O grande mal das tecnologias de áudio e vídeo digital, é que momentos únicos de nossas
vidas serão eternizados em high-definition. E quanto maior for o número de pixels, maior será a fidelidade com o real. E quanto
maior for a fidelidade, maior será a dor da lembrança.
High-Definition Blues
sexta-feira, outubro 09, 2009
Obra prima em movimento.
segunda-feira, outubro 05, 2009


Belo, simples, preciso,
divertido, gracioso, fantástico, inteligente, apaixonante, estiloso, colorido,
moderno, clássico. Palavras não servem para os filmes de Jacques
Tati. É simplesmente parar e ver o sonho passar de forma
descontraída.
Por que eu gosto de Fábio Moon e Gabriel Bá?

Porque eles são os gêmeos e os gênios das Hq´s independentes brasileiras.
http://10paezinhos.blog.uol.com.br/
Só por isso!
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Só por isso!
Sessão da Tarde no Quarto: Kirikou et la sorcière
quarta-feira, setembro 30, 2009
Ainda como feto, exigia de dentro da barriga da mãe seu direito de vir ao mundo. E sob a ordem dela, Kirikou ao mundo, vem sozinho. E é de forma ao mesmo tempo infantil, meiga e questionadora, que nasce a paixão por esse pequenino personagem, oriundo das fábulas africanas.
Conta-se que Kirikou, era um menino nascido muito miúdo e morava numa tribo africana praticamente sem homens. Tudo culpa de uma feiticeira, Karaba, que não apenas devorou como escravizou os bravos guerreiros. Restaram apenas as mulheres e um velho, que acabam sendo perseguidos pela feiticeira e seus bonecos mágicos, os fetiches.
Kirikou , apesar de muito pequeno, é esperto e muito ativo. Como um ser encantado, já nasce com a ânsia de ajudar seus entes queridos, sua família e os vizinhos de seu povoado. Fraco pelo tamanho, mas forte de ímpetos e inocência, é o único que não teme a maldade sem sentido da feiticeira Karaba, à qual o pequeno Kirikou sente a mescla de sentimentos como raiva, medo e admiração.
Sempre resolvendo os problemas de forma criativa, Kirikou é a manifestação do novo, de algo que sempre irá questionar o modus operandi do mundo e que, acima de tudo, sabe que a ignorância é a única maldição para os povos oprimidos.
Escrito e dirigido por Michel Ocelot em 1998, Kirikou et la sorcière (Kirikou e a Feiticeira), é uma magnífica animação que tomou por completo a minha simpatia, em mais uma tarde solitária de cinema em meu quarto. No ano de 2005 , houve uma segunda produção do mesmo diretor, Kirikou Et Lês Betes Sauvages, apresentando alguns fatos não mostrados no primeiro filme.
Recomendo a adultos e crianças, adentraram o universo desse personagem que infelizmente, passou de forma incógnita pelo nosso país. Talvez, assim como aconteceu comigo, você fique deslumbrado, feliz e maravilhado com esta magnífica e emocionante animação.
Sites Oficiais:
Kirikou et la sorcière (1998)
Kirikou Et Lês Betes Sauvages (2005)
O filme completo no youtube, em 08 partes:
http://www.youtube.com/watch?v=gxUiV9-R26k
Momento Roland Barthes: A bolsa.
terça-feira, setembro 29, 2009
Nas superfícies dos oceanos Denotativos, apenas uma bolsa aberta. Nos subsolos úmidos do mundo Conotativo, uma bolsa aberta, rósea e aveludada.
Ilustração do dia: A troca de flores.
segunda-feira, setembro 28, 2009

Aqui,
um delírio do artista Begemott. A simbólica ilustração de um amor impossível.
Antagonismos da vida?
A força e a delicadeza?
O inumano e o humano?
A mecânica e a biologia?
O autômato e a criança?
Ou simplesmente a ligação invisível do afeto?
A simplicidade genial de Panzo Di Ferragosto

As tardes, assim como os anos, têm
passado de forma rápida. Quentes que são, dão-me um sono sobrenatural. Caio na
cama e olho o telhado. Em especial, uma pequena fresta, fruto das caminhadas
noturnas dos gatos vadios. Dali, saí a luz amarela do fim da tarde. Uma luz que
me guia, como uma passagem, para um sono rápido, cheios de sonhos mirabolantes,
com lugares e pessoas que foram resquícios de minha vida, principalmente da
infância.
Ao acordar, a mente está viva,
afiada como um bisturi de ouro, leve como a pata de uma minúscula formiga.
Ideal para sorver o mundo e suas mais variadas manifestações artísticas. Então,
não quero mais passar tardes de sono sem sentido, que consomem o tempo e
engordam minha barriga. Por isso, nessa semana, escolhi o cinema para manter
minha mente viva. E assim vou passar essas tardes.
É como uma espécie de "Sessão
da Tarde em meu quarto". Nele há um critério que sigo: os filmes surgem ao
sabor do acaso. Ao folhear uma revista antiga, um jornal velho, uma dica de
amigo, uma lembrança repentina. Nada de listas, nada de períodos, nada de
estilos. Só o acaso.
Comecei com a comédia italiana
"Panzo Di Ferragosto", dirigido, escrito e atuado por de Gianni Di
Gregório. Na pele de um cinquentão solitário e claro, solteiro, Gianni é um daqueles
personagens que carregam toda uma áurea de homem sofredor, que só fez bobagens
na vida e não conseguiu crescer no amor e tão pouco na vida profissional.
Dedica-se exclusivamente aos cuidados da mãe, bastante idosa e cheia de
pequenas manias. Com muitas dívidas, tem nos vinhos brancos o único alivio para
uma vida enfadonha e sem grandes perspectivas.
Ao menos por um fim de semana,
tudo muda: o síndico do condomínio o procura para uma proposta tentadora: ele
aliviaria as dívidas de Gianni caso aceitasse cuidar de sua mãe, também uma
mulher idosa, para que ele aproveitasse o "Ferragosto", um dos
feriados mais importantes da Itália. O tal feriado é celebrado no dia 15 de
agosto, um momento que a população aproveita para ir à praia, ao campo, entre
outras pequenas celebrações em família.

Além da mãe do sindico, outras senhoras acabam indo parar nas cuidadosas mãos de Gianni. E ele se vira como pode para proporcionar momentos alegres e calorosos para essas senhoras tão irrequietas. A maioria das resenhas que li, trata o filme como uma típica comédia italiana, uma crônica de costumes de uma Roma sem glamour, onde o povo comum é evidenciado. E é verdade.

O simples, o corriqueiro, as coisas normais da vida, ganham aqui um lugar mágico. Sem efeitos, sem grandes eventos, apenas um solteiro endividado cuidando de velhinhas espirituosas. Senhoras que nos ganham o coração e nos despertam para o simples da vida e o momento que, uma hora ou outra, teremos de enfrentar: a velhice.

Adiciono
ainda, o fato do personagem Gianni carregar em suas feições, uma certa
"tristeza esperançosa", um certo "cansaço do mundo", que me
foi bastante singular. Mas nada disso o torna uma pessoa amarga, sem coração.
Na verdade, é um ótimo filho, dedicado aos caprichos da mãe, que lhe ensinou a
boa culinária italiana e a apreciação dos vinhos. Um filme em que nada
acontece, e que exatamente por isso, é tão especial.

E com a fita, confirmei algo que
sempre quis saber: o povo simples da Itália é realmente "tutti buona
gente!".
Trailer:
Dia D, de Drummond
segunda-feira, setembro 21, 2009
Penetre surdamente no reino das palavras, pois é nele que se encontra a vida e a obra de um dos maiores poetas da língua portuguesa. Vá e seja bem-vindo ao póstumo templo virtual erguido em nome do imortal poeta Carlos Drummond de Andrade, aquele que libertou o verso de suas amarras, mas cujo maior talento era a humildade diante do próprio.
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