vão se encharcar de tanta beleza. E do alto dos meus 31 anos, te garanto que expor-se ao feitiço de algo tão infantil vai te fazer muito bem.

É um daqueles filmes que usam a fantasia para ensinar a nos apegarmos às coisas mais simplórias da vida, o que conseqüentemente, aprendemos com o tempo que são estas, as mais fascinantes. Se há uma moral aqui, está é a capacidade consciente dos tesouros que nos rodeiam e que erroneamente tachamos como algo sem valor, sem grande significado em nossa história de vida. A correria dos tempos que passa, as pressões diárias, a massa midiática impondo qual o padrão de beleza, de riqueza e, o pior: de felicidade.

O medo de sermos medíocres, de não ter o mesmo carrão do nosso vizinho, de não possuir as ultimas novidades da tecnologia ou da moda, de não estarmos antenados às novas tendências criadas por uma industria faminta por dinheiro, que inventa todos os dias sempre uma nova necessidade para fazer parte o nosso dia-a-dia cada vez mais desumano. Coisas e coisas e coisas que nos apegamos. Objetos mais significativos do que sentimentos. Mais valiosos do que sentir tudo ao redor.

Claro que nem todos os objetos são apenas objetos. Existem aquelas coisas sem vida que carregam consigo um momento eternizado. Uma foto de um alguém querido na carteira, um ingresso de um cinema, uma pétala recebida com amor, a embalagem da bala de hortelã que deu o gosto único do primeiro beijo naquela pessoa dos seus sonhos. Pequeníssimas, minúsculas, irrelevantes, quase invisíveis coisinhas que agregamos a mais pura e completa vida.

A maravilha de nossa era tecnológica atual é a possibilidade de nos conceder a conveniência dessa verdadeira elevação do espírito, que é entender que a grande aventura do viver está nas coisas ínfimas da vida. Isso nos poupa o trabalho de não deixar que os anos passem rápidos e que, só lá no final, quase no ultimo capitulo de nossa existência, possamos perceber o tempo desperdiçado em desejos inventados por outros.

Assista. Você vai entender o que estou dizendo!

A festa perfeita que nunca nos entendia.

quinta-feira, outubro 22, 2009



Ao menos em meus sonhos, ainda há a festa perfeita, onde todas as noites, nos conhecemos pela primeira vez, dentro de uma banheira cheia de espumas.

Fotos do dia - 21.10.2009

quarta-feira, outubro 21, 2009

Hoje está quase impossível escolher a imagem do dia. Foram momentos incríveis suspendidos na vastidão da eternidade, entre milissegundos de ações desenfreadas que estão dentro da bolha do viver. E apenas um click conseguiu traduzir o dia em beleza, revolta e tragédia. Vamos a elas:


Photograph: Albeiro Lopera/Reuters
Medellin, Colômbia: um médico legista examina um homem cravado de balas.

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Photograph: Sergei Grits/AP

Minsk, Belarus: Um esquilo, um amendoim e uma mão feminina caridosa.


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Photograph: Fernando Vergara/AP

Bogota, Colombia: Aos pés da polícia durante um protesto, um aluno exige aumento dos orçamentos universitários.

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Photograph: Ricardo Moraes/Reuters

Rio de Janeiro, Brasil: No Morro dos Macacos, um corpo cravado de balas é encontrado dentro de um carrinho de supermercado. A foto, poderosa em signo que é, correu o mundo e foi a dúvida em forma de imagem sobre a segurança do Rio de Janeiro e os Jogos Olímpicos de 2016.

Luto na cultura Pop.

Por falar em trilhas sonoras, tivemos hoje uma grande perda no meio das composições para a tv e o cinema: Vic Mizzy, autor do eterno e contagiante tema da Familia Addams. A cultura pop está de luto!








Bastardos Inglórios: Lançado CD de trilha sonora.


Circulou hoje pela web a informação que já saiu a trilha de Bastardos Inglórios, de Quentin Tarantino. Mas em nenhuma das noticias, foi mostrado a capa do álbum, se já está nas lojas ou mesmo se vai ser vendido. O fato é que o que tocou no filme já rolava por aí já faz um tempo e já não era segredo para ninguém. Enfim, eis as canções:


The Green Leaves of Summer
(d’après le film ALAMO)
De Dimitri Tiomkin, Paul Francis Webster

The Verdict
(Dopo la condanna)
D’Ennio Morricone

L’incontro con la figlia
D’Ennio Morricone

White Lightning
(Chanson principale du film LES BOOTLEGGERS)
De Charles Bernstein

Il mercenario (ripresa)
D’Ennio Morricone

Slaughter
De Billy Preston

Algeri: 1 novembre 1954 (LA BATAILLE D’ALGER)
D’Ennio Morricone, Gillo Pontecorvo

The Surrender ( La resa )
D’Ennio Morricone

One Silver Dollar (Un Dollaro Bucato)
De Gianni Ferrio

Ich Wollt Ich Waer Ein Huhn
De Hans-Fritz Beckmann, Peter Kreuder

Cat People (Putting Out The Fire)
De David Bowie, Giorgio Moroder

Mystic and Severe
D’Ennio Morricone

The Devil’s Rumble (d’après le film DEVIL’S ANGELS)
De Mike Curb

What I’d Say Zulus
D’Elmer Bernstein

Un Amico
D’Ennio Morricone

Tiger Tank
De Lalo Schifrin
Eastern Condors Rabbia e Tarantella
D’Ennio Morricone

Foto do dia: Ponte de cadeiras.

terça-feira, outubro 20, 2009

Photograph: Noel Celis/AFP/Getty Images

Não posso deixar de me maravilhar com a grandiosidade do mundo. Não me cansa ver o que não foi notícia pelo planeta. Pensar que, enquanto eu acordava e ia ao trabalho tranquilamente, crianças em Taytay nas Filipinas, driblavam os estragos de uma enchente, improvisavando uma ponte de cadeiras, para conseguir entrar em suas salas de aula.

Pequenas tragedias do cotidiano, que se tornam encantadoras quando há alguém com um camera na mão e um olhar certeiro na cabeça.

Uma imagem como uma sinfonia angelical ruidosa.
Uma imagem como um grito mudo de protesto.

Foto do dia: A man begs on a busy walkway

segunda-feira, outubro 19, 2009

Photograph: Ed Jones/AFP/Getty Images



Na correria do dia a dia, todos misturam-se a todos. Uma confusão de vidas como fluxos de água vindas de todas as partes. No meio do turbilhão, um mendigo é o alvo de um momento único, que somente o olho perspicaz poderia eternizar.

A pergunta é: o que esse homem fez para estar na condição de pedinte? Ou seria melhor, o que ele não fez em sua vida? Acredito que o melhor a fazer é não julgar. Ou se quiser, tentar ajudar. Ou apenas observar a pintura trágica do cotidiano.

Em algum bairro populoso de Hong Kong, na não menos populosa China.

Gonzo The Life and Work of Dr. Hunter S Thompson


Sempre pretendemos ser algo que não podemos ser. Nunca satisfeitos com aquilo que somos, nos deslumbramos com vivências extraordinárias, que extrapolam a forma usual de estar na vida. Talvez por isso, encarnamos mentalmente nossos heróis preferidos nos filmes, na literatura, nos quadrinhos, etc. Eles são tudo o que nós queríamos, mas nunca tivemos coragem. Ou oportunidade, quem sabe.



Este é um documentário sobre uma figura polêmica do jornalismo americano. Hunter Stockton Thompson (1937-2005), ficou famoso pelo seu romance "Fear and Loathing in Las Vegas", transformado no filme "Medo e Delírio", que teve a figura de Johnny Depp como seu fiel representante.



A Hunter é creditado a criação do termo "Gonzo Journalism" – o que alguns definem como jornalismo bizarro, ou ainda subjetivo e fictício. No fundo, trata-se de uma ramificação do “New Journalism”, um estilo no qual o repórter envolve-se de tal maneira na reportagem que ele acaba se tornando a figura central da história.


Sempre como "free lance", cursou sua carreira regada a todo tipo de droga, na qual atacou de maneira irônica, tudo e todos. Podemos ver um Hunter em seu auge profissional, entre os anos de 1965 a 1975, com imagens nunca vistas antes.



Hunter S. Thompson é, em minha vida, um grande herói. Impossível de segui-lo, impossível de ser tão genialmente avesso às regras como ele foi e principalmente, impossível de consumir tão visceralmente a quantidade de álcool e drogas que consumia em favor da sua obra escrita.



Fez dessa loucura criativa e imoral, a força motora para ser a tampa de refrigerante que arranha a pintura aparentemente perfeita do carro do hipócrita sonho americano, revelando por baixo da tinta, a lataria enferrujada de um sistema corroído por guerras, corrupção e poder a qualquer custo. Um herói que tinha dentro de si seu pior inimigo. O único homem que poderia dar cabo de sua vida. A única mão capaz de matar tudo aquilo que construiu.



É difícil ser como ele. É preciso um desapego e uma vontade de morte sem precedentes. Sim, vontade de morte. Quando não se teme a morte, tudo é possível. Durante todo o documentário, mostra-se que Hunter sempre teve apego ao suicídio. Era algo certo em sua vida. Era só uma questão de tempo. Ele queria perpetuar-se. Queria falar da morte da forma como sempre falou em seus artigos: vivendo-os. E com a morte não seria diferente. Necessitava encontra-la no momento perfeito, exatamente quando tudo estava calmo em sua vida.


Comparo-o a um samurai.


Na filosofia do Bushido, o código de honra Samurai, a morte era um meio de perpetuar a existência. A vontade de morte era justamente o que aumentava a eficiência e a não-hesitação em campos de batalha, o que veio a tornar a figura do samurai algo como o mais letal de todos os guerreiros da antiguidade.



No clássico livro samurai “Hagakure”, Yamamoto Tsunetomo fala sobre um termo peculiar, o ‘Shinigurai”. É uma expressão japonesa que significa “estar louco para morrer”, no sentido de saltar nas garras da morte sem hesitação. E exatamente isso que Hunter foi: Um homem sem hesitações. Sem medo de escrever o que queria, sem deixar de criticar o que odiava, não deixando passar por essa vida medíocre sem fazer um barulho dos infernos necessário.



Em meio a um mundo de rebeldias de playground, em que jovens se alienam em músicas insípidas e sem vigor, consumindo tecnologia de ponta e sendo parte de uma grande aldeia global tecnologicamente conectada e que não serve para absolutamente nada, para quê viver? Para quem gritar? Quem gostaria de acordar desse sonho agradável e confortável com recursos touchscreen?



Cansado disso tudo, Hunter S. Thompson pediu para parar o mundo, pois queria apenas descer.

Foto do dia: Uma galinha

domingo, outubro 18, 2009

Photograph: Akhtar Soomro/Reuters



Apesar das muitas notícias e tragédias importantes deste domingo de céu límpido que acaba de morrer, acredito que a poesia da imagem está nessa peculiaridade quase despercebida do cotidiano.

Uma galinha que espreita entre as grades de forma interrogativa, como se tentasse compreender o que lhe estava acontecendo. Com certeza, um de seus últimos pensamentos confusos e rápidos antes de ser abatida, era o desejo gigantesco de estar ciscando tranquilamente, por horas a fio, em um quintal.


Em algum lugar de Karachi, no distante Paquistão.

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