Na
estação Liverpool Street, uma música se inicia nos auto-falantes. Pequenos
grupos começam a acompanhar o som. De repente, como se um vírus sonoro tomasse
conta do lugar, todos os que ali estavam dançam sincronicamente. Uma euforia
coletiva está por todos os lados. Todos são únicos por três minutos. Mas enfim,
o que seria isso?
Nada demais, só o verdadeiro significado da
palavra "futuro" materializando-se à nossa porta através de um
comercial. No caso, esse é da Saatchi & Saatchi para operadora T-Mobile.
E o que eles querem nos passar com isso?
Life´s for
sharing!
As novas tecnologias da informação ajudando-nos
a compartilhar a vida.
Não
há mais rebeldes como em 1992. Sim, claro que houve vários depois desse ano.
Claro que aconteceu um rio de posturas revolucionárias, eternas enquanto a
juventude e a moda do período ditavam as regras. Claro que houve tudo e tudo
aconteceu. Mas me deixo levar pelo meu egoísmo, pela minha vontade de ser
adorado, pelo meu rock star morto e frustrado no coração adolescente. Lembro
com paixão, lembro com loucura nos lábios, com saudades no olhar, com gosto de
vodka e refrigerante na boca, que nunca houve rebeldes como os de 1992.
Tínhamos
uma cidade inteira sem violência, onde percorríamos as ruas até as ultimas
horas da madrugada. Bebida forte, vinho de quinta categoria, nuvens que quase
nunca explodiam em chuva forte, praças mortas com bancos de cimento confortáveis.
Pertencíamos a toda uma vida sem dinheiro suficiente, uma vida sem carros para
nos levar de volta para casa. Éramos Hell´s Angels de bicicletas velhas, toca
fitas com headphone nos bolsos e muita musica com paredes ruidosas de sons
lisérgicos vindos de Manchestes, Liverpool e Londres. E não eram Beatles, não
eram Rolling Stones.
Era
Jesus and Mary Chains, Ride, Chapterhouse, My Bloody Valentine e tudo que
soasse frio, vazio, ruidoso e porque não, delicado. Musica ruidosa,
desagradável aos ouvidos, distorção ensurdecedora. Nossas canções favoritas era
uma fruta deliciosa com uma casca cheia de espinhos. E lavava nossas almas.
Aliviavam nossas dores adolescentes. E para acompanhar, havia além do álcool,
éter e clorofórmio. Clorofórmio era LSD suburbano para embalar canções de amor
barulhentas e lisérgicas. Canções como esse hino de rebeldia “shoegaze” que é “Kick the
tragedy”.
Quantas
vezes ouvi isso voltando para casa, literalmente encharcado de bebida,
pedalando de olhos fechados na minha velha bicicleta enferrujada? As paredes
sônicas me levando pelo ar sob bilhões de pontos de luz no espaço. Lua branca
de cidade industrial e poluída reinando no céu negro. E tendo como única
riqueza, fitas gravadas de um amigo que trazia as novidades de São Paulo!
Aos
14 anos, era desregrado, estranho, solitário, sem rumo... E tudo era possível.
Magicamente possível. E é disso que sinto mais falta...
Em 1992 eu provavelmente te diria: "Ouça
para sentir-se melhor quando o mundo te fode a alma."
Um bicho de pelúcia aos 30 não é lá uma coisa à ser anunciado aos quatro ventos. Não é legal comentar na roda de amigos, entre uma cerveja e outra. Não pega bem revelar isso no intervalo do cafezinho ou no inicio de uma reunião de trabalho. Imagina se ainda por cima, sabem que você anda dormindo abraçado, bem apertado, sentindo o cheiro do poliéster novo? Já não bastava dormir com uma siamês vesga e agora essa novidade, uma pelúcia?
Aos meus olhos isso não é vergonha. Vergonha mesmo é nunca saber quando usar uma crase, divisão com mais de dois algarismos e gostar de futebol.
Sábia
e pitoresca, a natureza ordenou às até então mulheres primitivas das cavernas
que caso quisessem andar eretas e sob saltos gigantescos, uma única condição
seria necessária: na 3ª idade, a menopausa surgiria para evitar umacompetição
reprodutiva entre as mais novas. Um “desperdício evolutivo”, dizem os
cientistas. Mas não concordo. Conheço unsjaponeses
que vão contra esse padrão natural.
:::
Publicada
nos principais jornais desse domingo (14/12/2008),uma pertinente crônica da Danuza Leãofalava sobre restaurantes chiques com
seus pratos parcos em quantidade, mas expansivos em seus preços. Ela sintetizou
exatamente o que a grande maioria deve pensar em relação a ser um apreciador de
uma boa culinária e que, no fundo, todos fingem achar normal tais preços. “Um
camarão sozinho num prato: fala sério. Mas os restaurateurs, além de estarem
fazendo muita gente de boba, devem estar bilionários, pois esse tipo de comida
é caro. Aliás, caríssimo”.
Não
largo meu cuzcuz com leite em pó por nada nesse mundo!
:::
Também
adorei outra crônica dominical, mas essa é do Veríssimo. Foi sobre Woody Allen
e seu mais recente filme, “Vicky Cristina Barcelona". Ele disse: “Dá para
imaginar o Woody Allen escrevendo o roteiro em cima da coxa, no quarto do
hotel, louco para voltar para casa. Há personagens que aparecem e desaparecem
sem função ou explicação, e o Woody Allen poderia ter nos poupado, e ao seu
currículo, o pai pintor do Javier Bardem, que não pinta mais porque há pouco
amor no mundo".
Lembro
que quando fui assistir, eu estava com uma dor de cabeça horrível, culpa do meu
vicio infeliz por café. Estava na “bruxa”, nem uma gota da droga na mente.
Achei que não tinha sacado algo, burrice devido a dor. Mas que nada, a parada
foi ruim mesmo! Até então eu tinha ficado calado, sem dizer a ninguém que achei
uma droga. Não ouso falar mal do Woody! Não mesmo!Deixo esse árduo trabalho para o Verissimo!
Não ficou lá essas coisas, mas acho que está bom. Tenho uma "coolhunter" particular que vai dar o veredito final. Por enquanto, deixa estar como está...
Enquanto reestruturo o blog, estudo para uma prova final de Planejamento em Comunicação e re-escrevo meu pré-projeto (o qual recebi míseros 2,0!), uma bela e inusitada foto da Jornalista e escritora Ana Carmen Foschini. Só para aliviar por segundos o dia quente e "trovejoso" que nos surpreendeu nesses "tempos de fim dos tempos"!
Este é o meu Lifestreaming. Aqui documento e compartilho, de maneira contínua e pessoal, fragmentos da minha vida, pensamentos, descobertas e experiências em uma linha do tempo digital. E tudo isso, em algum momento (ou não), vira post para o meu site oficial: WWW.DENIAC.COM