Mushroom
sábado, março 17, 2007
Algumas canções são verdadeiramente eternas!
Get Along Gang: a canção pop perfeita
Apesar de não ter sido um grande fã do desenho, o tema de abertura era um incrível e dançante rock bubblegum.
É uma musiquinha pop, grudante, que reverberou tanto na minha mente que, ao chegar na adolescência, procurei sons similares para ouvir. Resultado: essa é a origem de minha paixão por bandas similares ao Teenage Fan Club.
Rádio lost
sexta-feira, março 16, 2007
Em 1986, ganhei um radinho de pilha verde e amarelo, com o tema da copa do mundo. Captava além das tradicionais frequências AM/FN, as internacionais ondas curtas
Era incrível ouvir pessoas de outros países, conhecer palavras incompreensíveis, tocando musicas estranhas das regiões inimagináveis. A melhor captação das transmissões se dava pela noite. Foi certamente o meu primeiro contato (através de um aparelho eletrônico) com o mundo.
Lembro como aquilo me fascinava, como me sentia privilegiado por estar "conectado" de alguma forma com o que estava acontecendo naquele exato momento do outro lado do mundo. Cada milímetro do dial era uma experiência sonora diferente.
Nestes, houve um episódio de "Lost" que terminava com Sayid e Hugo ouvindo um rádio em ondas curtas, na beira da praia. Saiyd dizia "Essa transmissão pode estar vindo de qualquer lugar do mundo", ao passo que Hugo de pronto respondia: "Ou qualquer lugar do passado!".
Ouvir rádio hoje em dia, já não é tão fascinante. Ainda mais em ondas curtas. E depois de inovações tecnológicas como a internet, o mp3 player e o tal "Roku Network Music Player & Internet radio", o costume é mais que démodé.
Mas eu, vindo de uma outra época, uma mais low-tech, tenho outros olhos. Usufruo as iguarias cybers atuais de forma muito mais profunda e completa. E as míticas "short waves" não mais fazem sentido.
Pelo menos se você não estiver numa ilha deserta, aguardando um resgate, que talvez nunca aparecerá.
Cerimônia da boa adolescência
No cinema, vi um dos trailers de "Marie Antoinette", a recente película da Sofia Coppola. Um momento memorável: arrepiei-me ao ouvir uma das musicas de minha vida, vibrando bem alto das fabulosas caixas de som de um sistema 5.1. Era a canção“Ceremony”, do New Order.
Gosto desses momentos em que minhas lembranças parecem tomar vida, a ponto de saltar da mente, como que se exibindo e voando pelo espaço, alegre por reviver.
Talvez, da mesma forma, a garotinha do vídeo acima terá a mesma sensação nostálgica, quem sabe, um dia no futuro. Lembrará com saudades quando o irmão a filmava interpretando uma das músicas mais emblemáticas do grupo, em seu quintal pequeno, um mundo à parte em seus olhos imaginativos.
Dolce & Gabbana e seus anúncios de "liberdade criativa"
Mas esse aí foi vetado na Espanha, para o desprazer dos mais afoitos apreciadores de um bom "gang-bang".
Você conhece Robert Adler?
sexta-feira, fevereiro 16, 2007
Provavelmente não. Mas o que ele criou é a salvação do teu corpo cansado, quando você chega do trabalho e se joga no sofá, zapeando seus 150 canais de TV por assinatura.
Descanse em paz, Adler.
+ http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u68583.shtml
William Gibson é profeta
terça-feira, outubro 17, 2006
Por Érico Assis
Um dos maiores mistérios da história da Internet foi revelado há poucos dias, quando um garoto de 18 anos descobriu que Bree, a personagem dos filmetes assinados por lonelygirl15 no YouTube, é uma atriz. Jornalistas do New York Times apuraram que os vídeos eram o início da produção de um filme independente.
Os vídeos de lonelygirl15 compõem o diário virtual de uma adolescente norte-americana. Bree fala para a câmera, geralmente do seu quarto, sobre seu dia, suas idéias, seu namorado e suas viagens. A série de 30 vídeos começou há 3 meses.
Além do texto interessante e do ótimo trabalho de edição, os vídeos cativaram uma audiência mundial a seguir o diário e tentar entender sua autora. Havia alguns elementos estranhos: Bree tinha pais extremamente religiosos que quase não a deixavam sair de casa. Ela era inclusive home-schooled - o sistema jurídico norte-americano permite que os pais façam as vezes de escola para seus filhos. Os pais não sabiam dos vídeos.
A audiência cativada deu início a uma investigação. Encontravam "pistas" como uma foto de Aleister Crowley em um dos vídeos, bem como outras referências ao ocultista britânico do início do século XX. Surgiu a turma dos céticos: lonelygirl15 era invenção de alguma empresa para uma campanha publicitária, preparação para algum filme no esquema Bruxa de Blair (e havia "evidências" de que seria um filme de terror) ou uma nova forma de arte.
A comunidade que se formou em torno do mistério saiu atrás de dados como a localização dos IPs dos e-mails que respondiam às dúvidas de fãs. Especialistas em botânica apuraram que as folhagens mostradas em algumas cenas externas correspondiam à vegetação típica da California. Um dos pontos que apontava a invenção era a data de registro do site lonelygirl15.com – teoricamente um site criado por fãs, mas registrado dois dias antes da entrada do primeiro vídeo no YouTube.
Segundo o New York Times, foi o adolescente Matt Foremski, filho de um repórter do Vale do Silício, que encontrou fotos de Bree – na verdade Jessica Rose, atriz neo-zelandesa que mora em Los Angeles – para o casting da lonelygirl15. A partir daí, chegou-se aos cineastas californianos Ramesh Flinders e Miles Beckett. Os dois "confessaram" que os vídeos eram uma versão serializada do que viria a ser um filme.
A jogada de marketing dos cineastas certamente já entra para a história do marketing viral. Lonelygirl15 mobilizou gente de todo o planeta para resolver seu mistério, uma campanha inovadora para promoção do seu filme. Até o momento, não se sabe se a produção deste continuará.
Subúrbios
segunda-feira, outubro 16, 2006
Gosto de ouvir o despertador do celular. Um toque que remete a uma voz robótica. Diz algo incompreensível. Apenas 2 horas e 30 minutos de sono. Não deu nem tempo de entrar no R.E.M ou um sonho rápido. Sonhos: o primeiro lugar virtual que o homem presenciou. Imersão tão parecida com a realidade que nenhuma tecnologia conseguiu reproduzir.
Ainda.
Só resta acordar com tudo. Hoje é dia de ir ao subúrbio, visitar parentes, conversar e comer sua comida farta. O dia ganhando força. No banheiro, o assassinato digno de filme policial do meu xampu, que cai pela janela e se espatifa lá embaixo. Minhas mãos seguravam com mais cuidado as coisas. Não seguram mais tão bem. A atenção, também se esfarela com a soma da idade. Irresponsabilidades que ecoam desde a adolescência vadia e vagarosa.
Saudades dos meus headphones. Fazendo de conta que a vidinha medíocre é um filme indie europeu com trilha sonora bacana. Pilhas caras demais para um dinheiro que deve ser empregado tão somente em locomoção pela cidade. Pilhas caras demais para alimentar essa fantasia ridícula de que a vida é um filme ou um videoclipe. Vamos ouvir as pessoas indo pra lá e pra cá então.
Ou criar suas próprias melodias com sua famosa e graciosa banda mental, top 10 por anos a fio no seu mundo imaginário. Concentre-se nas minhocas e formigas. Tire sua energia e felicidade dentro do seu próprio corpo. O mundo é para os fortes de espírito que não se deixam ser enganados por bobagens fantásticas.
Ou criar suas próprias melodias com sua famosa e graciosa banda mental, top 10 por anos a fio no seu mundo imaginário. Concentre-se nas minhocas e formigas. Tire sua energia e felicidade dentro do seu próprio corpo. O mundo é para os fortes de espírito que não se deixam ser enganados por bobagens fantásticas.
A cidade vai ficando para trás. Arvores e arbustos são cada vez mais numerosos. O lugar é como um vale, que nos anos da infância, dava uma impressão de esperança e tranqüilidade. Uma pequenina cidade dentro da cidade. Hoje, meus olhos vêem só telhados velhos e descolorados, com algumas ruas sangrando água de esgoto pelo chão. É um clima de decadência inocente e desesperança tranqüila. Como um velho bem vivido á espera de uma morte bem trajada e perfumada. Misturo-me a poética decadência.
Esperando a comida, aguardando na varanda, os meninos brincam com bonequinhos de plástico, no mesmo lugar onde um dia eu também reinei. Pouquíssimos metros quadrados são suficientes para reinar em nossas projeções grandiosas, com aventuras mil e mirabolantes. Bem ali, me apaixonei pela primeira vez.
Um pezinho maldoso que gostava de esmagar minha mão suja de barro vermelho. Ajoelhado na terra, me lembro de seu sorrisinho maléfico e o sol forte atrás de seus longos cabelos cacheados. Sua carinha de má, fazendo a maior força do mundo, como se realmente fosse esmagar meus dedos. Eu fingia dor só para agrada-la....
Um pezinho maldoso que gostava de esmagar minha mão suja de barro vermelho. Ajoelhado na terra, me lembro de seu sorrisinho maléfico e o sol forte atrás de seus longos cabelos cacheados. Sua carinha de má, fazendo a maior força do mundo, como se realmente fosse esmagar meus dedos. Eu fingia dor só para agrada-la....
Ela me beija no rosto com o mesmo entusiasmo de antes. Tenho barbicha suficiente para arranhar a pele, mas ela me beija como se ainda fosse aquele moleque doido por pipoca doce, que ela fazia muito bem. Na Itália, seria uma "Mama" mais que perfeita. Enorme em seus peitos, em suas nádegas, em seu porte físico grande e amoroso. É um tronco de uma arvore antiga e sábia como toda boa velhice deve ser. Está plantada aqui, suas raízes estão a muitos metros abaixo de onde estamos. É um insulto ela sair por ai, ir até nossas casas, espalhar sua boa conversa. É uma blasfêmia ela atravessar esses muros.
Prefiro vir regá-la com meu abraço e meus lábios em suas mãos. Gostaria de rega-la para sempre, de dar melhores coisas... Mas preciso considerar o tempo. E o tempo vai se acumulando em cima de nossas vidas até nos imobilizar. Chega um momento que é impossível carrega-lo. Mesmo assim, gostaria de rega-la pela eternidade adentro.
Prefiro vir regá-la com meu abraço e meus lábios em suas mãos. Gostaria de rega-la para sempre, de dar melhores coisas... Mas preciso considerar o tempo. E o tempo vai se acumulando em cima de nossas vidas até nos imobilizar. Chega um momento que é impossível carrega-lo. Mesmo assim, gostaria de rega-la pela eternidade adentro.
Vi uma pipa dominar o céu suburbano. Fazia varias manobras e movimentos inconsequentes. Num momento de orgulho, de imponência, se desprendeu da linha. Perdeu-se sem rumo ao vento. Caindo e caindo. O sol laranja do entardecer pintando seu papel de ceda vermelha, comprado por alguns centavos, em algum armarinho humilde, por algum garoto humilde. Nascida na humildade, perdeu-se pela vaidade.
Voltando para casa, sonhei acordado através do vidro do ônibus. Descobri que, quanto mais belos eles são, mais doloroso é retornar ao real.
Explosões de sabores e dinheiro
domingo, outubro 15, 2006
As vendas de Coca-Cola e Mentos devem triplicar. Todo mundo está comprando para fazer o bendito teste: http://www.youtube.com/results?search_query=coke+mentos&search=Search
Se essa polêmica não foi arquitetada por executivos diabolicamente espertos, amém. E se foi uma obra do acaso, eis uma ótima oportunidade para estudar maneiras eficazes e extremamente baratas de vender produtos.
Só no youtube, são mais de 15.000 videos com os tags "coke" e "mentos".
Se essa polêmica não foi arquitetada por executivos diabolicamente espertos, amém. E se foi uma obra do acaso, eis uma ótima oportunidade para estudar maneiras eficazes e extremamente baratas de vender produtos.
Só no youtube, são mais de 15.000 videos com os tags "coke" e "mentos".
This is the brave new world!
Na província, com Capote
quarta-feira, outubro 11, 2006
Na província, o tempo passa doendo na carne. Aqui aprendo a cultivar um ódio por ela, por sua gente, por seu modo infeliz e mal educado de ser. Pessoas que cultivam mediocridade em seus passinhos tontos.
Um pensamento mau e mesquinho, mas é meu lado diabólico falando. Mas não estou sozinho. Lendo Capote, percebo porque me identifico tanto com sua prosa, me vendo em suas frases, em seus pensamentos sobre o mundo. Uma das poucas cabeças em que gostaria de estar no lugar.
"Até a pessoa atingir uma certa idade, o interior é maçante; de todo modo, não gosto da natureza em geral, e sim em particulares. De todo modo, a não ser que o sujeito esteja apaixonado, satisfeito, movido pela ambição, desprovido de curiosidade ou reconciliado (o que parece servir como sinônimo moderno de felicidade), a cidade é que nem uma máquina monumental incansável, projetada para a perda de tempo e das ilusões."
Só em estar fora, vez ou outra, dessa minha província, longe dela, no centro da balburdia de todos os movimentos que se misturam ( sejam carros, pessoas, tudo o que pulsa aqui), é um alivio ao coração.
Capote continua:
"Após algum tempo, a busca e a exploração podem se tornar sinistramente apressadas, a transpirar ansiedade, numa corrida de obstáculos de Benzedrine e Nembutal. Onde está o que você procura? E, por falar nisso, o que você está procurando?"
Perco-me olhando pela janela. Perco-me nesse horizonte que vejo ao longe. As luzes ao longe... Dão-me esperança e tristeza. Mais tristezas, na verdade.
Eu tento me esquecer dos dias melhores. Ser feliz com o que tenho. Mas eles são mais fortes. Tudo que é ruim é bem mais forte. Alguns bons e simples momentos, ainda guardo comigo. Momentos que, separados por anos e distâncias geométricas, Capote também sentiu. E mais uma vez, escreveu o que eu queria ter escrito:
"Nas profundezas, o metrô ferve; na superfície, o néon retalha a noite, e mesmo assim ouço um galo cantar".
Eu também ouvi um galo cantar, Capote. Bem no meio do concreto branco, no centro da cidade de Salvador. Juro que ouvi.
Os cães ladram - Pessoas e lugares privados
Autor: CAPOTE, TRUMAN
Tradutor: NOGUEIRA, CELSO
Editora: L&PM EDITORES
Assinar:
Postagens (Atom)
