Acordei tarde e atônito. O Sol a pino já nas primeiras horas de uma manhã pós-carnaval. Já passavam dos trinta e cinco minutos de atraso. Em um dia comum, já se passariam trinta e cinco minutos de suor, de conhecer uns cinco desconhecidos e seus trinta e cinco problemas, de tomar os quatro primeiros copinhos de café dos trinta e cinco do dia (essa parte é puro exagero 8-] ), de ler as 35 primeiras noticias do dia, de olhar pela janela com a costumeira saudade dos mais de trinta e cinco beijos que dei em minha garota. Mas, ali estava eu ainda na cama, tentando entender de onde tinha surgido tanto sono. De onde veio a sensação de sonho, de irrealidade sem precedentes.
Mesmo na cidade, mesmo no turbilhão do dia, tudo parecendo estranho. Estranhamente novo! A dúvida se o sinal estava realmente fechado para mim e se o carro que vinha em tão alta velocidade poderia me abater como um sapo gordo atravessando a auto-estrada. A dúvida se aquela era a minha rua, a minha roupa, o meu almoço na sacola de papel, os meus sapatos que doem nas pontas dos dedos, o meu cabelo querendo um corte novo, a minha vida de fato. Como se a um cara estranho qualquer mudasse de corpo comigo de forma mágica.
Não poderia nunca definir o real motivo dessas sensações. O que tenho certeza até agora (na verdade o que eu quis inventar como interpretação pelo fato), é que há dias estranhos como esses para um único e simplório fim: sentir-se outra pessoa, em outra vida e com a sensação que tudo pode ser completamente diferente. O tal “primeiro dia do resto de nossas vidas” talvez. E o aproveitei com gratidão.
