A fenomenologia do ambiente

sábado, setembro 27, 2008

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Profundo, vagaroso, etéreo, sideral.

Baixei esses dias a coletânea belga de ambient music Freezone 1: The Phenomenology of ambient, de 1994. Relaxei profundamente com as faixas de artistas clássicos do gênero como Solar Quest, Moby, Terre Thaemlitz, Ken Ishii, Geir Jenssen (aka Biosphere), Air (aka Pete Namlook), entre outros.


Ótimo para leituras de ficção cientifica ou mesmo para navegar a deriva através desse eterno mar de informações que é a web. 

Em particular, aprecio estudar ao som desse álbum. Há algo em sua sonoridade que abre o cérebro e o faz mergulhar no que está se lendo. Ou mesmo te faz cair na paisagem que se observa da janela de um carro ou ônibus. Leva a mente a produzir uma calma para o corpo, que por sua vez, abre caminho a uma melhor percepção.

Talvez até, algo como uma trepanação sonora para compreender melhor tudo o que nos cerca.








Ouça Sussan Deihim & Richard Horowitz - Desert Equations


Y - The last man e DMZ: quadrinhos para despertar

terça-feira, agosto 05, 2008




Passar a maior parte do tempo de uma cidade para outra, entre um ônibus e outro, deixando o tempo escapar pelos dedos de forma ociosa, é sem duvida uma perda de energia sem precedentes. Ter uma vida social/cultural concentrada em outra cidade dá nisso. 

Por isso, as rápidas viagens de 70, 90 minutos não podem passar em branco, tenho que ler. Mas desde o colegial, minha mãe adverte sobre os males da leitura em movimento. Do quão perigoso é ler em carros e ônibus, da possibilidade horrenda de ter um descolamento da retina

Foi nesses momentos de enfados de ir e vir, de estar cansado da mesma estrada, da mesma janela com as mesmas paisagens, que resolvi comprar a edição nº16 da Pixel Magazine. Uma feliz aquisição, certamente arranjada pelas forças do destino. 

Como explicar que as historias ali contidas viriam a reacender um fogo, uma esperança de que algo no mundo pessoal da minha imaginação e fantasia não estavam perdidos? Como entender que justamente nessa edição, eu pude me re-conectar nas antigas crenças do que era minha idealização sobre o jornalismo?

Refiro-me aqui a duas coisas que me chamaram a atenção: "Y- O ultimo homem" e a crônica/apresentação da saga DMZ, escrita pelo editor-chefe da revista Set (Rodrigo Salem) intitulada "Cinzas da bandeira americana". 

Em "Y", temos a surpreendente constatação de uma estranha doença que extermina todos os machos do planeta, deixando apenas um rapaz e seu macaco de estimação como sobreviventes. Um mundo inteiro de mulheres, de fêmeas a sua disposição? Não mesmo. A suposta sorte tem mais é cara de maldição. Constatação essa que certamente o jovem Yorick encontrará nas próximas edições. 

Escrita por Brian K. Vaughan, um dos vários roteiristas de Lost, "Y- O ultimo homem", entrou na minha corrente sanguínea, e já visualizo as possibilidades dessa estranha realidade e que tipos de acontecimentos isso pode levar. Desde já, me vejo viciado e preocupado com mais uma coleção que certamente torrará meus bolsos e deixará um pouco longe do sonho do meu primeiro milhão (nos EUA durou por 60 edições e aqui no Brasil, cada revistinha custa R$10,90).

E em DMZ, o que temos? Bem, temos os EUA numa guerra civil que dividiu o pais. Temos o cara que está no centro nervoso desse inóspito acontecimento futuro, o fotojornalista Matthew Roth. Temos ainda o seu medo da morte, sua frustração perante um conglomerado de noticias que o oprime e sacaneia. Há também Brian Wood, o criador dessa bomba maravilhosa que nos acorda para esse mundinho dito moderno que vivemos, de controle disfarçado e quase imperceptível. O texto do Rodrigo Salem, ao final do episódio, é de levantar defunto da cova.

Sael escreve com força e raiva necessária que colegas de faculdade não costumam ter. Um jornalismo que se perde devido a essa mesma disciplina que paira sorrateira sob e sobre nossas cabeças. De professores que não mais nos despertam a nada. Do próprio sistema que nos domestica como gatos gordos e felpudos, nos alimentam sem parar, dando o conforto que escraviza.

Aprendi com o Rodrigo: pense em Google. Pense em Facebook. Pense em Twitter. Grandes empresas travestidas de livre-arbítrio. Gosto de rebeldia, da agressividade nos textos, de mexer nas entranhas do pensamento e fazer pensar por dentro. É isso onde eu queria chegar, onde quero me apegar: aprender a pensar com o coração, com a mente e com o punho.

Ah, claro: e escrever estórias incríveis como as destes quadrinhos.



Plantas trepadeiras

quarta-feira, julho 30, 2008



A sexualidade da natureza. Um viral obsceno do Greenpeace.




Na mente e nas telas, The Spirit

quarta-feira, julho 23, 2008


A adaptação cinematográfica de um clássico das HQ´s por Frank Miller vai ser uma viagem de volta a minha mente pré-adolescente, em que quadrinhos preto e branco me levavam para um universo distante do qual eu vivia, e que, segundo a minha mãe, adubava meu cérebro com coisas inuteis. 

  The Spirit me apareceu em 1993, por acaso, e com ele comecei a me interessar pela obra de Will Eisner.

E com o traço cinematográfico de Will, me interessei pelos anos 40. E dos anos 40, me apaixonei pelas metrópoles sujas e decrépitas, a fascinação por Nova York, por fumaça de cigarro dançando pelo ar de bares soturnos. E dos bares soturnos, me vi envolvido por música jazz saindo de trompetes tristes para beberrões solitários. Marinheiros encrenqueiros e suas deusas pin ups tatuadas no braço. Me vi idolatrando vagabundos sujos, mulheres depravadas e finalmente, pela beleza obscura dos filmes e da literatura Noir.

Em suma, é assim mesmo. Um amor sempre leva a outro.

Cloverfield: terror do século 21

segunda-feira, fevereiro 11, 2008



Ok ok ok.

Acabo de chegar do cinema e vejam só, os pelos do corpo estão mais ouriçados do que meu gato quando se defronta com o cachorro ensandecido do vizinho. O coração ainda bate forte e não sabe ao certo o que vi para fazê-lo trabalhar a todo vapor.

Meu estômago revira como uma lavadeira de roupas envenenada movida a nitro. O sangue corre pelos tubos das veias, pulsa numa jornada rápida por todos os órgãos que precisa irrigar, levado por uma adrenalina sem precedentes, desenfreado.

Em resumo, tudo dentro de mim está como se recebesse um único e visceral aviso extraordinário: FUJA! Mas exatamente do que?

Cara, eu sempre soube que o demônio andava pela Terra, que passeava por aí fazendo diabruras e se deliciando com o caos. Mas o que eu não sabia, é que o danado tinha se materializado em corpo de homem. Para ser mais exato, na pele de um homem famoso no mundo da TV e do cinema; Um homem que conseguiu fazer com que as inicias de seu nome fossem sinônimo de aventuras bem feitas, com mistérios tão saborosos e envolventes, que hipnotiza qualquer um que fique trinta segundos assistindo as suas produções. Pois bem meus amigos, apresento-lhes o diabo, e ele se chama J.J. Abrams.

Só por citar Lost (sua principal cria), dispensa o desperdício de comentários já batidos e cheios de clichê. O cara que produz o seriado mais visto em todo planeta, é o cabeça, é a matrona, é o maestro infernal do fim do mundo que é o maravilhoso Cloverfield. Claro que apesar de todo o seu poder, J.J não orquestrou o pandemônio sozinho; chamou Matt Reeves (diretor) e Drew Goddard (roteirista) para lhe ajudar na árdua tarefa de fazer nós, míseros espectadores comedores de combos de pipoca, cagarem-se de medo. 

Estes foram espertos e simples: misturaram a agonia de medo-com-câmera-caseira-e-tremida de "A bruxa de Blair", imagens de destruição com prédios esfarrapados (resquícios subconscientes do ataque terrorista de 11 de Setembro) e uma pitadinha de nada de um Godzilla com grito estridente. O resultado? A reinvenção do gênero "Terror" no século 21. Abrams-Reeves-Goddard fundem-se num só corpo e cospem na nossa cara como um bom filme de terror moderno deve ser. Chacoalha nossos nervos de antigos espectadores passivos e sem nos tirar da cadeira, nos insere impiedosamente dentro da destruição e do pavor. Nos faz sentir a fria e pegajosa língua da morte em nossa nuca, em sequências infinitas e desconcertantes. Vampiros, lobisomens, múmias, espíritos, ets e etc. Quem ainda se assusta com isso? 

Posso ter exagerado na dose, posso ter descrito o filme de uma forma extravagante e sem muito embasamento crítico. Falem o que quiserem, que o troço é blockbuster, que é filmão de garotada de shopping, que sou mais uma presa idiota das armadilhas mercadológicas de Hollywood... Mas convenhamos: se é para cair como uma mosca tonta numa armadilha para insetos, ao menos me iludam de forma eficiente, assim como J.J Abrams fez no cinema, assim como o diabo fez com Adão e Eva.



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Seus amigos nunca te deixarão sozinho

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Sabe aquelas brincadeiras sacanas que você fazia/faz com seus melhores amigos quando estão mortos depois de uma noite de farras dantescas? Aquelas armadilhas fantásticas e imaginativas, cheias de fitas adesivas, tintas, comida e coisas gosmentas que os mais fracos sempre caem como um ratinho frágil e chapado numa ratoeira gigantesca?

É justamente esse universo único que este vídeo da banda Justice (um mash up de 'never be alone' do Simian), se inspira.


Nos nossos dias pós-tudo, as mais profundas e sujas águas do comportamento humano fazem as regras para o entretenimento dos milhares de "youtubespectadores".



Desculpe, eu errei sobre o futuro

sábado, fevereiro 02, 2008



Errei achando que tudo iria se transformar em direção ao novo, à uma nova ordem de pensamento; errei ao imaginar que as mentes jovens de hoje procuravam sempre o atual e o original, e não o antigo e datado.

O futuro realmente não é como era antigamente. E tudo, no fundo, estagnou em uma grande bola de aniversário, onde pensamentos, culturas e músicas, de todos tipos, lugares e épocas, se acumulam sem parar.

Ao longo dos séculos, a humanidade se reinventa. Modifica apenas algumas coisas. E isso sim é o futuro: um pneu velho, recauchutado com diferentes tiras de borracha temporais.

Além disso, o futuro também é uma calça jeans caipira festa junina. 

Felicidade de Papel

sexta-feira, setembro 21, 2007


Tenho certeza que o tempo frio, aliado a leituras agradáveis, fazem muito bem para almas inquietas. 

Aqui, no casulo do quarto, há deleite com um universo em que poucos conseguem compreender: a calma feliz e solitária de livros-amigos que são como a extensão de minha própria personalidade. 

Eu e eles, na profunda calma da noite chuvosa, ouvindo a água escorrendo pelas ruas, como uma multidão de risadas de programas de auditório.


...

quarta-feira, setembro 19, 2007



BlogDay

sexta-feira, agosto 31, 2007


Blog Day 2007


Pois bem, 31/08 é o dia mundial do blog. Ou dos blogs. Por que? Pelo simples fato dos números "3108" parecerem com a palavra "blog"! E nesse dia, todos os bloggers do mundo todo recomendam até 05 outros blogs totalmente diferente dos seus. O site especialmente criado para a comemoração (BlogDay), nos explica melhor:


"BlogDay foi criado na convicção de que os bloggers deverão ter um dia dedicado ao conhecimento de novos blogs, de outros países ou áreas de interesse. Nesse dia os bloggers recomendarão novos blogs aos seus visitantes."



Então, aqui vai as minhas 05 indicações para esse dia:


01 - Astronauta Roger


02 - Textos ao vento


03 - Rebucados aleatorios


04 - S.O.B.R.E.T.U.D.O


05 - Alta Fidelidade




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