Apesar das muitas notícias e tragédias importantes deste domingo de céu límpido que acaba de morrer, acredito que a poesia da imagem está nessa peculiaridade quase despercebida do cotidiano.
Uma galinha que espreita entre as grades de forma interrogativa, como se tentasse compreender o que lhe estava acontecendo. Com certeza, um de seus últimos pensamentos confusos e rápidos antes de ser abatida, era o desejo gigantesco de estar ciscando tranquilamente, por horas a fio, em um quintal.
Muito
além da realidade rígida, há um maleável mundo de doçuras sem sentido, girando
em camadas desconexas, misturando-se ao caos necessário. O exato ponto de
mergulho para o infinito de espelhos expostos a si mesmo.
O italianoAngelo Rindone, é o
artista que se inspirou nos clássicos da arte sacra para produzir estas versões
anti-capitalistas. Ele e outros artistas, fazem parte doColetivo
A/I, que desde Março de 2001, usam a tecnologia para criar discussões sobre
privacidade, direitos digitais e ativismo político.
A idéia básica é prover instrumentos de
comunicação livres e gratuitos em larga escala, sem intermédio dos meios
comerciais. São empenhados na luta pela privacidade, especialmente contra os
governos e as grandes corporações, que se utilizam de forma indiscriminada dosnossos dados, catalogando assim, os
hábitos de vida das pessoas para fins de controle.
Um grande exemplo da utilização da cultura
Hacker a serviço da arte!
Total Recall (O vingador do futuro) é um filme de ficção científica, dirigido por Paul Verhoeven. com roteiro baseado na história We Can Remember It for You Wholesale, de Philip K. Dick. No ano de 2084, o operário Douglas Quaid, sem dinheiro para viajar, faz um implante de memória. Compra lembranças de um lugar que nunca foi. Passa a ser perseguido por visões de Marte, resolvendo ir até lá para conseguir respostas. Ao chegar no mundo vermelho, une-se a um grupo de rebeldes que lutam contra uma corporação que quer dominar o planeta.
Muito bem, não é lá um bom filme que mereça indicações de cult. Particularmente, eu gosto, apesar de ser uma tosqueira trash-cientifica, mas que na época de lançamento, brilhou com seus efeitos sofisticados.Mas enfim, o filme nada tem relacionado com o que pretendo com esse post. Na verdade, seus olhos estão prestes a ler uma pequena análise sobre vocação e satisfação. Essa parte ai de cima só serve para ambientar.
Primeiramente, efemeridade: O crescimento vertiginoso de meu estômago, que perturba a mente, que alimentam minhas reflexões e que me dá as boas vindas ao mundo da “balzaquianidade” sem volta. Em outras palavras: O tempo está ‘abaulando’ meu estômago.
O tempo ou a soma de trabalho sentado + as horas de ociosidade. A fome, filha minha que se desenvolve tão rápida e invisível dentro do ventre, toma formas estúpidas. E de repente, voa em meus pensamentos, preocupações nunca antes tidas: regime, balança, falta de fôlego.
Certo, e o Vingador do Futuro?
Bem, antes deixa eu só te falar mais uma coisa: Nas ruas, pessoas nunca mais vistas me encontram e dizem: “Oi”, “Olá”. Depois complementam com o já previsível “Mas que baita pança, hein?”. Suas línguas bífidas me fazem refletir: Só mesmo os reencontros para acentuar olhares assustados. Os reencontros, as pessoas e seus dedos em riste apontando meu pequeno monstro.
E é desse meu “monstro pessoal” que tento construir um paralelo muito do capenga com o filme em questão.
Arnold Schwarzenegger é Douglas Quaid. Ou é Hauser? Acho que é os dois, pois tem a memória substituída por outra ou coisa que o valha. É uma parada que com certeza brotou dos sonhos químicos do K.Dick. Enfim, eu ia dizendo que Arnold Schwarzenegger é Douglas Quaid e procura o líder dos rebeldes. Um tal Kuato, que nunca aparece e que até mesmo sua existência duvidosa, é considerada quase que uma lenda. Só que o velho Schwarza consegue encontrar no planeta Marte o líder rebelde, o tal Kuato. Mas o líder não era um homem, mas sim um estranho ser, que vivia dentro de outro homem, o qual usava seu corpo como hospede.
Então, acho que tenho um Kuato por trás do umbigo!
Acho que minha barriga vive de forma independente. Tem uma rotina própria. Está em atividade enquanto durmo. Tem sua própria opinião formada sobre tudo. Acho que há um sono sobrenatural que pesa nas pálpebras. Acho que respiro pouco. O efeito Peter Pan se desfaz. Tudo culpa desse meu Kuato pessoal.
Pode ser uma preocupação boba. Se comparado a outras pessoas, ainda continuo magro ou no mínimo, esbelto. Mas o problema é que nunca fui gordo. Para ser preciso, foram 29 anos sem nunca ultrapassar os 56/57kg. Nesse momento, 71kg estão sobre essa cadeira de plástico. Um polichinelo de 05 minutos me faz quase desmaiar. Flexões me dão vontade de morte. Corridas me fazem ver estrelas. O ar falta-me sempre.
O que há de errado com meu coração? Uma crônica e inenarrável hipocondria de velhice? “Rabugências” da idade? Reclamações do que?
No meu quarto, um pôster moldurado do Homem-Aranha, comprado no cinema, como parte de um combo promocional gigantesco de pipoca. E é ali que está a resposta:
O Peter Parker descobriu: “Grandes poderes, grandes responsabilidades”. Acrescentaria: “Grandes poderes, grandes responsabilidades... Grandes conseqüências”. Depois de mais de 12 anos de trabalhos enfadonhos e ‘fordescos’ em que nunca, mas nunca me senti feliz, estou livre, finalmente, para as letras.
O primeiro salário que nasceu não do meu suor, mas de meus dedos, das minhas próprias palavras. O caminho aberto para a escrita. Conseqüências: Fim do bom físico. Portões do fôlego travados. Prisões para a boa saúde em inauguração. Grávido de comida. Grávido de uma rotina sem exercícios. Grávido por passar horas sentado, alternando entre o escrever e o comer.
Mas quer saber? Mediocremente feliz. Estou grávido simplesmente daquilo que eu sempre quis fazer.
Não foi Aristóteles que dizia que um dos maiores desastres humanos é trair o próprio dom? Bom, mesmo que não tenha sido ele, é uma verdade do caralho!
Príncipe
Adam, Mentor, Teela, Esqueleto, Mandíbula, Homem-Fera, Maligna. A série de
animação He-Man and the Masters of the Universe (He-Man e os Mestres do
Universo, no Brasil), fez a cabeça de muitos trintões da atualidade.
Atualmente, a série ressurgiu na mente doentia do design alemãoAdrian Riemann, transformando a
distante e oitentista Etheria em um mundo estilososamente
hipster/newrave/fashion/indie .
Riemann se considera um “fashion-nerd”, sendo
esse o motivo de transformar um desenho cult dos anos 80 em algo “moderno”. O
artista fez o trabalho à mão, em folhas de papel A3 e pretende imprimi-los
fluorescentes, brilhando assim, no escuro.
O grande mal das tecnologias deáudioe vídeo digital, é que momentos únicos de nossas
vidas serão eternizados emhigh-definition. E quanto maior for o número depixels, maior será a fidelidade com o real. E quanto
maior for a fidelidade, maior será a dor da lembrança.
Belo, simples, preciso,
divertido, gracioso, fantástico, inteligente, apaixonante, estiloso, colorido,
moderno, clássico. Palavras não servem para os filmes deJacques
Tati. É simplesmente parar e ver o sonho passar de forma
descontraída.
Ainda
como feto, exigia de dentro da barriga da mãe seu direito de vir ao mundo. E
sob a ordem dela, Kirikou ao mundo, vem sozinho. E é de forma ao mesmo tempo
infantil, meiga e questionadora, que nasce a paixão por esse pequenino
personagem, oriundo das fábulas africanas.
Conta-se
que Kirikou, era um menino nascido muito miúdo e morava numa tribo africana
praticamente sem homens. Tudo culpa de uma feiticeira, Karaba, que não apenas
devorou como escravizou os bravos guerreiros. Restaram apenas as mulheres e um
velho, que acabam sendo perseguidos pela feiticeira e seus bonecos mágicos, os
fetiches.
Kirikou
, apesar de muito pequeno, é esperto e muito ativo. Como um ser encantado, já
nasce com a ânsia de ajudar seus entes queridos, sua família e os vizinhos de
seu povoado. Fraco pelo tamanho, mas forte de ímpetos e inocência, é o único
que não teme a maldade sem sentido da feiticeira Karaba, à qual o pequeno
Kirikou sente a mescla de sentimentos como raiva, medo e admiração.
Sempre
resolvendo os problemas de forma criativa, Kirikou é a manifestação do novo, de
algo que sempre irá questionar o modus operandi do mundo e que, acima de tudo,
sabe que a ignorância é a única maldição para os povos oprimidos.
Escrito
e dirigido por Michel Ocelot em 1998, Kirikou et la sorcière (Kirikou e a
Feiticeira), é uma magnífica animação que tomou por completo a minha simpatia,
em mais uma tarde solitária de cinema em meu quarto. No ano de 2005 , houve uma
segunda produção do mesmo diretor, Kirikou Et Lês Betes Sauvages, apresentando
alguns fatos não mostrados no primeiro filme.
Recomendo
a adultos e crianças, adentraram o universo desse personagem que infelizmente,
passou de forma incógnita pelo nosso país. Talvez, assim como aconteceu comigo,
você fique deslumbrado, feliz e maravilhado com esta magnífica e emocionante
animação.
Este é o meu Lifestreaming. Aqui documento e compartilho, de maneira contínua e pessoal, fragmentos da minha vida, pensamentos, descobertas e experiências em uma linha do tempo digital. E tudo isso, em algum momento (ou não), vira post para o meu site oficial: WWW.DENIAC.COM