Dia D, de Drummond

segunda-feira, setembro 21, 2009

carlos-drummond-de-andrade-1902-1987



Penetre surdamente no reino das palavras, pois é nele que se encontra a vida e a obra de um dos maiores poetas da língua portuguesa. Vá e seja bem-vindo ao póstumo templo virtual erguido em nome do imortal poeta Carlos Drummond de Andrade, aquele que libertou o verso de suas amarras, mas cujo maior talento era a humildade diante do próprio.



O Leitor



Não é uma resenha, pois há muitas por aí, repetindo-se como um eco eterno pelas conexões da grande rede. Não é um comentário analítico, pois não tenho o interesse de masturbar-me intelectualmente e de forma pública. É apenas o que achei mais digno a contribuir com o conhecimento do resto do planeta. Por isso, penso que:

- Cada livro é um micro-universo.

- Cada livro é uma micro-vida.

- Cada livro é uma simulação de algo que você talvez nunca vá viver.

- É um caminho solitário para aventuras silenciosas.

- Um mergulho profundo dentro de nossas vozes inconscientes.

- Uma licença temporária para viajarmos por sonhos lúcidos.

Então, é realmente uma tristeza quem está privado dos livros e seu código primário: a leitura. Seja por deficiência ou ignorância, é uma porta a menos para fugas necessárias. Uma forma de estar vivo e morto ao mesmo tempo. Ou um nutriente a menos para fortificarmos nossa invisível sabedoria.

Assim sendo, não ler seria, como a osteoporose do espírito.




Pegando pesado com Rammstein

quinta-feira, setembro 17, 2009

 

Jonas Åkerlund é um sueco muito louco. Nos anos 80, tocou na clássica banda de Black Metal Bathory. O tempo passou e ele resolveu ser diretor cinematográfico, mais precisamente, na área dos videoclips.

 

Fez alguns com o Roxette, Madonna, U2 e outros ícones pops. Porém, o que o deixou realmente conhecido, foi suas polêmimas, como no clip-junkie “Try, try, try”, do Smashing Pumpkins. Alí se encontrou, adotando a postura “barra-pesada” como principal estilo.


Não à toa que a banda de metal/industrial Rammstein o convocou para produzir o clip “Pussy”, que está em seu mais recente CD, intitulado "Liebe ist für alle da" (O amor é para todos), (que por sinal, já vazou na internet). O clipe, claro, tem na polêmica seu ponto forte, com um pesado conteúdo pornográfico.

 



 

No vídeo em questão, os próprios músicos aparecem em cenas de sexo e atuam literalmente conforme a letra, que diz: “Você tem uma..., eu tenho um.../ Então, qual é o problema? / Vamos fazer rápido”. Paralelo a isso, sequências de imagens com muito sadomasoquismo, mulheres enormes com o rosto de nerd do tecladista e uma bizarrice sem igual: uma “suave alusão à coprofilia”.


Sentiu o drama?


Obviamente, o lançamento do vídeo não aconteceu na TV, mas apropriadamente em um site de conteúdos para adultos. Esse novo álbum é o primeiro da banda em quatro anos e chega às lojas em 16 de Outubro (como se hoje em dia alguém frequentasse alguma loja de cd´s!).



Se você é maior de 18 anos, confira a bagaceira:


http://www.visit-x.net/CAMS/US/specials/Rammstein.html?track=Index


Críticas e censuras? Não perca tempo, os caras do Rammstein, não estão nem aí.

Wi-fi para quem?



É o que imagino, quando vejo twitters com seus efusivos comentários de aquisições tecnológicas.

Via @carlosaraujo

Hoje, na Folha de São Paulo.

Foto do dia: Carlo Mari

terça-feira, setembro 15, 2009


De perto, tudo parece grande!

Air - Sing Sang Sung

sexta-feira, setembro 11, 2009



O mundo conheceu hoje a calma psicodelia de "Sing Sang Sung", primeiro hit de "Love2", novo album do Air.

Um desejo: camisa pós-cyber.

terça-feira, setembro 08, 2009





Um mostro eletrônico com milhões de cabeças nos observa e oprime sem ferir. Conhece nossos passos, nossas rotas, nossos gostos, nos "guarda" da maldade inerente do ser humano. Mais que uma estampa, um grito de liberdade cool!

Uma dica de @kr3st0

Vídeo-arte do Dia: Ólafur Arnalds - Ljósið




A impronunciável "Ljósið", do islandês Ólafur Arnalds, surgiu hoje (08.09.2009) aos meus olhos e ouvidos como uma dica do grande mestre da ilustração moderna, @Davemckean (aliás, chamar Dave Mckean de ilustrador é raso, é pouco, é até herético. Prefiro sua auto-definição no twitter: "Write, draw, paint, design, photograph, publish, play, eat, sleep, dream, fish").

Ólafur Arnalds é um daqueles prodigiosos artistas de sinfonias delicadas e oníricas, mentor de texturas sonoras que remetem aos sonhos mais surreais. O vídeo em questão teve direção do argentino Esteban Diácono, um "motion graphics designer" com inspirações que vão além do que nossa sã consciência pode imaginar. Só mesmo a arte digital para dar vida ao que o dicionário Michaelis denomina como "sequência de imagens e de fenômenos psíquicos que ocorrem durante o sono".

Um fotógrafo: Antonio Andrade

quinta-feira, setembro 03, 2009



Glamour, decadência, erotismo, urbanidade, fetiche, “trash 80”. O estranho e imaginativo portfolio de Antonio Andrade, fotógrafo brasileiro de moda, que aos poucos ganha a devida visibilidade mundial. 



'Homem de Ferro" em fluxo de pensamento.


Ontem à noite finalmente assisti a Iron Man. Não delirei nem tive espasmos de felicidades. Apesar de toda aquela tecnologia prodigiosa de Tony Stark, que sempre me envolveu nos quadrinhos. As tecnologias sempre estiveram dentro do meu imaginário. Sempre estiverem no momento necessário onde uma companhia humana não estava. Uma TV Philco antiga, uma vitrola sonata e um rádio velho da Sharp que sintonizava ondas curtas e línguas estranhas. Toda a minha adoração por máquinas veio desses três objetos. Por isso, gosto de filmes como Iron Man. Tanto que o achei interessante, mesmo com o sono da tarde acumulado nos olhos. Não gostava de dormir nesse período, mas meu corpo muda. Desaprende a cada dia a ser jovem. Acho que por isso se fosse mais novo, meu cérebro teria adorado e amado Iron Man. Como estava dizendo, não é de todo ruim. Claro que tem que ser fan de quadrinhos, dos heróis impossíveis que ali vivem. É vibrante a velocidade, a tecnologia total que o personagem se insere. Uma boa dose de impossível que alimenta meu estado adulto. Refrigera a memória adolescente que outrora meus poros derramavam em suores de camisas pretas de bandas obscurras. Foi um momento comigo mesmo, deitado na cama, com o LCD virado para o colchão. Lá fora, chovia lá e ventava muito, gotículas do céu pingavam na tela, exagerando os pixels em multicores como arco-iris digital. Não sei como, nem porque ainda assisto a blockbusters e sucessos de bilheteria. Mas mesmo assim, gosto de lamber a cultura de massa de longe. Gosto de ouvir os burburinhos que a a multidão emite. Mesmo que seja para falar mal, ou “um pouco bem”. O fato é que assistia aquele festival de tecnologia cinematográfica e me sentia mal em pensamento. Havia comprado esse DVD no antigo trabalho, por 5 míseros reais. Não me orgulho disso, eu sei, mas, o filme devia ter sido caro e cheio de cifras. E eu ali, no meu colchão babado, cheio de imensas manchas de saliva, assistindo a uma cópia pirata de 5 mangos. A pessoa que me vendeu alugava os filmes e os copiava em casa. Pessoas como ela detonam as locadoras. Falta-me frases, falta-me palavras. Falta-me imaginação, criatividade, doçura na língua, mais adjetivos, sangue literário nas veias. Suar palavras pelos poros. Arrotar histórias sem fim e fantásticas. Aqui estou mais uma vez, repetindo palavras. Repetindo alusões. Corpo, poros, sangue, saliva. Querendo ser grotesco e anormal. Levando a mente pela sinuosidade das letras. A eterna estrada do texto perfeito que nunca acaba. Tão brilhante quanto o dourado da estrada de tijolos de ouro da pequena Dorothy rumo ao castelo grandioso do Mágico de Oz. Tão dourado quanto o sol que em instantes nascerá no horizonte. Tão “amarelamente” dourado quanto a carapaça cibernética do Homem de Ferro, minha primeira tatuagem falsa de chiclete!

Curtir