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O Abutre dentro de nós

terça-feira, janeiro 13, 2015

O-Abutre-Nightcrawler-Ben-Holmes-1
Poster alternativo – Ben Holmes

Conhece a expressão “Espreme que sai sangue”?

Sintonize os canais de TV aberta mais populares depois das 17h, e você terá a sua disposição, alguns punhados de imagens chocantes como acompanhamento.

Claro, tudo sempre bem embalado pela indumentária jornalística do sensacionalismo, um segmento lucrativo para qualquer um que queira entrar nesta vertente da comunicação. E, ao que parece, nem precisa fazer bem feito. Quanto mais trash, melhor.

Estes bastidores estão muito bem representados em O Abutre (Nightcrawler, 2014), estreia muito bem sucedida do roteirista Dan Gilroy na direção (mais conhecido pelos roteiros de O Legado Bourne, Gigantes de Aço e Freejack: Os Imortais).

O filme tem uma tensão constante no ar, recortado pela presença por vezes cômica do cínico e frio personagem Louis Bloom, interpretado de forma brilhante por Jake Gyllenhaal.

 É com Bloom que acompanhamos de perto o desenrolar do universo policialesco televisivo, exibindo suas vertentes mais sórdidas, desde a construção de cenas de crime que cabem plasticamente melhor na tela até a falta total de escrúpulos.

Os vídeos agressivos, sanguinolentos, de crimes ou acidentes automobilísticos, é uma ânsia obsessiva, quase fetichista, tanto do protagonista quanto de sua produtora, Nina (Rene Russo, ainda linda aos 60). A tara por esses conteúdos obscuros é tamanha que, sem querer comparar mas comparando, há momentos que lembram Crash - Estranhos Prazeres, do David Cronenberg. Particularmente, acredito que Gilroy criou de vez um subgênero cinematográfico, o “jornalismo noir”.

Brincadeiras à parte, além de ser um daqueles filmes que já nascem clássicos, a fita abre discussões éticas diversas sobre a profissão, mas eu diria que a síntese do filme é apontar através do comportamento sociopata de Bloom, nossas próprias motivações macabras por conteúdos criminais.

Afinal (e me perdoem os manuais de redação pela rima que segue), notícias sensacionalistas não são muito diferentes das drogas ilícitas: se há oferta, é porque há procura.

Trailer:



Outros posters alternativos:
O-Abutre-Nightcrawler-Matt-Needles-3

O-Abutre-Nightcrawler-Paul-Johnstone-4
O-Abutre-Nightcrawler-mark-reihill-5
O-Abutre-Nightcrawler-Chris-Malbonl-6

O-Abutre-Nightcrawler-janee-meadows-7

Um post e um pôster para “Her”

quinta-feira, maio 22, 2014

Her - Matthew Woodson

 

Ao ver esse fan-pôster produzido pelo artista gráfico Matthew Woodson, veio-me logo a mente a ideia de fazer um texto sobre esta arte, de quão ela é bonita, simbólica, sintetizando a solidão e a surrealidade da imagem, do filme em questão (estamos falando da produção cinematográfica “Her”, de Spike Jonze, na qual Joaquin Phoenix se apaixona por um sistema operacional inteligente, personificado pela locução sensual de Scarlett Johansson).

O problema é que falar de cinema é sempre enfadonho aos meus olhos, apesar de amar o tema. Particularmente, resenhar filmes é sempre uma desvantagem intelectual, já que há tantos outros que melhor refinam e destilam suas interpretações sobre o que é visto na tela.

Por isso, me concentro sempre nos pormenores, nas rebarbas de assuntos que ninguém fala ou que não acrescentam em nada a discussão da obra.

Gosto mesmo é da margem, de ficar ao longe, observando debates e masturbações intelectuais coletivas. Claro que aprendo muito nessas “rinhas de cabeções”, mas prefiro a distância.

Prefiro falar dos sentimentos que a fita provoca em minha mente, assim como detalhes físicos, das coisas que aconteceram quando fui ao cinema. E Her, preferi ver em casa me$mo.

Baixei em uma cópia muito da safada, que mais parecia um efeito blur, semelhante a lentes de óculos que acabaram de ser baforadas com hálito quente (acredito que neste trecho fui redondamente redundante, já que não conheço outro tipo de baforada que não tenha haver com hálito ou boca).

Enfim, dá para comprar esse pôster lindo, de 45cmx60cm, para colocar na sua sala, fotografar com filtro do Instagram, e mostrar para os amigos o quanto você é cool e tem um gosto refinado. Tudo por meros $45,00, no site da Mondo. Bem aqui: http://www.mondotees.com/view_category.asp?cat=12

Aproveite e conheça outros trabalhos do Matthew Woodson:

http://www.ghostco.org/

Ah, e deculpem-me se soei amargo. Minha intenão era ser engraçadinho.

8-D

Sonhos construídos por Stanley Kubrick

terça-feira, dezembro 03, 2013

Stanley Kubrick

Stanley Kubrick povoa minhas lembranças há anos. E estas, ficam “bem ali” na seção das memórias infantis. Mas por favor, não se assuste. Não é uma questão de Q.I elevado ou daquelas genialidades diabólicas que, às vezes, se manifestam nas crianças. Simplesmente fui exposto muito cedo aos seus filmes.

Na verdade, tenho uma pequena culpa nesse processo: o meu atrevimento em não obedecer as ordens de minha mãe para dormir cedo.

Por vezes, com insônia, sorrateiramente ligava a TV, na total escuridão, assistindo a programação da madrugada. E foi nesse ambiente, digamos, propício, que alguns dos seus clássicos repetiram-se como ecos em vales gigantescos, tanto na tela, quanto na minha mente.

Desnecessário comentar o pavor sem nome, quando meus pequenos olhos assustados consumiram O Iluminado. Ou mesmo as bizarras cenas de violência de Laranja Mecânica. Diferente do encantamento com os ruídos de 2001: Uma Odisseia no Espaço.

Acho que por isso adoro noise, shoegaze e outros sons experimentais. Era minha reprise predileta, apesar de ter dormido em vários momentos. Deve ter repetido umas quatro vezes para conseguir ver completamente e, claro, não entender nada. Alias, não entendo o final até hoje. Mas, na boa, quem entende? De qualquer modo, achava um barato.

Devido a essas pequenas peculiaridades, quando recentemente fui à Exposição Stanley Kubrick, no MIS, significou algo realmente importante.

Estar lá, vendo de perto as anotações, os roteiros, os objetos de cenas, foi como ir a uma celebração religiosa. Uma espécie de retorno para essa infância de pequenas descobertas grandiosas de um mundo peculiar, desconcertante.

Entrei em minhas próprias memórias, caminhei nos cenários onde eram gravados os meus próprios sonhos.
Foi incrível...

p.s 1: O pessoal do Ideia Fixa publicou algumas fotos do backstage de O Iluminado - http://www.ideafixa.com/no-backstage-de-o-iluminado/
p.s 2: Fiz umas fotos do passeio, mas por favor, não espere qualidade -

         

                     

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